Especial XIII Congresso Nacional de Patologia Clínica - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/especial-homepage/especial-xiii-congresso-nacional-de-patologia-clinica/ Notícias sobre saúde Wed, 06 Mar 2024 16:11:51 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Especial XIII Congresso Nacional de Patologia Clínica - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/especial-homepage/especial-xiii-congresso-nacional-de-patologia-clinica/ 32 32 “A Patologia Clínica é a Medicina Interna dos meios complementares de diagnóstico” https://saudeonline.pt/a-patologia-clinica-e-a-medicina-interna-dos-meios-complementares-de-diagnostico/ https://saudeonline.pt/a-patologia-clinica-e-a-medicina-interna-dos-meios-complementares-de-diagnostico/#respond Wed, 06 Mar 2024 16:11:51 +0000 https://saudeonline.pt/?p=156039 Helena Brízido é Presidente da Sociedade Portuguesa de Patologia Clínica e, em entrevista ao SaúdeOnline, destaca a relevância de uma especialidade que pode, inclusive, evitar que o doente passe por exames mais invasivos.

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patologia clínica

Quais são os principais desafios da Patologia Clínica atualmente?
O grande desafio passa por evidenciar o papel do médico patologista clínico e a importância da sua integração em equipas multidisciplinares onde, com a sua formação base em medicina e uma especialização em laboratório, desempenha as funções de consultor, orientando e otimizando a prescrição das análises clínicas feitas pelas outras especialidades médicas.

Conseguimos, assim, rentabilizar recursos e reduzir custos, diminuindo substancialmente o número de análises solicitadas e a sujeição do doente a exames mais invasivos de forma desnecessária. Ainda assim, a Patologia Clínica continua a ser uma especialidade médica desconhecida para muitos. Apesar da sua importância, continuamos a lutar pela afirmação da Patologia Clínica junto dos nossos pares e do público em geral.

É uma especialidade transversal. Como avalia a interligação com outras especialidades médicas, nomeadamente dentro de equipas multidisciplinares?
Utilizo, frequentemente, uma frase que define muito bem a transversalidade desta especialidade: a Patologia Clínica é a Medicina Interna dos meios complementares de diagnóstico. A nossa especialidade cobre todas as áreas médicas (Hematologia, Química Clínica, Microbiologia, Imunologia e Genética), pelo que está presente em todos os processos de prevenção, diagnóstico e follow-up de todas as especialidades. O conhecimento específico do médico patologista clínico é crucial na decisão nas diversas fases da prescrição das análises clínicas, pelo que consideramos fundamental a sua integração nas equipas multidisciplinares, aumentando a interligação com as outras especialidades médicas.

“A Patologia Clínica continua a não ser muito atrativa quando chega a hora de escolher a especialidade a seguir… Acredito que essa falta de atratividade esteja mais relacionada com a falta de conhecimento do potencial desta especialidade”

É uma área que implica muita tecnologia. Os patologistas clínicos sentem que no SNS têm as condições mais adequadas, já que a evolução tecnológica implica sempre verbas?
 A importância de acompanhar a evolução tecnológica e adequar a resposta técnico-científica do Laboratório acaba por se sobrepor e justificar o investimento em novas tecnologias, contribuindo para a melhoria qualidade da atividade assistencial. Muitas vezes, no próprio SNS estas novas tecnologias são mais rapidamente implementadas, sem que seja avaliado de forma aprofundada o custo-benefício da medida e a futura melhoria na eficiência.

A especialidade é atrativa para os jovens? Quando se pensa em Medicina existe muito a ideia de que todos querem contactar diretamente com os doentes…
A Patologia Clínica continua a não ser muito atrativa quando chega a hora de escolher a especialidade a seguir… Acredito que essa falta de atratividade esteja mais relacionada com a falta de conhecimento do potencial desta especialidade do que pelo pouco contacto com os doentes. Aliás, esse é mais um dos mitos e desconhecimento em relação à nossa especialidade. Há contacto com os doentes em diversas áreas da Patologia Clínica: durante a realização de exames mais invasivos, como a colheita de medula óssea ou durante as consultas de hipocoagulação, por exemplo. Será importante dinamizar o contacto com a Patologia Clínica durante a formação universitária pré-graduada e a formação geral do Internato Médico, abrangendo as diversas vertentes do nosso trabalho, para assim motivar os colegas para esta escolha.

