SN – Últimas - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/home-recentes-rn/ Notícias sobre saúde Mon, 26 Jun 2023 11:08:08 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png SN – Últimas - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/home-recentes-rn/ 32 32 “Existe uma sobrecarga generalizada de trabalho para os médicos de família do Algarve” https://saudeonline.pt/existe-uma-sobrecarga-generalizada-de-trabalho-para-os-medicos-de-familia-do-algarve/ https://saudeonline.pt/existe-uma-sobrecarga-generalizada-de-trabalho-para-os-medicos-de-familia-do-algarve/#respond Fri, 23 Jun 2023 09:38:33 +0000 https://saudeonline.pt/?p=145331 Responsável pela organização deste 7.º Encontro de Médicos de Família do Algarve e pela Delegação Distrital de Faro da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Daniela Emílio fala sobre os objetivos desta iniciativa e de alguns temas a abordar durante a mesma, assim como de algumas das problemáticas da Medicina Geral e Familiar no Algarve, que, segundo afirma, leva a que os médicos de família se sintam “sobrecarregados”.

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O Algarve é uma das regiões do país com mais escassez de recursos humanos na saúde, nomeadamente nos cuidados de saúde primários. Como é que os médicos de família do Algarve lidam com esta falta de médicos?
Os médicos de família do Algarve não lidam muito bem com essa situação, porque existe uma sobrecarga generalizada. Se compararmos os ficheiros, vemos que, no Algarve, estão praticamente todos completos ou acima do que está estipulado, o que faz com que exista uma sobrecarga permanente de trabalho.

Além disso, existe pouca capacidade de fixação dos médicos, o que significa que nunca se vê grandes melhorias após cada concurso.

Temos uma grande percentagem de doentes sem médicos de família e estamos constantemente a receber e-mails a pedir que façamos horas extraordinárias de apoio aos utentes sem médico, mas, como em tudo, existe um limite.

Por outro lado, temos o verão, que está à porta, e que aumenta ainda mais esta necessidade dos cuidados primários, dado as consultas que os turistas acabam por precisar e é necessária disponibilidade para essas pessoas.

 

Quais os concelhos mais carenciados?
Atualmente, o mais carenciado é Albufeira, seguido de Faro e Loulé, particularmente Almancil também tem zonas carenciadas. Toda a região do Barlavento e muito particularmente no concelho de Portimão. Só o Sotavento Algarvio, ou seja, de Tavira até Vila Real de Santo António, não tem falta de médicos de família. Neste sentido, é a melhor zona.

 

Porquê?
Por causa dos médicos espanhóis. Há cerca de 15/20 anos, vieram muitos colegas espanhóis para Portugal tirar a especialidade em Medicina Geral e Familiar e muitos ficaram a viver na fronteira ou, até mesmo, em Portugal. Ficaram a cobrir as zonas de Vila Real até Tavira. Existem imensos colegas de Espanha que são médicos de Família na região Algarvia.

 

Tal como referiu, no verão a situação torna-se pior. Que estratégias usam nesta altura do ano, de forma a responder a todas as pessoas que precisam de assistência médica?
Sim, tal como disse, a Medicina Geral e Familiar, como todas as especialidades no Algarve, sofre um aumento exponencial na sua procura durante o Verão. Estes contactos na sua maioria são feitos através de consultas de urgência ou de consultas do dia, com problemas que não conseguiram resolver nos seus centros de saúde antes das férias ou pequenos problemas de saúde que surgiram no momento.

Esta procura exige um reforço no atendimento sem que exista reforço de pessoal médico ou das próprias escalas nestes meses. Torna-se difícil esta gestão de aumentar as horas dos serviços sem reforço dos profissionais. São lutas antigas, mas que ainda se mantêm atuais.

