II Encontro Outono APMGF - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/ii-encontro-outono-apmgf/ Notícias sobre saúde Wed, 10 Dec 2025 17:13:36 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png II Encontro Outono APMGF - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/ii-encontro-outono-apmgf/ 32 32 Além da contraceção: sustentabilidade e fertilidade na consulta de Planeamento Familiar https://saudeonline.pt/alem-da-contracecao-sustentabilidade-e-fertilidade-na-consulta-de-planeamento-familiar/ https://saudeonline.pt/alem-da-contracecao-sustentabilidade-e-fertilidade-na-consulta-de-planeamento-familiar/#respond Thu, 20 Nov 2025 09:46:49 +0000 https://saudeonline.pt/?p=180744 Coordenador do Centro PMA, Hospital Lusíadas Lisboa; Presidente Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução; Vice-Presidente Sociedade Portuguesa de Ginecologia; Vice-Presidente da Federación Iberoameicana de Repoducción Humana

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Existe a ideia frequente de que o limite da fertilidade é a menopausa. Mas, de facto, há uma redução acentuada da fertilidade a partir dos 40 anos de idade das mulheres, em que a gravidez pode ser difícil de se concretizar.  Apesar de que a contraceção que se queira eficaz, se deva manter até à menopausa, é nosso dever relembrar esta redução da fertilidade na consulta de Planeamento Familiar.

A razão disso acontecer prende-se com o acumular de alterações cromossómicas nos ovócitos restantes duma reserva ovárica finita. Temos alternativas que passam pela preservação da fertilidade, com congelamento de ovócitos, idealmente realizada até aos 36 anos. A sua utilização posterior, em idades mais avançadas, terá uma probabilidade de gravidez maior, correspondente à associada à idade de colheita de ovócitos. Se isso não foi feito, e a gravidez continue a não acontecer nestas idades tardias, poderá ser necessário recorrer a programas de doação ovocitária.

Mas, temos também a necessidade de promover a gravidez em idades mais jovens. Essa posição implica que tenhamos também de ter a missão de alertar os decisores políticos para políticas laborais que promovam a maternidade, com licenças mais alargadas, o trabalho híbrido ou a flexibilidade de horários.

O Movimento + Fertilidade surgiu em junho de 2025 e visa a promoção da fertilidade, atuando em 3 pilares: educação para a fertilidade, promoção de políticas laborais fertility friendly ou family building e acesso a centros de Medicina da Reprodução com capacidade para realizar tratamentos atempadamente.

No Movimento estão envolvidas a Associação Portuguesa de Fertilidade, a Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, o Colégio da Subespecialidade de Medicina da Reprodução da Ordem dos Médicos. Associa-se neste Encontro de Outono, a APMFG, que será um contributo indispensável para a literacia sobre os limites da fertilidade. Podemos, todos, ir para além da contraceção e prevenir a ocorrência da infertilidade.

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Alterações climáticas e doenças cardiovasculares: o que o médico de família precisa de saber https://saudeonline.pt/alteracoes-climaticas-e-doencas-cardiovasculares-o-que-o-medico-de-familia-precisa-de-saber/ https://saudeonline.pt/alteracoes-climaticas-e-doencas-cardiovasculares-o-que-o-medico-de-familia-precisa-de-saber/#respond Thu, 20 Nov 2025 09:46:49 +0000 https://saudeonline.pt/?p=180746 Médico de Família. USF 7 Castelos, ULS Loures Odivelas. Colaborador do grupo de estudos One Health da APMGF

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As alterações climáticas constituem atualmente um importante fator de risco cardiovascular. O aumento das temperaturas, as ondas de calor e a degradação da qualidade do ar têm um impacto direto na morbilidade e mortalidade, embora muitas vezes invisível na prática clínica. Em Portugal, entre 2011 e 2021, cerca de 22% das mortes por doença isquémica cardíaca e 23% por acidente vascular cerebral foram atribuíveis à exposição a partículas finas (PM2.5), responsáveis por centenas de milhares de anos de vida perdidos.1,2 A poluição atmosférica é, assim, mais do que um problema ambiental — é uma causa silenciosa de doença.