“Os próximos 3 anos serão desafiantes e fundamentais para consolidar a afirmação da Patologia Clínica no panorama nacional, sendo a assinatura do protocolo de colaboração com a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, o primeiro passo”

No Congresso deste ano vai haver uma sessão sobre “Saúde Mental dos Internos”. Como presidente da SPCC, o que mais a preocupa neste âmbito?
Este tema e preocupação é transversal a todas as especialidades e preocupa-me que, muitas vezes, seja descurado ao longo de uma fase tão difícil e exigente por que todos os médicos especialistas atravessam, o internato da especialidade. Saliento a importância de se assumir a saúde mental como primordial e a importância de se definir estratégias para promover o equilíbrio pessoal-profissional.

Relativamente à atividade da SPCC, o que gostaria de destacar para os próximos tempos?
A SPPC tem como principal objetivo representar e empoderar os médicos patologistas clínicos, pelo que pretendemos continuar a investir na formação contínua, dirigida aos médicos internos e especialistas. Iremos desenvolver, para além do nosso congresso nacional anual, outras atividades. Mantemos o habitual ciclo anual de webinares nas diversas áreas de atuação e teremos, pela primeira vez, um evento dedicado à divulgação e promoção da Patologia Clínica junto dos colegas mais novos, o Patclinopen. Pretendemos atrair os médicos recém-formados a escolher a nossa especialidade ao mesmo tempo que tentaremos aproximarmo-nos dos recém-especialistas, envolvendo-os na dinamização dos nossos grupos de trabalho.

Os próximos 3 anos serão desafiantes e fundamentais para consolidar a afirmação da Patologia Clínica no panorama nacional, sendo a assinatura do protocolo de colaboração com a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, o primeiro passo para reforçar a presença da especialidade junto dos nossos pares. Está igualmente prevista a assinatura de colaborações com sociedades internacionais, nomeadamente a Sociedade Espanhola congénere.

Finalmente, estamos a desenvolver o projeto de elaboração de um Manual de Patologia Clínica com o intuito de auxiliar na prática todos os Patologistas clínicos, através da uniformização de procedimentos e divulgação da informação mais atual do estado da arte nas várias valências da especialidade.

MJG

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Rastreio neonatal CMV com pools de saliva

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Um Congresso que mostra a “rápida evolução” da Patologia Clínica https://saudeonline.pt/um-congresso-que-mostra-a-rapida-evolucao-da-patologia-clinica/ https://saudeonline.pt/um-congresso-que-mostra-a-rapida-evolucao-da-patologia-clinica/#respond Wed, 06 Mar 2024 15:56:22 +0000 https://saudeonline.pt/?p=156044 João Mariano Pego, presidente do XIII Congresso Nacional de Patologia Clínica, fala sobre o evento que decorre entre 7 e 9 de março, em Almancil, no Algarve.

O conteúdo Um Congresso que mostra a “rápida evolução” da Patologia Clínica aparece primeiro em Saúde Online.

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patologia clínica

João Mariano Pego espera que o congresso da Sociedade Portuguesa de Patologia Clínica “sirva para mostrar à sociedade em geral, e à sociedade médica em particular, os desafios e avanços da medicina numa especialidade que está em rápida evolução e que abrange áreas diversificadas”. “Acima de tudo, a Patologia Clínica pretende estar lado a lado com o doente nas várias fases do seu diagnóstico e tratamento”, afirma o responsável em declarações ao SaúdeOnlline.

Segundo o responsável, a área da Patologia Clínica “é uma especialidade transversal a quase todas as outras”. “Sabemos que cerca de 70% dos atos médicos se baseiam em diagnósticos laboratoriais e por isso esta é uma especialidade em rápida evolução que tem uma componente de inovação e tecnologia muito forte.”

E é precisamente os avanços tecnológicos que estarão em destaque no Congresso. O programa inicia-se com cinco cursos pré-congresso, nas áreas de coagulação, autoimunidade, micologia, citometria de fluxo e qualidade, bem como sessões científicas. Os palestrantes, de “reconhecido mérito”, são oriundos de países tão diversos como  Austrália, França, Bélgica, Grécia, Espanha, entre outros.  Além disso, o evento conta com o patrocínio da WASPALM – World Association Of Societies Of Pathology And Laboratory Medicine.

Algumas das temáticas que irão ser abordadas incluem a experiência de um centro de referência em resistências antimicrobianas, o avanço no diagnóstico molecular de doenças infeciosas, testes de sensibilidade a antifúngicos, obesidade e estilo de vida, pré-eclâmpsia, hemorragia em contexto de urgência, entre outros.

Em destaque estará também uma sessão sobre a saúde mental dos internos de formação específica, já que, segundo um estudo recente da Ordem dos Médicos, são precisamente os mais novos aqueles que são mais afetados. A palestra estará a cargo de Miguel Xavier, diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental.