 

E em relação à fixação dos médicos de família no SNS em geral e nos centros de saúde do Algarve em particular, o que leva a esta situação?
O problema da fixação dos médicos é transversal a todo o País, mas pela sua periferia, a falta de apoios torna estas zonas menos atrativas. Para quem não é local torna-se ainda mais difícil, como pode comprovar-se pelo número de vagas que ficaram por escolher no Algarve, 84% no último concurso.

A pouca dinamização das USF no Algarve também não atrai os novos médicos de família que procuram um modelo de trabalho mais organizado e com possibilidade de evolução no seu modelo remuneratório.

 

Como está a ser a experiência da organização deste 7.º Encontro de Médicos de Família do Algarve?
Está a ser desafiante. Este ano, optámos por realizar o encontro numa altura diferente do ano, o que nos traz coisas boas e menos boas. Trata-se de uma altura em que, tradicionalmente, existiriam menos atividades, mas parece que apareceram mais alguns eventos também no Algarve.

Alterámos a data do evento com a perspetiva de os participantes poderem aproveitar também um pouco o Algarve e o calor que se faz sentir em junho.

 

Enquanto médica, o que é que se aprende quando se está envolvido na organização de um evento como este?
Aprende-se a gerir melhor o tempo. Os médicos são profissionais muito sobrecarregados, com horários difíceis. Acaba por ser um stress diferente, porque parece que há muita coisa que sai do nosso controlo. Dentro do consultório temos mais controlo sobre o que se passa.

Mas, apesar das dificuldades, trabalhar com os colegas é muito bom. É uma aprendizagem, uma vez que temos contacto com pessoas com diferentes visões, numa organização em que tentamos estar também em contato com os colegas hospitalares, numa tentativa de nos aproximarmos e conseguirmos melhorar os cuidados de saúde para os nossos utentes.

São muitas pessoas envolvidas, muitas cabeças a pensar e nem sempre é fácil. Temos todos uma vida muito preenchida, é um desafio arranjar tempo para aprofundar alguns temas e para organizar as apresentações. Mas, no fundo, é sempre bom, porque no final os colegas dão-nos um feedback positivo. Dizem que gostaram dos temas, que fomos inovadores e alguns até nos dão dicas acerca do que gostariam de ver abordado no ano seguinte.

 

Falou na articulação/contacto com os colegas do hospital. Que avaliação faz dessa articulação entre a Medicina Geral e Familiar e as especialidades hospitalares no Algarve?
No âmbito do encontro, tem sido sempre muito proveitosa e corre muito bem. Muitas vezes conseguimos criar pontes que facilitam e que levam os colegas a perceber as nossas dificuldades nos centros de saúde. Esta proximidade entre médicos dos cuidados primários e hospitalares é uma mais-valia, no sentido de afinarmos os critérios de referenciação, os exames que devemos prescrever, assim com o que é importante numa história clínica, de forma a que os critérios de referenciação às consultas sejam o mais confortáveis possível, tanto para médicos de família, como para médicos hospitalares.

Tal como nos cuidados de saúde, o Hospital de Faro nem sempre consegue dar resposta. Por muito boa vontade que os colegas tenham, a capacidade humana é finita e, por isso, nem sempre conseguimos melhorias.

 

Qual o critério para a escolha de temas deste encontro?
A escolha dos temas resulta do brain storming da equipa, que promove temas que poucas vezes podemos abordar e se tornam muito importante nas nossas consultas do dia a dia. Procuramos sempre ser uma mais-valia com temas atuais e que nos suscitam dúvidas, dando um espaço privilegiado de discussão num ambiente interpar, permitindo explorar e melhorar a nossa capacidade de performance nos nossos locais de trabalho.

 

Este programa é composto por temas ainda pouco abordados ao dia de hoje, como é exemplo a sessão “Particularidades da consulta de MGF com pessoas LGBTQIAP+”. Quais são os principais desafios dos médicos de família no seguimento destas pessoas?
Um dos principais desafios é o nosso desconhecimento. Nem todos sabemos quais são as ofertas, as comunidades e os recursos existentes fora da saúde e que podemos dar a conhecer aos nossos utentes. Por vezes, nem sempre sabemos para onde referenciar, nem quais são os serviços mais preparados para receber esta comunidade.