As partículas finas penetram profundamente nos pulmões e alcançam a circulação sanguínea, desencadeando inflamação sistémica, stress oxidativo, disfunção endotelial e arritmias — mecanismos bem documentados em revisões sobre o impacto da qualidade do ar na saúde cardiovascular. Paralelamente, as temperaturas extremas — tanto elevadas como baixas — aumentam o risco de eventos cardiovasculares agudos, nomeadamente enfarte do miocárdio e AVC, ao promoverem alterações hemodinâmicas, inflamatórias e da viscosidade sanguínea.

A abordagem One Health — que reconhece a interligação entre saúde humana, animal e ambiental — reforça a necessidade de compreender as doenças crónicas sob uma nova lente. A qualidade do ar interior, frequentemente negligenciada, constituiu também um fator relevante: a combustão doméstica, a ventilação deficiente e a exposição ocupacional contribuem para o agravamento de fatores de risco cardiovasculares.3,4

O relatório Portugal Lancet Countdown on Health and Climate Change 20255 destaca a urgência de adaptar o sistema de saúde aos impactos climáticos. Para o médico de família, isso implica incluir a exposição ambiental na anamnese, reforçar o controlo dos fatores de risco, aconselhar comportamentos adequados perante períodos de poluição e extremos térmicos, e promover estilos de vida sustentáveis.6

Mais do que um desafio ambiental, trata-se de uma questão de saúde pública. Pela proximidade com as comunidades, o médico de família deve assumir-se como agente de mudança — na prática clínica, na educação e na defesa de políticas que reduzam emissões e protejam o futuro cardiovascular da população.

Referências:

  • Corda MO, Charalampous P, Haagsma JA, Assunção R, Martins C. Mortality burden of cardiovascular disease attributable to ambient PM2.5 exposure in Portugal, 2011 to 2021. BMC Public Health. 2024;24:1188. doi:10.1186/s12889-024-18572-0
  • Abdul-Rahman T, Roy P, Blake Bliss ZS, Mohammad A, Corriero AC, Patel NT, et al. The impact of air quality on cardiovascular health: A state of the art review. Curr Probl Cardiol. 2024;49:102174. doi:10.1016/j.cpcardiol.2023.102174
  • Correia G, Calheiros D, Rosa N, Rodrigues L, Cunha S, Santiago LM, et al. Indoor air quality and airborne transmission under the One Health lens: A scoping review. One Health. 2025;21:101160.
  • Peters A, Schneider A. Cardiovascular risks of climate change. Nat Cardiovasc Res. 2020;1(1):1–3.
  • Romanello M, Walawender M, Hsu S-C, et al. The 2025 report of the Lancet Countdown on health and climate change. Lancet. 2025 Oct 29. doi:10.1016/S0140-6736(25)01919-1
  • Caldeira D, Franco F, Bravo Baptista S, Cabral S, Cachulo MC, Dores H, et al. Air pollution and cardiovascular diseases: A position paper. Rev Port Cardiol. 2022;41(8):709–17.

 

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Revolução na abordagem da Obesidade: O impacto das novas terapêuticas https://saudeonline.pt/revolucao-na-abordagem-da-obesidade-o-impacto-das-novas-terapeuticas/ Thu, 20 Nov 2025 09:46:48 +0000 https://saudeonline.pt/?p=180748 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Revolução na abordagem da Obesidade: O impacto das novas terapêuticas aparece primeiro em Saúde Online.

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Menos é (muitas vezes) mais: desprescrição de benzodiazepinas para Médicos de Família https://saudeonline.pt/menos-e-muitas-vezes-mais-desprescricao-de-benzodiazepinas-para-medicos-de-familia/ https://saudeonline.pt/menos-e-muitas-vezes-mais-desprescricao-de-benzodiazepinas-para-medicos-de-familia/#respond Thu, 20 Nov 2025 09:46:48 +0000 https://saudeonline.pt/?p=180750 Médica de Família. USF O Basto, ULS Alto Ave. Professora convidada da FMUL e da Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa de Lisboa. Membro fundador do GEsCAd, elemento da coordenação

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O consumo prolongado de benzodiazepinas representa um desafio de saúde pública, com impacto relevante na segurança e qualidade de vida dos utentes.  Este tema assume particular relevância em Portugal, enquanto país com uma das mais elevadas taxas de prescrição de benzodiazepinas na Europa.

