Especial - Dia Mundial da DPOC 2022 - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/especial/especial-dia-mundial-da-dpoc-2022/ Notícias sobre saúde Thu, 17 Nov 2022 15:23:42 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Especial - Dia Mundial da DPOC 2022 - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/especial/especial-dia-mundial-da-dpoc-2022/ 32 32 Falta de espirometrias compromete o diagnóstico precoce da DPOC https://saudeonline.pt/falta-de-espirometrias-compromete-o-diagnostico-precoce-da-dpoc/ https://saudeonline.pt/falta-de-espirometrias-compromete-o-diagnostico-precoce-da-dpoc/#respond Wed, 16 Nov 2022 11:25:59 +0000 https://saudeonline.pt/?p=137575 As espirometrias são “fundamentais para o diagnóstico precoce da DPOC”, prevenindo a perda de função respiratória dos doentes. No entanto, este exame não está acessível à maior parte dos ex e atuais fumadores por falta de capacidade do SNS, sublinha o pneumologista José Alves, presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão.

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doenças respiratórias

Qual o impacto da DPOC na saúde pública em Portugal, no que diz respeito à prevalência ou à mortalidade causada por esta doença?

A DPOC é uma das causas principais de morbilidade e mortalidade em Portugal e contribui grandemente para as mortes por pneumonias, cancros do pulmão e doenças cardiovasculares. A relação entre DPOC e estas doenças está comprovada. O que há em comum é o fator etiológico: o tabaco. Por cada 100 pessoas com DPOC, 90 fumam ou fumaram. Em cada 100 pessoas que fumam um maço de cigarros por dia, 20 vão acabar por desenvolver DPOC. E em cada 100 pessoas que fumam dois maços de cigarros, 40% vão desenvolver DPOC.

A DPOC é uma doença subdiagnosticada em Portugal?

Há um subdiagnóstico em Portugal. Da totalidade, só temos diagnosticados os doentes mais graves, cerca de 130 mil – que são os que fazem tratamento. No entanto, devem existir cerca de 600 mil doentes com DPOC em Portugal. Esta é uma estimativa, baseada no número de fumadores.

O principal desafio a ultrapassar no diagnóstico é falta de espirometrias?

Sim, para se fazer o diagnóstico deve-se fazer uma espirometria. A única região do país que está minimamente próxima do que é necessário a nível de espirometrias é a região Norte. No Norte, 61% dos doentes com DPOC fizeram espirometrias. Em outras regiões, esta taxa nem sequer atinge os 30%. Isto significa que a maioria dos doentes com DPOC têm um diagnóstico feito pela clínica e não através da espirometria. Nestes casos, a situação já é grave, os doentes já perderam parte da função respiratória e já estão a caminho da insuficiência respiratória e da morte. Para impedir isto, temos de fazer espirometrias a todos os fumadores.

Quais as razões que explicam o baixo número de espirometrias realizadas?

Uma das razões é porque os fumadores não querem fazer o exame. Porque se fizeram, vão chegar à conclusão de que estão doentes. Serão aconselhados a deixar de fumar e não lhes apetece. Uma segunda razão é que é difícil fazer uma espirometria: o aparelho é complicado, é preciso um técnico também.

Portanto, neste momento, os centros de saúde não estão preparados para realizarem espirometrias?

A maior parte não faz espirometrias porque não tem especialistas. A realização de espirometrias nos centros de saúde é o busílis do plano nacional de espirometrias da Direção Geral de Saúde, que generaliza a execução das espirometrias a todos os centros de saúde e implica que os especialistas vão verificar se as espirometrias estão bem feitas. Para uma espirometria ser validada, é preciso um técnico para o fazer e um especialista para a validar.

A Fundação Portuguesa do Pulmão conseguiu fazer, em três meses, cerca de 1500 espirometrias em todos os distritos nacionais. Fizemos os rastreios em juntas de freguesia, onde estava um cardiopneumologista com um aparelho. O resultado foi enviado para os especialistas da FPP, e depois de validado, foi enviado para o doente. Provámos, assim, que as telespirometrias são possíveis e que não é preciso os doentes irem aos centros de saúde e hospitais para fazer este exame.

Portanto, quando o centro de saúde não tem capacidade para realizar a espirometria, o médico assistente faz o pedido ao hospital. Esse processo é rápido?

Não, é um processo extremamente demorado. Nesse hospital, temos os doentes internados, por exemplo com cancro do pulmão ou outra patologia respiratória, e que têm prioridade. O SNS não tem capacidade de fazer as espirometrias que seriam necessárias fazer. Teríamos de realizar espirometrias a 20% da população e não temos capacidade para fazer dois milhões de espirometrias.

Defende que seria necessário fazer o exame a todos os fumadores e ex-fumadores independentemente da idade?

As opiniões dividem-se. Há especialistas que consideram que só se deve fazer a partir dos 40 anos. No entanto, a maioria, na qual me incluo, acham que se deve fazer a espirometria tão cedo quanto possível não só aos fumadores como também aos não fumadores, porque estes últimos também podem vir a ter uma patologia respiratória. Conhece alguém que não saiba os valores da tensão arterial?

Existe também uma falta de sensibilização dos médicos de família para este exame?

Não sei. Essa é uma das razões teóricas que podemos elencar. No entanto, o mais significativo aqui é mesmo a incapacidade que o sistema de saúde demonstra para realizar espirometrias. Nem as pessoas que têm diagnóstico da DPOC têm a espirometria feita. A execução das espirometrias é fundamental para diagnosticarmos a DPOC em fases precoces.

Como deve ser ultrapassado esse problema?

