Opinião-ENDO - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/endonline/opiniao-endo/ Notícias sobre saúde Mon, 25 May 2026 10:22:31 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Opinião-ENDO - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/endonline/opiniao-endo/ 32 32 Hipoparatiroidismo: uma doença rara, uma hormona em falta e um tratamento complexo https://saudeonline.pt/hipoparatiroidismo-uma-doenca-rara-uma-hormona-em-falta-e-um-tratamento-complexo/ https://saudeonline.pt/hipoparatiroidismo-uma-doenca-rara-uma-hormona-em-falta-e-um-tratamento-complexo/#respond Mon, 01 Jun 2026 08:21:17 +0000 https://saudeonline.pt/?p=187312 Médico endocrinologista

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A 1 de junho assinala-se o Dia Mundial do Hipoparatiroidismo, uma doença endócrina rara, mas com forte impacto na qualidade de vida, mesmo em doentes considerados bem controlados com a terapêutica disponível em Portugal. Conhecer melhor esta doença é também reconhecer o que continua a faltar no seu tratamento e no acompanhamento de quem com ela vive.

 O hipoparatiroidismo é uma doença endócrina rara, ainda pouco conhecida fora do meio médico. Afeta milhares de pessoas em todo o mundo e o seu impacto no quotidiano de quem com ela vive continua, em muitos casos, a ser subestimado, incluindo durante o seguimento médico regular.

Trata-se de uma doença endócrina rara, caracterizada pela produção insuficiente, ou nula, de paratormona (PTH) pelas glândulas paratiroides, quatro estruturas minúsculas, do tamanho de uma lentilha, localizadas no pescoço, atrás da tiroide. A PTH desempenha um papel central na regulação do cálcio e do fósforo no sangue e nos ossos. Quando esta hormona escasseia, o equilíbrio mineral do organismo perde-se, com repercussões em múltiplos órgãos.

No quadro agudo, as manifestações da hipocalcemia são bastante características: formigueiros nas mãos, nos pés e à volta da boca, cãibras, espasmos musculares e, em casos mais graves, convulsões, espasmo da laringe e arritmias cardíacas. No quadro crónico, predominam queixas menos específicas, tais como fadiga persistente, ansiedade, perturbações do sono e dificuldades de concentração, o chamado “nevoeiro mental”, que podem manter-se mesmo com a calcemia controlada. A longo prazo, surgem complicações renais, cataratas precoces e calcificações cerebrais, entre outras.

A causa mais frequente é a cirurgia cervical, sobretudo a remoção da tiroide (tiroidectomia), na qual as paratiroides podem ser inadvertidamente removidas ou lesionadas. Outras causas incluem doenças autoimunes, alterações genéticas e formas idiopáticas, em que nenhuma causa é identificada.

Estima-se uma prevalência entre 24 e 37 casos por 100 000 habitantes na Europa e nos Estados Unidos, o que situa a patologia firmemente no grupo das doenças raras. Em Portugal, os dados disponíveis são escassos, mas as projeções apontam para cerca de 2500 a 4000 doentes. Considerando que se realizam anualmente alguns milhares de tiroidectomias no país, a vigilância pós-operatória torna-se essencial: de 25% a 30% dos doentes desenvolvem hipoparatiroidismo transitório, com níveis de cálcio baixos durante os primeiros dias a meses após a cirurgia; no entanto, entre 1% a 3% das pessoas mantêm a doença de forma permanente.

O tratamento clássico assenta na suplementação de cálcio e em formas ativadas da vitamina D. Em alguns casos, recorre-se ao magnésio e a diuréticos, que ajudam a reduzir as perdas urinárias de cálcio. Embora eficaz no controlo dos sintomas, este esquema (convencional) não substitui a ação fisiológica da PTH e pode, a longo prazo, contribuir para complicações renais e ósseas. Nos últimos anos, têm surgido medicamentos análogos da hormona em falta, a PTH. Esta modalidade terapêutica aproxima-se, assim, do funcionamento natural das paratiroides e representa uma esperança real para os doentes com formas mais graves ou de difícil controlo do hipoparatiroidismo crónico.