Apesar da sua eficácia reconhecida em tratamentos de curta duração para a ansiedade e perturbações do sono, a utilização crónica destas substâncias associa-se a riscos significativos, nomeadamente dependência, tolerância, alterações da consciência, risco acrescido de quedas, acidentes e mortalidade.  A prescrição e, sobretudo, a desprescrição adequada destas substâncias representam um desafio clínico de grande complexidade, reforçando a necessidade de uma abordagem estruturada e integrada, particularmente no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários.

O workshop “Menos é (muitas vezes) mais: desprescrição de benzodiazepinas para Médicos de Família” tem como objetivo capacitar os profissionais de Medicina Geral e Familiar nesta área. Com partilhas sustentadas na evidência científica atual, serão abordadas indicações para a sua prescrição no contexto da ansiedade e da insónia, reforçando a importância da abordagem biopsicossocial e da continuidade de cuidados. Será também reforçada a identificação de situações de uso inadequado, bem como a avaliação do balanço risco-benefício e a implementação de estratégias seguras e individualizadas de redução e suspensão gradual destes fármacos.

Através de metodologias interativas e baseadas em casos clínicos reais, serão exploradas ferramentas práticas de apoio à decisão, protocolos de desprescrição e técnicas de comunicação motivacional que favorecem o envolvimento ativo do utente no processo terapêutico. Será também disponibilizado material de educação para a saúde dirigido ao utente, nomeadamente um folheto de leitura auxiliar.

Pretende-se, desta forma, promover uma prática clínica mais racional, segura e centrada no utente, contribuindo para a melhoria dos indicadores de qualidade em saúde e para a utilização responsável destes fármacos nos Cuidados de Saúde Primários.

 

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Desafios da Medicina Centrada na pessoa na era digital https://saudeonline.pt/desafios-da-medicina-centrada-na-pessoa-na-era-digital/ https://saudeonline.pt/desafios-da-medicina-centrada-na-pessoa-na-era-digital/#respond Thu, 20 Nov 2025 09:46:48 +0000 https://saudeonline.pt/?p=180763 Departamento de Medicina da Comunidade, Decisão e Informação em Saúde; Docente Convidado

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Como se conjuga Medicina Centrada na Pessoa com saúde digital?

A digitalização não substitui o contacto humano; complementa-o. A Medicina Centrada na Pessoa continua a ser o núcleo da prática clínica. As tecnologias devem reforçar a escuta, a compreensão do contexto e a decisão partilhada, não as diluir.

Mas a tecnologia pode, por vezes, afastar?

Sem dúvida. Quando se coloca o sistema no centro e não a pessoa, corre-se o risco de transformar o cuidado em burocracia digital. A tecnologia deve libertar o médico do teclado, não o aprisionar.

Exemplos positivos dessa integração?

Desde plataformas que permitem acompanhar doentes com doenças crónicas em tempo real, até ferramentas que criam histórias digitais para explicar procedimentos pediátricos e reduzir ansiedade. E, mais recentemente, os “digital scribes”, que devolvem ao médico o foco na conversa e na relação.

E riscos?

A ilusão de que mais dados significam mais compreensão. A empatia, a linguagem corporal, as pausas — nada disso pode ser automatizado. E a exclusão digital é real: nem todos têm acesso ou literacia digital suficientes.

O que é essencial garantir nesta transição?

Três elementos: equidade, literacia e formação. A tecnologia tem de ser simples, universal e suportada. E os profissionais precisam de competências de comunicação digital — empatia através do ecrã também se treina.