Por outro lado, é o nosso próprio desconhecimento em relação a estas questões propriamente ditas. Como falar, o que abordar, o que é que esta comunidade precisa, porque é que nos procura.

Nem sempre as suas necessidades estão relacionadas com o facto de serem LGBTQIAP+. Têm todos os outros problemas. Provavelmente, precisamos de tentar descomplicar e de arranjar ferramentas para facilitar a nossa comunicação e apoio naquilo de que precisam e que lhes podemos prestar.

Foi divulgado um questionário pré-congresso, para que a Prof.ª Ana Macedo já tenha uma ideia do nível de conhecimento ou do à vontade dos participantes do Encontro, para lidar com a comunidade LGBTQIAP+. O objetivo é ter um ponto de partida e perceber de que forma nos pode ajudar, porque as dúvidas são mesmo muitas.

Trata-se de assuntos novos, em constante mudança, que leva a que nem sempre nos consigamos atualizar. Ouvir quem está dentro da área é sempre uma mais-valia.

 

E em relação à sessão “’Conversas com’ – A Comunidade migrante quem são e que cuidados de saúde precisam?”, quais as principais necessidades destas pessoas e dos médicos no seu seguimento?
O objetivo é pensarmos em conjunto – médicos, assistentes sociais e as próprias comunidades – e afinarmos qual a melhor forma de divulgarmos os serviços, como por exemplo o que é que o centro de saúde significa e pode dar às pessoas da comunidade migrante; e também perceber quais as expectativas que têm para connosco. De que sentem falta e o que consideram não estar a ser suprido atualmente. Pretendemos aproximar-nos e dar propostas concretas sobre o que são os nossos acessos e o que podemos fazer para estar perto das comunidades e ser uma mais-valia.

 

Quais as origens dessas comunidades?
Aqui no Algarve temos muitas comunidades brasileiras, indianas, chinesas, paquistanesas, ucranianas. São estas as que tenho ideia que mais recorrem. Na sessão iremos abordar e verificar se existem mais comunidades migrantes em crescimento.

 

Aqui temos logo à partida a questão da língua?
A barreira linguística é complicada. Algumas comunidades são mais organizadas e os utentes trazem um tradutor, o que facilita muito o nosso trabalho, mas as minorias têm menos recursos para conseguirem trazer alguém que os ajude a comunicar.

As outras barreiras estão relacionadas com a cultura. Existem coisas que para nós são banais e que para eles são fora do habitual e vice-versa. Inclusive com a comunidade brasileira. Apesar de partilharmos a língua, existem expressões diferentes, que muitas vezes são uma barreira linguística.

 

Enquanto responsável pelo encontro e pela Núcleo de APMGF no Algarve, que mensagem gostaria de deixar aos seus colegas?
Os médicos de família têm que se manter cada vez mais atualizados na vanguarda. Sempre fomos camaleónicos e sempre nos tentamos aproximar dos nossos doentes e utentes, portanto pretendemos, com estes encontros e com a abordagem destas temáticas, estar mais próximo dos nossos doentes, para que os consigamos tratar, ajudar e dar o apoio de que necessitam, independentemente daquilo que procuram em nós.

Texto: Sílvia Malheiro

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Trocar cigarro por cigarro eletrónico ou tabaco aquecido “não é estratégia” https://saudeonline.pt/trocar-cigarro-por-cigarro-eletronico-ou-tabaco-aquecido-nao-e-estrategia/ https://saudeonline.pt/trocar-cigarro-por-cigarro-eletronico-ou-tabaco-aquecido-nao-e-estrategia/#respond Tue, 18 Apr 2023 10:01:22 +0000 https://saudeonline.pt/?p=142874 A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) e a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) alertam que a decisão do Ministro da Saúde da Inglaterra, Neil O’Brien, de distribuir kits gratuitos de cigarro eletrónico para um milhão de fumadores no país não é uma estratégia de saúde pública.

