Plano Estratégico de Saúde - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/especial/plano-estrategico-de-saude/ Notícias sobre saúde Mon, 08 Jul 2024 11:16:55 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Plano Estratégico de Saúde - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/especial/plano-estrategico-de-saude/ 32 32 Medicina de Urgência não pretende afastar outras especialidades, diz médica https://saudeonline.pt/medicina-de-urgencia-nao-pretende-afastar-outras-especialidades-diz-medica/ https://saudeonline.pt/medicina-de-urgencia-nao-pretende-afastar-outras-especialidades-diz-medica/#respond Mon, 08 Jul 2024 10:39:25 +0000 https://saudeonline.pt/?p=160982 Adelina Pereira, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina de Urgência e Emergência, quer desmistificar algumas ideias associadas aos urgencistas, como o possível afastamento de outras especialidades. Em relação às críticas dos internistas, a também internista, diz que a própria Medicina Interna vai beneficiar com esta mudança.

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Medicina de Urgência

“Esta medida é estruturante e vital para os serviços de urgência e vai permitir mais qualidade e melhor organização.” Foi desta forma que Adelina Pereira reagiu ao anúncio do Governo que vai avançar com a criação da especialidade de Medicina de Urgência.

Esta é uma das medidas que consta do Plano de Emergência de Saúde e vai ao encontro dos desejos de quem defende este caminho para que se evite fechos de serviços por falta de recursos humanos. “A urgência é um puzzle grande, há muitos intervenientes e peças. Os serviços de urgência são os únicos serviços de ação médica, em Portugal, que não têm equipas médicas com especialização.”

Adelina Pereira considera que “não faz qualquer sentido” que se permita, em Portugal, trabalhar sem especialidade, vendo nisso uma das razões para que se contratem mais ‘tarefeiros’ e para que haja menos jovens a optarem por uma dada diferenciação. “Com esta medida vai ser possível ter equipas que se vão organizar por escalas, evitando os fechos e as transferências entre unidades de tantos doentes, por não haver recursos.”

Continuando: “Com a especialidade, além de uma melhor organização, também se otimizam os cuidados aos doentes; e, no caso dos médicos, consegue-se mais facilmente fixar as pessoas nos serviços, porque veem reconhecido o seu trabalho e podem ter uma carreira.”

Questionada sobre o que pensa da reação do presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), de que “o problema da urgência está no antes e no pós”, responde: “E no durante…”

E explica porquê: “É preciso fazer uma boa avaliação do doente, dar-lhe alta precoce quando é preciso, diminuir o número de meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT), para que os tempos de atendimento sejam menores… Sem especialização, os médicos mais jovens e menos diferenciados acabam por pedir mais MCDT, porque têm mais dúvidas.”

“É, assim, importante que haja quem, na primeira linha, saiba fazer a triagem e esse trabalho deve ficar a cargo do urgencista”, reitera.

Uma visão que vai contra o que defende a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), ou seja, o internista é aquele que tem uma visão holística, pelas suas competências, o que permite uma gestão integrada dos doentes, sobretudo daqueles com multipatologia.

A este pressuposto, Adelina Pereira afirma: “Também, eu, sou internista. Concordo com a questão da visão holística, mas a triagem deve ser feita por urgencistas.”

E, na sequência desta questão, aproveita para alertar para o que diz ser um dos “principais mitos” associados à criação da Medicina de Urgência. “Não queremos tirar ninguém das urgências; e a Medicina Interna continuará a ter um papel crucial, sobretudo nos doentes do foro médico.”

Contudo, acrescenta, “o principal discriminador da Triagem de Manchester é “Alteração dos membros” e esses utentes não são encaminhados para a Medicina Interna.” A médica diz, ainda, que muitos casos que dão entrada são do foro cirúrgico. “As diferentes especialidades vão manter-se na urgência, não se vai ficar somente com urgencistas; vamos trabalhar em equipa”, reforça.