Sendo a Patologia Clínica uma especialidade transversal, é uma área que está “por detrás de quase todos os diagnósticos que são feitos”, além de ter um papel de relevo na monitorização e prognóstico”.

CG/MJG

 

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Rastreio neonatal CMV com pools de saliva https://saudeonline.pt/rastreio-neonatal-cmv-com-pools-de-saliva/ https://saudeonline.pt/rastreio-neonatal-cmv-com-pools-de-saliva/#respond Wed, 06 Mar 2024 15:54:30 +0000 https://saudeonline.pt/?p=156037 “O citomegalovírus (CMV) é a infeção congénita mais frequente em praticamente todo o mundo, nomeadamente nos países mais desenvolvidos”, alerta Paulo Paixão, investigador na Nova Medical School.

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CMV

Sendo da família do vírus herpes, o CMV pode ter consequências mais negativas quando contraído durante a gravidez, levando à progressiva surdez da criança. “Dado que 5-15% dos recém-nascidos assintomáticos desenvolverão sequelas tardias, a implementação de um rastreio universal permitiria a identificação de crianças infetadas e a intervenção precoce”, defende Paulo Paixão.

“O rastreio universal ainda não existe, porque, primeiro, não existe suficiente sensibilização e informação sobre este problema de saúde; segundo, é muito dispendioso”, explica em declarações ao SaúdeOnline.

Nesse sentido, uma equipa da Nova Medical School (NMS) tem colaborado com maternidades para se encontrar uma solução. Primeiramente, como diz, é preciso saber quantas crianças são infetadas. “Antes da pandemia, era do conhecimento de que havia 500 casos por ano, em Portugal. É um número significativo, tendo em conta as consequências negativas do CMV nos primeiros anos.”

Feito esse estudo, o objetivo, segundo o investigador, é avançar com uma técnica menos onerosa e que consiste no uso de pools de saliva de 10 e 20 amostras para deteção de CMV. “Já fizemos este estudo. Foram testadas amostras de saliva negativas, com uma cultura da estirpe AD169 e noutro conjunto de experiências juntaram-se amostras de saliva negativas com amostras de recém-nascidos com infeção congénita confirmada CMV confirmada nas primeiras três semanas de vida”, começa por explicar.

Continuando: “Foram testadas individualmente e após diluição em 10 e 20 pools por um RT-PCR ‘interno’. Ambas as metodologias de pool, amostras de 10 pools e 20 pools, tiveram 100% de sensibilidade e especificidade quando comparadas com amostras individuais.”

Esta metodologia poderia permitir, segundo afirma, “uma redução de custos próxima de 85% e 89%, respetivamente, para a abordagem de 10 grupos e de 20 grupos, quando comparada com o teste de cada amostra individual”.

Paulo Paixão e a sua equipa acreditam que desta forma é possível avançar com um rastreio em maior escala e assim evitar as piores sequelas da infeção por CMV.

MJG

 

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A morfologia convencional ainda é importante no diagnóstico hematológico? https://saudeonline.pt/a-morfologia-convencional-ainda-e-importante-no-diagnostico-hematologico/ https://saudeonline.pt/a-morfologia-convencional-ainda-e-importante-no-diagnostico-hematologico/#respond Wed, 06 Mar 2024 15:46:13 +0000 https://saudeonline.pt/?p=156035 Laboratório de Hematologia, Serviço de Patologia Clínica da ULS Lisboa Ocidental/Centro de Medicina Laboratorial Germano de Sousa

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morfologia convencional

Os dados do hemograma e a citomorfologia do sangue periférico e da medula óssea têm um papel de primordial importância no diagnóstico de muitas doenças hematológicas. Representa a primeira triagem diagnóstica na maioria dos distúrbios hematológicos e pode evitar um grande número de erros e muitos exames diagnósticos desnecessários.

Na era atual, apesar de todos os avanços tecnológicos na análise celular, a morfologia celular do sangue periférico e da medula óssea continua a ser uma pedra angular para o diagnóstico de neoplasias hematológicas, mas deve ser integrada com a clínica, terapêutica, hemograma, imunofenotipagem, genética e histopatologia.

Pode sugerir um diagnóstico urgente, indicar um diagnóstico provável ou fornecer um contexto para interpretação de outros testes. Realça-se também a grande utilidade do exame citomorfológico dos líquidos biológicos para a orientação diagnóstica dos derrames serosos. No entanto, o rendimento esperado da citomorfologia depende muito da competência e experiência do observador, o que pode condicionar o seu poder diagnóstico.

O treino do citomorfologista requer muito tempo e disponibilidade de orientadores, o que nos coloca um grande desafio para o futuro –“Como garantir a qualidade do processo formativo em citomorfologia?”

 

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