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A campanha “swap to stop” (trocar para parar) foi anunciada por Neil O’Brien em discurso no Policy Exchange, na passada terça-feira, dia 11 de abril. De acordo com o Ministro de Saúde inglês, “vaporizar” seria uma “ferramenta poderosa” para ajudar as pessoas a parar de fumar e, junto com iniciativas de prevenção à iniciação de fumar, contribuiria para reduzir a prevalência de tabagismo à volta de 5% na Inglaterra até 2030.

Para a SPP e SBPT, “a posição das autoridades de saúde inglesas não segue as boas práticas da Medicina baseada na evidência científica e na ética médica “primum non nocere”.  “Não segue também o princípio de precaução de saúde pública, já que existe farta documentação científica dos prejuízos para a saúde causados por estes produtos”, acrescentam em comunicado.

Mesmo no Reino Unido, as autoridades de saúde da Escócia, por exemplo, já emitiram um comunicado dizendo que não apoiam esta iniciativa e que não há planos para adotá-la na Escócia.

As sociedades alertam que os cigarros eletrónicos “não são nem dispositivos médicos nem medicamentos”, mas produtos de consumo banidos em mais de 40 países, entre os quais o Brasil, que fornecem, além da nicotina inalada, outras quase duas mil substâncias. De acordo com SPP e a SBPT, já foram identificadas substâncias tóxicas e irritantes para os sistemas respiratório, cardiovascular e imunológico e até carcinogénicas, muitas delas não especificadas pelos fabricantes. “Esses aparelhos também oferecem perigos específicos, como o vazamento de metais pesados no filamento aquecido, aumentando o risco de cancro, síndrome respiratória aguda e explosão do dispositivo, por exemplo”, ressalta o pneumologista Paulo Corrêa, coordenador da Comissão Científica de Tabagismo da SBPT.

“Como esses dispositivos fornecem nicotina, que causa grande dependência, e outros produtos tóxicos, os utilizadores acabam por persistir no uso prolongado, podendo sofrer os efeitos negativos na saúde e adoecer”, complementa Sofia Ravara, coordenadora da Comissão de Tabagismo da SPP. Por outro lado, “os tratamentos da dependência do tabaco são clinicamente eficazes e seguros, além de  muito custo-efetivos em comparação com outras intervenções médicas”.

LUSA

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Utentes dizem que qualidade dos serviços no SNS baixou, sobretudo na acessibilidade https://saudeonline.pt/utentes-dizem-que-qualidade-dos-servicos-no-sns-baixou-sobretudo-a-acessibilidade/ https://saudeonline.pt/utentes-dizem-que-qualidade-dos-servicos-no-sns-baixou-sobretudo-a-acessibilidade/#respond Tue, 18 Apr 2023 09:38:51 +0000 https://saudeonline.pt/?p=142871 Os dados de um estudo que vai ser apresentado hoje indicam que quase 50% da população considera que o tempo de espera na urgência piorou, assim como para as cirurgias (mais de 30%) e para as consultas (quase 40%).

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A perceção dos utentes quanto à evolução do Serviço Nacional de Saúde na última década é positiva, mas esta ideia não é acompanhada pelo julgamento que fazem dos tempos de espera para consultas, exames e urgências, que consideram ter piorado. Segundo o Índice de Saúde Sustentável, desenvolvido pela Nova Information Management School (Nova IMS) e que hoje é apresentado em Lisboa, 38% considera que, relativamente ao que se passava há 10 anos, o SNS está melhor, mas as listas de espera não tiveram uma evolução positiva.