Como internista, a responsável considera que a medida vai ser, inclusive, mais benéfica para os internistas,  na medida que terão de dedicar menos tempo a este serviço. “Atualmente, os internistas despendem muitas horas na urgência. Em 40 h semanais, se 24h são para o turno de urgência, quanto tempo sobra para outras atividades como consulta ou internamento? Poucas.”

Na sua opinião, a Medicina Interna vai, inclusive, ter o benefício de poder dedicar mais tempo às diferentes áreas em que se tem subespecializado, tais como Cuidados Paliativos, Hospitalização Domiciliária, Diabetologia, entre outras.

Apesar da boa notícia que recebeu ao ler o Plano de Emergência de Saúde, Adelina Pereira ainda tem de esperar para ver se é desta que vê a criação da especialidade de Medicina de Urgência, já que a decisão tem de ser aceite no âmbito das competências da Ordem dos Médicos. Recorde-se que a mesma foi reprovada em dezembro passado, após oposição do Colégio da Especialidade de Medicina Interna. Apesar disso, a médica diz que já é “muito positivo” que haja mais defensores da Medicina de Urgência.

MJG

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Medicina Interna

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médicos de família

“É preciso aguardar para ver como serão operacionalizadas as medidas anunciadas pelo Governo, pois os recursos humanos, especialmente os médicos de família, estão esgotados ou quase no limite.” As palavras são de Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), em reação à proposta do Governo de criar Centros de Atendimento Clínicos para os doentes menos urgentes.

A medida, que consta do “Plano de Emergência e Transformação na Saúde: cuidados a tempo e horas, acessíveis a todos”, contempla a possibilidade de recorrer aos setores privado e social em complementaridade. No entanto, Nuno Jacinto, em declarações ao SaúdeOnline, afirma que esta resposta não está disponível em todo o país. “Em alguns locais, especialmente no interior e em áreas mais isoladas, não há médicos de família suficientes e nem sequer existe o setor privado e social para ajudar essas populações”, enfatiza.

O médico de família realça que a prioridade dada a crianças, grávidas, idosos e doentes crónicos só não acontece, atualmente, por “não haver recursos humanos suficientes”. E é precisamente por causa desta conjuntura que prefere aguardar para ver como é que a Tutela pretende operacionalizar as 54 medidas anunciadas, que incluem os Centros de Atendimento Clínico e a existência de uma “bolsa de médicos de família”, contratados para fazerem apenas algumas horas.

Outra proposta do atual Governo é a abertura de 900 vagas para médicos de Medicina Geral e Familiar, 40% a mais do que o número de recém-especialistas disponíveis. A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, justifica a decisão por querer dar a oportunidade de os novos médicos poderem escolher as zonas onde querem ficar. Além disso, disse a responsável, “estas vagas podem atrair médicos que saíram do país ou que foram trabalhar para o sistema privado”. Há ainda a acrescentar a criação de cinco unidades de saúde familiar (USF) modelo C.

Apesar de ainda aguardar mais informações concretas sobre a forma como o plano vai avançar no terreno, Nuno Jacinto considera que, para já, “não existe uma aposta em cativar mais profissionais de saúde para o SNS”. Já a propósito do objetivo delineado no plano de retirar pressão dos serviços de urgência, o presidente da APMGF sublinhou que o mesmo será mais rapidamente alcançado se a tutela der condições adequadas de trabalho e organização à MGF e aos CSP: “é o médico de família que sabe gerir melhor, no contexto dos CSP, as situações de doença aguda e que sabe orientar o doente para a urgência – quando o deve fazer –, que sabe quando tem de pedir exames e que apenas os pede quando são necessários.”

Continuando: “ No plano refere-se que é preciso diminuir nas urgências o recurso a colegas sem especialidade, porque a qualidade do atendimento e a capacidade de gerir estas situações nos serviços de urgência é melhor por parte de quem tem formação específica. Por que motivo nos CSP não deve valer o mesmo princípio? Por que resiste esta ideia de que podemos substituir o médico de família por outro profissional qualquer?”, questiona.