Em resumo:

A saúde digital deve ser uma ponte para uma medicina mais humana. Se uma ferramenta aproxima médico e pessoa, vale a pena. Se cria distância, precisamos de repensar. No fim, cuidar continua a ser um ato humano — com ou sem ecrã.

 

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“Mais do que um momento científico, queremos um reencontro com o sentido da profissão médica” https://saudeonline.pt/mais-cientifico-queremos-um-momento-de-reencontro-com-o-sentido-da-profissao-medica/ https://saudeonline.pt/mais-cientifico-queremos-um-momento-de-reencontro-com-o-sentido-da-profissao-medica/#respond Thu, 20 Nov 2025 09:46:47 +0000 https://saudeonline.pt/?p=180766 É a segunda edição do Encontro Nacional APMGF e os membros da comissão organizadora esperam mais um ano de sucesso. O evento que reúne diferentes gerações de médicos de família visa reforçar a coesão e a identidade da comunidade de Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. Entrevista com Ana Luís Pereira, Jonathan dos Santos, Andreia Rodrigues da Silva e Deolinda Chaves Beça.

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“De Médico para Médico: Encontros que inspiram”. Porquê esta temática no Encontro de Outono APMGF?
O tema traduz o que está no centro do Encontro de Outono: um espaço de partilha genuína entre colegas, feito de experiências reais, desafios quotidianos e aprendizagens vividas. Mais do que um evento científico, queremos um momento de reencontro com o sentido da profissão médica, um tempo de motivação, de reflexão e de inspiração que nasce da troca de conhecimento e da vivência diária da prática médica.

Quais as mais-valias de reunir os grupos de estudo e o encontro dos internos e jovens médicos de família?
A realização conjunta reforça a coesão e a identidade da comunidade de Medicina Geral e Familiar. Os grupos de estudo representam a maturidade técnica e científica; os internos e jovens médicos trazem energia, curiosidade e novas formas de pensar. Juntar estas gerações é criar uma aprendizagem em duas direções: o conhecimento e a experiência cruzam-se com a inovação e o entusiasmo. Este encontro intergeracional estimula o networking, gera projetos colaborativos e valoriza o percurso formativo contínuo de cada médico.

Este ano, os participantes também poderão organizar o seu próprio road map formativo?
Sim, essa é uma das marcas distintivas do Encontro de Outono. Cada participante pode desenhar o seu próprio percurso de aprendizagem, escolhendo entre sessões temáticas, oficinas práticas e momentos de debate. Esta flexibilidade reconhece a diversidade de interesses e níveis de experiência e devolve a cada médico o protagonismo da sua formação contínua.

“Num momento em que o SNS enfrenta desafios profundos, é essencial criar espaços de reencontro e pertença”

Em que consistem as sessões Pitch VAXLAB e qual a sua importância?
As sessões Pitch VAXLAB são momentos curtos e dinâmicos onde os participantes apresentam projetos de intervenção ligados à promoção da vacinação. O formato pitch estimula a clareza e a comunicação eficaz, enquanto o VAXLAB funciona como um verdadeiro laboratório de ideias e inovação. O projeto vencedor recebe um prémio de 1000€, destinado à implementação da proposta. Estas sessões permitem divulgar iniciativas inspiradoras, replicáveis noutros contextos, e reforçam a importância da vacinação como uma das áreas centrais na Medicina Geral e Familiar.

De que forma este tipo de encontros pode motivar os internos e especialistas de Medicina Geral e Familiar, num contexto de constrangimentos no SNS?
Num momento em que o SNS enfrenta desafios profundos, é essencial criar espaços de reencontro e pertença. Estes encontros renovam o sentido de missão, fortalecem os laços entre colegas e mostram que é possível continuar a inovar, a aprender e a cuidar melhor, mesmo em tempos difíceis. O contacto direto com experiências inspiradoras e com projetos que resultam é, por si só, um fator de motivação e esperança. Celebrar o que de melhor se faz na Medicina Geral e Familiar é também uma forma de resistência e de compromisso com o futuro.

 

Maria João Garcia

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