O estudo, que pela primeira vez este ano apresenta dados sobre a perceção dos portugueses relativamente à evolução do SNS na última década e expectativas para os próximos 10 anos, indica que 47,8% considera que os tempos de espera nas urgências são maiores, 31,3% diz que a espera para cirurgias piorou e 37,3% tem a mesma opinião quanto à espera para consultas. “As pessoas, de uma forma geral, consideram que o SNS evoluiu positivamente, mais de 60% considera que evoluiu positivamente, mas depois, quando olhamos para os tempos de espera, quer do ponto de vista das consultas, das cirurgias ou das urgências, (…) a grande maioria pensa que piorou”, explicou à Lusa Pedro Simões Coelho.

O investigador fala de uma dualidade nos resultados, explicando: “Há um SNS que globalmente está melhor, mas que está pior em termos dos tempos de espera”. Os dados indicam que os portugueses consideram que atualmente existe maior expectativa para resolver os problemas de saúde do que há 10 anos, o que justificam sobretudo pela existência de melhores meios de diagnóstico e de medicamentos mais inovadores.

No caso dos portugueses que consideram que atualmente existe menor expectativa para resolver os problemas de saúde, o tempo de atendimento mais lento contribui maioritariamente para essa perceção. Quase metade (48,6%) considera que, atualmente, o SNS está mais vocacionado para prevenir futuras doenças, essencialmente por ter melhores meios de diagnóstico (65,4%) e medicamentos mais inovadores (44%). Os 15% que dizem que o SNS está menos vocacionado para a prevenção de doenças futuras apontam como principal motivo a lentidão no atendimento (51,1%).

Mais de metade (53,6%) dos portugueses acederam no último ano a cuidados de saúde como forma de prevenção da doença, e não por se sentir doente. Mais de três em cada quatro (82,2%) consideram que têm informação suficiente sobre o seu estado de saúde e sobre o que devem fazer para prevenir uma doença e a maioria defende que o investimento nos profissionais de saúde (61,6%) deverá ser uma das prioridades do SNS, seguido das instalações e equipamentos (32,9%).

O estudo indica ainda que a qualidade percecionada sobre o SNS pode aumentar 16 pontos caso o utente tenha médico de família (+11,4 pontos), esteja associado a uma Unidade de Saúde Familiar (+2,5) e procure cuidados de saúde por prevenção (+2,2). “Isto mostra que o tema dos cuidados primários e o tema das formas de organização do SNS são muito importantes para podermos criar aqui uma mudança de paradigma do sistema”, considera o investigador, acrescentando que, para se conseguir retirar das urgências quem não precisa de lá ir, “é preciso ter uma porta de entrada nos cuidados primários que seja satisfatória para as pessoas”.

Outro dado relevante é o facto de um em cada 10 portugueses não ter comprado no ano passado alguns dos medicamentos prescritos pelo médico por causa do custo, um valor que aumentou face ao ano anterior. De acordo com o estudo, 89% dos portugueses tomaram algum medicamento prescrito por um médico em 2022, mas o custo dos medicamentos fez com que 10% tivessem optado por não comprar algum dos fármacos prescritos.

Globalmente, os utentes continuam a considerar o preço do Serviço Nacional de Saúde (SNS) adequado, mas também têm uma perceção do valor das taxas moderadoras que é superior ao valor real, não sabendo que, nalguns casos, estas já não são pagas. As consultas com médico de família no centro de saúde já não são pagas, mas os utentes continuam a achar que custam um valor próximo dos 3€, o mesmo acontecendo nas consultas externas / especialidade nos hospitais públicos, que estimam custar 7€.

LUSA

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Greve dos técnicos de emergência encerra ambulâncias em todo o país https://saudeonline.pt/greve-dos-tecnicos-de-emergencia-encerra-ambulancias-em-todo-o-pais/ https://saudeonline.pt/greve-dos-tecnicos-de-emergencia-encerra-ambulancias-em-todo-o-pais/#respond Mon, 17 Apr 2023 08:44:31 +0000 https://saudeonline.pt/?p=142814 O presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar explica que o que desencadeou a greve foi o “desrespeito continuo e grave dos direitos laborais dos técnicos”, contando que têm sido retiradas horas de trabalho mensalmente “de forma ilegal”.