MJG

 

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cheques-psicólogo

A contratação de 300 psicólogos para os cuidados de saúde primários (CSP) foi anunciada pela Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, aquando da apresentação do Plano de Emergência da Saúde. Para Francisco Miranda Rodrigues, bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), a medida é “positiva”, mesmo que não seja uma novidade. “Há alguns anos que pedimos a contratação de mais profissionais para os CSP.” Cem farão parte do Serviço Nacional de Saúde (SNS) já este ano, segundo o responsável. “Existe esse compromisso e, se for cumprido, é um momento histórico.”

O bastonário, que vai no segundo mandato à frente da OPP, diz que, desde o primeiro momento pugnou pela integração destes profissionais no SNS, nomeadamente para darem resposta aos casos menos graves. “Quando iniciei funções na OPP, a primeira proposta que apresentei ao Ministério da Saúde foi um programa para prevenir a depressão e que assentava nesta premissa de proximidade.”

E, garante, que há um número suficiente de especialistas para assumir estas tarefas, existindo, em Portugal, num universo de cerca de 28 mil psicólogos, cinco mil especialistas em Psicologia Clínica e da Saúde.  No SNS são 1100 psicólogos,  300 nos CSP.

Ao nível dos CSP, prevê-se ainda a criação de equipas comunitárias de Saúde Mental e a disponibilização de programas de intervenção na ansiedade e na depressão. “São as perturbações mentais com maior prevalência e que, nos casos menos graves, podem ser acompanhados nos centros de saúde.” Questionado se esta medida vai permitir diminuir o uso (e possível abuso) de antidepressivos e ansiolíticos, Francisco Miranda Rodrigues acredita que esse poderá ser, de facto, um dos outcomes. “Os psicofármacos podem ser necessários, mas, de acordo com a evidência científica, mesmo nesses casos, é importante uma intervenção do foro psicológico.”

Continuando: “Por vezes, a sua prescrição deve-se, essencialmente, ao facto de não haver outra resposta, por falta de psicólogos. Com este apoio, mesmo que os fármacos sejam necessários numa fase mais aguda, não se vai prolongar o seu uso, a não ser quando necessário.” Quanto ao modelo a adotar, o bastonário fala do denominado Stepped Care, implementado noutros países. E deixa um alerta. “Para que haja efetividade na sua aplicação, é preciso adaptá-lo às necessidades locais, acautelando as devidas competências e qualificações dos profissionais de saúde.”

Relativamente ao acesso à Psicologia nos CSP, a porta de entrada é a o médico de família. Um requisito que pode ser um obstáculo para quem não tem médico assistente, mas, segundo o responsável, face à atual conjuntura, é o mais adequado. “Há poucos psicólogos e, se não houver uma triagem, vai-se acabar por paralisar o sistema; atualmente, esperam-se entre 6 meses e 2 anos – há casos de 3 anos – pela primeira consulta…”

Todavia, acrescenta, hoje em dia, é possível referenciar alguns casos para o psicólogo, mesmo não passando pelo médico de família. Isso é comum em casos mais agudos, que são diagnosticados na urgência ou na linha de aconselhamento psicológico do SNS24.

Além destas medidas, o Plano de Emergência da Saúde inclui, ainda, a requalificação das urgências psiquiátricas em termos de instalações e equipamentos, um programa estruturado direcionado às forças de segurança e, nos Serviços Locais de Saúde, pretende-se garantir a capacidade de internamento para situações agudas.

Já a nível regional, serão criados serviços de saúde mental regionais para internamento de doentes de elevada complexidade e, num horizonte de tempo mais alargado, está previsto a construção de mais dois serviços forenses, um em Coimbra e outro em Lisboa, e, em paralelo, a generalização dos Centros de Responsabilidade Integrada em todos os Serviços Locais de Saúde Mental.

MJG

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Cirurgia oncológica

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