Aumentando a oferta. E isso pode ser feito através do SNS ou do setor privado. A espirometria é um passo fundamental para conhecermos a saúde respiratória da população portuguesa. É diferente dizer a um fumador que pode vir a ter DPOC ou dizer a um fumador que já tem DPOC. A espirometria entra no diagnóstico dos estadios menos graves de DPOC, prevenindo a perda de função respiratória e diminuindo a prevalência da DPOC grave. Temos também de passar a mensagem de que os fumadores têm de fumar menos – esse é o primeiro tratamento. Quanto mais se fuma, maior é a probabilidade de ter DPOC.

Um dos objetivos da FPP é também intervir a nível da prevenção primária, ou seja, na cessação tabágica.

Sim. A prevenção primária tem de ser abordada nas escolas, o mais cedo possível. Aliás já está a diminuir, de forma consistente, a percentagem de fumadores em Portugal. E temos também de dar formação contínua, dizendo às pessoas para não fumarem.

SO

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Há reformas importantes a fazer no tratamento da DPOC, dizem peritos https://saudeonline.pt/ha-reformas-importantes-a-fazer-no-tratamento-da-dpoc-dizem-peritos/ https://saudeonline.pt/ha-reformas-importantes-a-fazer-no-tratamento-da-dpoc-dizem-peritos/#respond Wed, 16 Nov 2022 07:54:55 +0000 https://saudeonline.pt/?p=137585 Um estudo identificou os principais constrangimentos no percurso do doente com DPOC nos cuidados de saúde e as reformas necessárias para melhorar o acesso, diagnóstico, referenciação e tratamento.

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Peritos inquiridos num estudo sobre a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) consideram que ainda existem “reformas importantes” a fazer para melhorar o acesso, diagnóstico, referenciação e tratamento destes doentes, entre as quais melhorar o acesso à espirometria.

Divulgado na véspera do Dia Mundial da DPOC, o estudo de consenso entre peritos da Escola Nacional de Saúde Pública visou identificar os principais constrangimentos no percurso do doente com DPOC nos cuidados de saúde e as principais barreiras à identificação e gestão do risco de exacerbações no acompanhamento do doente nos cuidados de saúde.

Apesar de considerarem que existe “uma rede de cuidados de saúde sólida de acompanhamento das pessoas com DPOC”, os peritos (médicos, enfermeiros, gestores de saúde, decisores políticos, especialistas em saúde pública e em promoção da saúde e associações de doentes) defendem um investimento na saúde respiratória, que passa pela aposta na formação e na literacia dos profissionais de saúde e na autocapacitação do doente.

Para o coordenador da Comissão de Fisiopatologia Respiratória e DPOC da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, Nuno Cortesão, é preciso “um esforço muito grande de literacia”, que inclui a formação dos doentes, familiares, enfermeiros, técnicos de cardiopneumologia, médicos, pneumologistas, bem como estratégias para prevenir atempadamente as exacerbações da doença.

“Se o doente vai a um serviço de urgência e não sabe que tem DPOC ou não declara que tem DPOC quando lhe é perguntado, dificilmente” o médico reconhece a doença, sobretudo se acontece num hospital onde o paciente não é acompanhado, porque são doentes que têm mais falta de ar, tosse, expetoração, sintomas que podem aparecer noutras doenças.

Mas, vincou, esse reconhecimento é “muito importante” porque cada vez que há uma exacerbação “o risco de mortalidade aumenta”.

“Se nós não investimos na literacia de ambas as partes, quer do doente, quer de quem recebe os doentes, nós vamos continuar com este problema”, insistiu Nuno Cortesão, sublinhando que é um “esforço grande, mas há de ser compensador”.

O especialista alertou também para a necessidade de os doentes realizarem a espirometria (exame que avalia a função respiratória) “em tempo útil”: “É um problema que não está resolvido, mas que é incontornável na melhoria do diagnóstico da doença”.

“Há um esforço nacional para dotar os centros de saúde com espirómetros para dar resposta mais célere a este tipo de necessidades, mas nós precisamos de contar com a totalidade da capacidade instalada no país”, porque, disse, “há de facto muito atraso” na sua realização e é fundamental para ter o diagnóstico.

Para isso, deve envolver-se todos os agentes públicos e privados que possam prestar “um serviço de espirometria de qualidade reconhecido, validado, feito por pessoas tecnicamente competentes e interpretado por médicos” que o saibam fazer.

Para os peritos, também é “extremamente importante” a melhoria da articulação entre os cuidados de saúde primários, os serviços hospitalares, os cuidados domiciliários ou de ambulatório, mais concretamente numa “eficiente integração destes cuidados e a consequente descentralização das competências hospitalares”.

Os peritos também concluíram que houve uma melhoria da acessibilidade aos cuidados de saúde como resultado dos ensinamentos na pandemia.

Atualmente, quase todos os doentes têm um oxímetro em casa, facto que pode ser relevante na monitorização à distância. Por outro lado, todos os intervenientes na prestação de cuidados de saúde passaram a compreender bem o potencial da teleconsulta, que pode funcionar como ótimo instrumento para melhorar a acessibilidade a cuidados médicos.

A DPOC é a causa mais comum de mortalidade entre as doenças respiratórias depois da pneumonia e estima-se que tenha uma prevalência de 14,2% em pessoas com mais de 40 anos, com uma elevada proporção de subdiagnóstico.

LUSA

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Santarém. Telemonitorização dos doentes com DPOC “permite identificar as agudizações e intervir de forma atempada” https://saudeonline.pt/santarem-telemonitorizacao-dos-doentes-com-dpoc-permite-identificar-as-agudizacoes-e-intervir-de-forma-atempada/ Wed, 16 Nov 2022 07:54:08 +0000 https://saudeonline.pt/?p=137571 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Santarém. Telemonitorização dos doentes com DPOC “permite identificar as agudizações e intervir de forma atempada” aparece primeiro em Saúde Online.

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