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Os efeitos da greve dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (TEPH) estão a fazer-se sentir por todo o país, com ambulâncias paradas na Área Metropolitana do Porto, Lisboa, Viseu, Coimbra e Algarve, segundo o sindicato.

Em declarações à Lusa num primeiro balanço da greve ao trabalho extraordinário que hoje começou, o presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), Rui Lázaro, contou que algumas ambulâncias encerraram à meia-noite e, passado o turno que deveria ter começado às 08:00, permanecem encerradas.

“E assim permanecerão o resto do dia”, acrescentou o responsável, que disse que esta situação espelha o descontentamento dos TEPH, que desta forma querem “passar uma mensagem clara ao INEM e ao Governo de que pretendem ver as suas reivindicações satisfeitas”.

O sindicalista explicou que o que desencadeou a greve às horas extra que se iniciou hoje, por tempo indeterminado, foi o “desrespeito continuo e grave dos direitos laborais dos TEPH”, contando que têm sido retiradas horas de trabalho mensalmente “de forma ilegal”.

“São subtraídas horas de trabalho aos técnicos de forma ilegal mensalmente. Um técnico cumpre o seu horário normal de trabalho, faz ainda trabalho extraordinário para depois, no mês seguinte, o INEM lhe dizer que afinal ficou a dever horas”, contou Rui Lázaro, dando como exemplo o facto de serem descontadas horas, por exemplo, a um estudante-trabalhador quando este falta para ir fazer um exame, uma ausência “perfeitamente justificada”.

Materializando as “fracas condições” e “a forma como o INEM trata os seus trabalhadores”, Rui Lázaro contou que, só este mês, mais de 40 técnicos saíram do instituto.

“No dia 01 de abril, 26 técnicos passaram do INEM para Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, com um ordenado por vezes inferior ao que auferem no INEM, mas fogem destas condições”, acrescentou.

Sobre a revisão da carreira, outra das reivindicações, disse que os contactos com a tutela, “apesar de [serem] poucos, têm acontecido” e que a expectativa do sindicato é que “a muito curto prazo” seja dado início ao processo negocial.

“Isto é nosso grito de revolta, para que a tutela olhe para nós, resolva os nossos problemas, mude o rumo que o INEM tem levado, de forma a que os técnicos possam querer ficar a trabalhar no INEM e também para que os concursos, que entretanto têm sido abertos e têm ficado vazios, possam ser preenchidos”, insistiu.

A paralisação vai decorrer por tempo indeterminado e, tendo em conta que é apenas às horas extraordinárias, não há lugar a serviços mínimos, mas, segundo o sindicato, os técnicos garantirão a operacionalidade dos meios do INEM em caso de catástrofe ou numa situação excecional.

 

LUSA

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Entrevista. “O rastreio ao consumo nocivo de álcool deve ser generalizado” https://saudeonline.pt/entrevista-o-rastreio-ao-consumo-nocivo-de-alcool-deve-ser-generalizado/ https://saudeonline.pt/entrevista-o-rastreio-ao-consumo-nocivo-de-alcool-deve-ser-generalizado/#respond Fri, 14 Apr 2023 09:37:16 +0000 https://saudeonline.pt/?p=142715 “Álcool: Teoria e Clínica” é a mais recente obra sobre dependência de álcool, um problema de saúde que é, muitas vezes, normalizado pela sociedade. Joana Teixeira, psiquiatra e presidente da Sociedade Portuguesa de Alcoologia, é uma das autoras. Em entrevista, alerta para a importância do rastreio e para as diferentes manifestações clínicas da doença.

