Especial Dia Mundial do Sono 2022 - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/especial/especial-dia-mundial-do-sono-2022/ Notícias sobre saúde Tue, 19 Apr 2022 15:29:28 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Especial Dia Mundial do Sono 2022 - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/especial/especial-dia-mundial-do-sono-2022/ 32 32 Apneia do sono “contribui decisivamente para a principal causa de morte em Portugal: a doença cardio e cerebrovascular” https://saudeonline.pt/apneia-do-sono-contribui-decisivamente-para-a-principal-causa-de-morte-em-portugal-a-doenca-cardio-e-cerebrovascular/ https://saudeonline.pt/apneia-do-sono-contribui-decisivamente-para-a-principal-causa-de-morte-em-portugal-a-doenca-cardio-e-cerebrovascular/#respond Fri, 18 Mar 2022 13:02:26 +0000 https://saudeonline.pt/?p=129767 Em entrevista ao SaúdeOnline, o pneumologista, coordenador do Centro de Medicina do Sono do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e presidente da Associação Portuguesa de Sono descreve o impacto dos distúrbios do sono na qualidade de vida dos portugueses.

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apneia

O que é um sono de qualidade?

Por sono de qualidade entende-se um sono que tem uma duração suficiente, com ciclos contínuos e sem interrupção, e profundo o suficiente para ser reparador.

Recomenda-se que entre os 18 e os 65 anos se durma entre sete a nove horas. A duração de sono varia ao longo da vida: crianças e adolescentes precisam de dormir mais horas, mas existe uma grande variabilidade individual. A sesta até aos cinco anos é necessária para a maioria das crianças.

No que respeita aos ciclos, sabemos que o nosso sono está estruturado em ciclos com a duração de 90 minutos. Em cada ciclo atravessamos de forma sequencial as diferentes fases de sono: sono ligeiro (N1), intermédio (N2), profundo (N3) e sono REM (rapid eye movement), associada á maioria dos sonhos. O sono REM é fundamental para a aprendizagem, consolidação de memórias e equilíbrio emocional.

Qual o “retrato” atual do sono dos portugueses?

A maioria dos portugueses dorme menos do que seis horas, de acordo com os diversos estudos que têm sido realizados nas duas últimas décadas.

A pandemia teve impacto neste domínio? De que forma?

Para mais de metade das pessoas que participaram num estudo realizado pela Associação Portuguesa do Sono, em conjunto com o — Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da Universidade de Coimbra, o sono pio­rou durante a pandemia (46,6%). Para um pouco mais de um terço (38,5%) não houve alterações e cerca de 15% afirmaram que o seu sono melhorou (14,9%).

Quais as queixas que devem motivar a procura de cuidados médicos?

Insatisfação com a qualidade de sono sob a forma de insónia inicial ou de manutenção. Ressonar, ocorrência de apneias, nitúria, movimentos anormais do corpo ou dos membros. Ao acordar, noção de sono não reparador, cefaleias. Sonolência diurna. Alterações cognitivas com a perda de memoria, falta de foco, dificuldade em tomar decisões, irritabilidade. Movimentos involuntários das pernas são sintomas frequentes em diversas doenças do sono, que frequentemente cursam em conjunto como o caso da insónia, da síndrome de apneia do sono (SAS) e da síndrome de pernas inquietas, para citar as mais frequentes (ver caixa).

Que consequências pessoais/profissionais/sociais advém de um mau sono?

A SAS está associada a doença cardíaca e cerebrovascular, sendo que a maioria dos doentes com SAS tem hipertensão arterial (HTA). A evidência unindo estas duas entidades é tão forte que a SAS foi assumida como a primeira causa identificável e tratável de HTA.

A incapacidade resultante da sonolência diurna excessiva (SDE), em paralelo com o ressonar, a disfunção eréctil e as comorbilidades cardiovasculares presentes na doença fomentam a desintegração social e familiar, sendo a depressão comum.

Os indivíduos com SAS têm maior risco de desenvolver arritmias e doença coronária. A SAS relaciona-se, ainda, com o desenvolvimento da diabetes mellitus e o desencadeamento de acidentes vasculares cerebrais (AVC).

Em suma, a SAS contribui decisivamente para a principal causa de mortalidade em Portugal: a doença cardio e cerebrovascular. Como já se disse, a SDE é uma das manifestações cardinais da doença. Tem impacto na mortalidade e condiciona o desempenho profissional. A SAS tem, por isso, custos indiretos em saúde elevados.

No que respeita, concretamente, à síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS), qual a prevalência em Portugal?

Precisamos de um grande estudo epidemiológico em Portugal. Para já, tudo indica que temos valores semelhantes aos europeus (Heinzer, HypnoLaus 2015), quiçá um pouco mais elevados devido a maior prevalência de obesidade em Portugal.

Há forma de prevenir esta patologia?

Prevenir a obesidade e tratar as deformações maxilo faciais. A identificação precoce é fundamental. O nosso centro colabora com o Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra na identificação de marcadores biológicos da doença.

Quais os tratamentos atualmente disponíveis?

Em Portugal, os geradores de pressão positiva contínua (CPAP) e os dispositivos de avanço mandibular (DAM) são os mais usados. A cirurgia ORL é fundamental como abordagem coadjuvante em todos os doentes e podes ser curativa em formas ligeiras.

Qual o impacto destes tratamentos na qualidade de vida do doente e que resultados são mais valorizados?

É difícil encontrar, em toda a Medicina, um tratamento que proporcione uma melhoria de qualidade de vida, de satisfação e reconhecimento que o CPAP, DAM e cirurgia bem conduzidas. “A minha vida mudou” é a expressão mais comum por parte dos doentes.