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Como surgiu a ideia deste livro?

Havia a necessidade de existir um livro de Língua Portuguesa que abordasse esta temática de um ponto de vista científico. A última, em português, data de 2002. Reunimos assim um conjunto de profissionais com experiência nesta área e que podem ajudar quem quiser aprofundar conhecimentos sobre consumo nocivo de álcool como médicos de família, psiquiatras, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, entre outros. Ao todo são 14 capítulos e 31 autores.

“As apresentações clínicas diferem bastante, porque há alcoolismo primário, secundário, doentes que bebem todos os dias, outros apenas ocasionalmente mas que têm um beber patológico”

O alcoolismo é um problema de saúde muito complexo. Quais os principais desafios na abordagem clínica?

São imensos! A doença em si é complexa, sendo multifatorial na sua origem. As apresentações clínicas diferem bastante, porque há alcoolismo primário, secundário, doentes que bebem todos os dias, outros apenas ocasionalmente mas que têm um beber patológico, não conseguindo parar. Não têm controlo sobre os consumos. Além disso, na nossa cultura normaliza-se o consumo quando o mesmo já é patológico. Às vezes, é muito difícil obter-se um diagnóstico, porque as pessoas nem sempre se queixam deste problema. Menos de 10% dos doentes com dependência do álcool pedem tratamento, ou seja, 90% não procuram ajuda. É uma doença complexa do ponto de vista etiológico e de diagnóstico e nem sempre se aposta no rastreio.

 

Qual é a incidência?

Há 5% de pessoas com dependência de álcool em Portugal. Para uma população de dez milhões, é um valor significativo.

“No caso das mulheres, o estigma desta doença é maior, porque o consumo de álcool é visto como algo mais normativo entre os homens. Bebem muitas vezes às escondidas…”

Qual o perfil do doente?

Em 80% dos casos são do sexo masculino e 20% do sexo feminino. No caso das mulheres, o estigma desta doença é maior, porque o consumo de álcool é visto como algo mais normativo entre os homens. Bebem muitas vezes às escondidas, negam este problema mais frequentemente e o sintoma mais comum é a depressão. O médico deve estar de sobreaviso e fazer o rastreio, porque, lembro, a sintomatologia e os tipos de consumo são muito variados. No caso dos homens costuma verificar-se uma predisposição genética e ambiental; nas mulheres, o mais comum é surgir em quadros depressivos.

 

Nos cuidados de saúde primários, que papel tem o médico de família?

Os médicos de família devem estar de sobreaviso e fazer o rastreio. Quando detetam consumos devem categorizá-los, para perceber se são patológicos. O rastreio ao consumo nocivo de álcool deve ser generalizado. Obviamente, nem sempre é fácil face à sobrecarga de trabalho, mas é preciso fazê-lo. Outra questão: a própria doença em si pode levar a pessoa à negação, por isso pode ser necessário comparar informações com os familiares. O médico de família tem um papel fundamental no diagnóstico da dependência do álcool, porque tem um contacto generalizado e aprofundado com o doente e a família e consegue assim conjugar as informações e ter melhor noção do que realmente se passa. Os psiquiatras também devem estar atentos, nomeadamente no caso da mulher com depressão.

 

Também temos os grupos mais vulneráveis, como os imigrantes..

Sem dúvida! Regra geral, são pessoas socialmente carenciadas, que vivem inclusive na rua, ou então têm uma boa capacidade económica e que consomem sobretudo em contexto de binge drinking. Alguns vão mesmo para a urgência em situação crítica.

“Os jovens são o grupo-alvo de eleição para campanhas, porque alguns consomem álcool de forma excessiva com apenas 13 anos”

Não deveria haver mais campanhas como acontece com o tabagismo?

Os jovens são o grupo-alvo de eleição para campanhas, porque alguns consomem álcool de forma excessiva com apenas 13 anos. Nessa idade, o cérebro do jovem não está totalmente desenvolvido e a maturação cerebral ainda está em curso. O álcool é muito tóxico e limita a capacidade de desenvolvimento dos jovens. A restante população também deve ser alvo de campanhas, contudo nem sempre é fácil.

 

A farmacologia e o apoio psicológico é importante, mas é preciso também haver sempre vontade da parte do doente?

É fundamental a pessoa querer mudar…Convém estar motivada, mas, obviamente, não é por não estar que não iremos fazer a intervenção com a pessoa, tentando motivá-la para o início do tratamento.

SO

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Sindicato defende que medidas para fixar jovens médicos devem ser generalizadas https://saudeonline.pt/sindicato-defende-que-medidas-para-fixar-jovens-medicos-devem-ser-generalizadas/ https://saudeonline.pt/sindicato-defende-que-medidas-para-fixar-jovens-medicos-devem-ser-generalizadas/#respond Fri, 14 Apr 2023 09:19:18 +0000 https://saudeonline.pt/?p=142711 O sindicato defende que é preciso "criar condições a todos os médicos do Serviço Nacional de Saúde, melhorar as suas condições de trabalho e melhorar as condições de remuneração para deixarem de sair do SNS”.

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O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) defendeu hoje que as medidas anunciadas pelo ministro da Saúde para fixar jovens médicos de família deveriam ser generalizadas e que, para a questão de fundo, não está a ser encontrada solução.

“A questão de fundo é criar condições a todos os médicos do Serviço Nacional de Saúde [SNS], (…) melhorar as suas condições de trabalho, melhorar as condições de remuneração para deixarem de sair do SNS”, disse à Lusa o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha.

O responsável falava a propósito das medidas anunciadas hoje, numa entrevista ao jornal Público, pelo ministro da Saúde, na qual Manuel Pizarro avança com a abertura de mais de 900 vagas para médicos de família e com algumas inovações para os atrair e fixar no SNS, entre as quais uma remuneração majorada em 40% nalguns casos e um modelo que envolve um compromisso de mobilidade por parte dos jovens profissionais.

O SIM insistiu que estas medidas devem ser generalizadas a todos os médicos e afirma que “não faz sentido que se continue a persistir numa situação onde se incentiva alguns jovens médicos a irem para determinados locais trabalhar quando há décadas esse trabalho é garantido pelos médicos que lá estão”.

“Nas experiências anteriores, isso tem dado mau resultado”, lembrou Roque da Cunha, insistindo que “o diabo está nos detalhes”.

“Temos de ver (…) que tipo de apoio é que os esses médicos irão ter. Não basta irem médicos, é preciso que existam enfermeiros. Portanto, mais uma vez, em vez de proclamar anúncios, era importante que se concretizassem propostas”, afirmou.

Roque da Cunha recordou que no processo negocial, entre os sindicatos e o Ministério da Saúde, “alguns destes aspetos estão em desenvolvimento”, mas insistiu: “Como se costuma dizer, o diabo está nos detalhes e, muitas vezes, com este afã de anúncio, perde-se em termos de eficácia”.

“As experiências que ocorreram no passado deram mau resultado. Imagine o que é um jovem especialista ir para um determinado local ganhar cerca de 40% mais que o colega que lá está. Não faz sentido”, afirma o secretário-geral do SIM, sublinhando a necessidade de “preparar uma situação global”.

Admitiu também que há soluções que “até podem ter pernas para andar”, nomeadamente a questão do compromisso para que um grupo de médicos vá para determinado local, “com determinados apoios”, para responder a utentes sem médico, mas insistiu que, sem uma nova grelha salarial e melhoria das condições de trabalho, “os médicos vão continuar a sair do SNS”.

“Não adianta abrir 900 vagas quando nós sabemos que só cerca de 600 médicos é que concluíram e, desses, ou 400 é que irão concorrer a este concurso”, acrescenta.

LUSA

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