Em Portugal e de acordo com um estudo conduzido pela VitalAire, os doentes dão particular importância ao ressonar e à doença cardiovascular.

Há novidades terapêuticas na calha, no contexto da SAOS e de outros distúrbios do sono?

Consultando a PubMed, verificamos que o sono é uma das áreas científicas que tem maior investigação e desenvolvimento. A resposta a esta pergunta fica para uma próxima entrevista…

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Síndrome das pernas Inquietas

O Síndrome das Pernas Inquietas atinge 5 a 15% dos adultos e caracteriza-se pela vontade irresistível de movimentar as pernas. Surge habitualmente ao final do dia, em períodos de inatividade, e prolonga-se noite dentro, provocando grande desconforto pode estar associado a outras patologias do sono, doenças renais, neurológicas, hipertensão arterial enfarte miocárdio. A privação de ferro é particularmente importante, admitindo-se cada vez mais que a alteração do seu metabolismo tem um papel central na génese da doença.

 

Perturbação de Insónia Crónica

Atinge cerca de 9% de população. Define-se pela dificuldade em adormecer em 30 minutos, 3 vezes por semana durante mais de 3 (regra dos 3) Um problema sério pelas suas consequências: fadiga, cansaço, sonolência diurna, perda de concentração e memória, irritabilidade, ansiedade, mas também pela forma gravíssima como a comunidade médica aborda farmacologicamente o problema com o uso excessivo de benzodiazepinas, o que é inadequado e perpetuante da própria insónia. As benzodiazepinas provocam dependência, alterações cognitivas, demência precoce.

Sabe-se hoje que a insónia tem uma base biológica, quando não tratada aumenta o risco de hipertensão arterial (HTA), doença coronária e metabólica.

Síndrome de Apneia do Sono (SAS)

De acordo com o último grande estudo europeu (Heinzer, HypnoLaus 2015), 49,7 % dos homens e 23,4 % das mulheres têm, ou virão a ter no futuro, SAS moderado a grave. A prevalência aumenta com a idade. A SAS é, na maioria dos casos uma doença do envelhecimento.

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“Com o aumento da obesidade, é expetável que os números da SAOS continuem a subir” https://saudeonline.pt/com-o-aumento-da-obesidade-e-expetavel-que-os-numeros-da-saos-continuem-a-subir/ Fri, 18 Mar 2022 12:55:12 +0000 https://saudeonline.pt/?p=129765 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> “Com o aumento da obesidade, é expetável que os números da SAOS continuem a subir” aparece primeiro em Saúde Online.

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Luís Galvão. “A melhoria mais visível com CPAP foi deixar de sentir sono durante o dia” https://saudeonline.pt/luis-galvao-a-melhoria-mais-visivel-com-cpap-foi-deixar-de-sentir-sono-durante-o-dia/ https://saudeonline.pt/luis-galvao-a-melhoria-mais-visivel-com-cpap-foi-deixar-de-sentir-sono-durante-o-dia/#respond Fri, 18 Mar 2022 12:50:00 +0000 https://saudeonline.pt/?p=129762 Diagnosticado há cinco anos com síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS), Luís Galvão relata a sua adaptação e as melhorias sentidas com o tratamento por pressão positiva contínua na via aérea (CPAP).

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Depois de várias paragens respiratórias durante o sono – em que “acordava repentinamente e imediatamente me levantava como se tivesse uma mola e ficava durante mais ou menos um minuto a tentar respirar” –, Luís Galvão, um professor na casa dos 50 anos, decidiu procurar ajuda médica para perceber qual seria o seu problema.

Foi assim, passados quase quatro anos dos primeiros sinais e já depois de ver a sintomatologia agravada, que Luís descobriu que sofre de SAOS, um distúrbio do sono do foro respiratório, que se carateriza por uma obstrução ao nível das vias aéreas superiores durante o sono.

Face a este diagnóstico, o tratamento prescrito foi o mais comum para SAOS moderada a grave: o CPAP. Trata-se de um equipamento médico que funciona através do envio de uma pressão positiva contínua para as vias aéreas, por forma a mantê-las abertas e evitar o seu colapso e, por consequência, episódios de apneia, impedindo o encerramento das vias aéreas durante o sono e aumentando a pressão de ar na garganta.

De acordo com o paciente, “a adaptação [ao CPAP] foi muito rápida. Diria que de cerca de uma semana… Usando uma frase cliché, ‘primeiro estranha-se e depois entranha-se’. No início, claro que era uma ‘coisa’ estranha que estava ali na minha cara, acordava algumas vezes durante a noite, mas rapidamente também adormecia, até que acabei por me adaptar e deixei de acordar e dormia descansado toda a noite”.

Questionado sobre quais as principais melhorias que detetou em termos de saúde e qualidade de vida após o início do tratamento com CPAP, Luís Galvão destaca o fator da sonolência diurna excessiva (SDE). “Deixei de sentir tanto sono durante o dia e essa foi a principal melhoria. Antes do CPAP, podia dormir 10h numa noite, mas depois durante o dia andava tipo ‘zombie’, cheio de sono. Conduzir era um problema, principalmente em viagens mais longas… Cheguei a apanhar alguns sustos!”.

A par da melhoria com este tratamento, o paciente destaca as mudanças ao nível das rotinas, como uma alteração positiva na sua vida. “Tive que me habituar diariamente a ter os cuidados com a máquina, cuidar da máscara todos os dias e do recipiente da água e o facto de andar sem cansaço e de me sentir muito bem. Tudo isso acaba por ser uma boa alteração na minha vida”, conclui.

SO

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