Mais do que um problema de diagnóstico, o hipoparatiroidismo é hoje, sobretudo, um problema de tratamento. Mesmo com a terapêutica convencional bem instituída, parte relevante dos doentes mantém sintomas com a calcemia normalizada, e a suplementação prolongada não está isenta de complicações renais e ósseas. É por isso que esta efeméride importa: lembra que é importante o seguimento estruturado das pessoas com esta doença e o acesso, em Portugal, à terapêutica substitutiva com análogos da hormona em falta nesta doença, a paratormona (PTH).

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“O hipoparatiroidismo é a última situação de deficiência hormonal primária que ainda não é tratada de forma sistemática através da substituição da hormona em falta”

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Quando tratar é investir na vida https://saudeonline.pt/quando-tratar-e-investir-na-vida/ https://saudeonline.pt/quando-tratar-e-investir-na-vida/#respond Fri, 13 Mar 2026 09:16:48 +0000 https://saudeonline.pt/?p=184472 Cirurgião especialista em Cirurgia da Obesidade e Metabolismo; Coordenador dos Centros de Tratamento da Obesidade do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, e do Grupo Trofa Saúde; Professor da FMUP; Investigador clínico na área da Cirurgia Metabólica e Obesidade

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No Dia Mundial da Obesidade fala-se muito de prevenção. Fala-se de alimentação saudável, de exercício físico e de escolhas conscientes. Tudo isso é importante, mas há uma parte da conversa que, muitas vezes, fica em segundo plano: o tratamento de quem já vive com obesidade instalada e com complicações associadas. Para essas pessoas, a cirurgia metabólica continua a ser o tratamento mais eficaz de que dispomos e continua a ser sistematicamente adiado.

A cirurgia metabólica não é nova, nem um procedimento experimental. Não é um recurso desesperado, nem um procedimento estético. É uma intervenção terapêutica com impacto profundo na biologia da doença. Atua não apenas na redução da capacidade gástrica, mas, sobretudo, na regulação hormonal do apetite, da saciedade e do equilíbrio energético. Os dados científicos são consistentes: a cirurgia metabólica permite perdas de peso superiores a 30% do peso corporal total, com manutenção a longo prazo. Reduz a mortalidade, diminui drasticamente o risco cardiovascular, promove a remissão da diabetes e melhora de forma sustentada a qualidade de vida. E, mesmo assim, continua a ser encarada como último recurso.

Nos últimos anos, assistimos a uma evolução técnica notável. As cirurgias são realizadas por via laparoscópica, com incisões mínimas, menos dor e recuperação mais rápida. Programas estruturados permitem, em casos selecionados, a realização em regime de ambulatório com alta no próprio dia. Novas adaptações técnicas têm sido desenvolvidas para reduzir efeitos secundários como o refluxo, preservando a eficácia na perda de peso. A cirurgia metabólica de hoje é mais segura, mais previsível e mais personalizada do que nunca.

Em paralelo, surgiram medicamentos inovadores que atuam nos circuitos hormonais da fome. São avanços importantes e ampliam as opções terapêuticas. No entanto, é fundamental compreender as diferenças.

Os fármacos exigem administração contínua e o custo acumulado ao longo dos anos é elevado. Quando são interrompidos, o peso tende a regressar, porque a doença permanece ativa. A cirurgia, por outro lado, é uma intervenção única, com efeito metabólico duradouro. Em termos de custo-benefício, os estudos mostram que, ao reduzir complicações, hospitalizações e medicação crónica, a cirurgia torna-se economicamente vantajosa para o sistema de saúde em poucos anos.

Mas talvez o argumento mais forte não seja financeiro. Seja humano.

A cirurgia metabólica devolve mobilidade, energia, qualidade de vida. Permite que pessoas deixem de depender de múltiplos medicamentos, que controlem a diabetes, que reduzam o risco de enfarte ou AVC. Permite viver mais e viver melhor. Será então legítimo perguntar porque continua a ser subutilizada?

Parte da resposta reside no estigma. A cirurgia ainda carrega o peso de mitos antigos, de imagens ultrapassadas, de complicações eliminadas, mas, acima de tudo, da falsa ideia de que representa um atalho. Mas a ciência é clara ao demonstrar que a obesidade não é uma opção, não é um problema de carácter. É uma doença metabólica complexa. E tratar uma doença não é desistir do doente, nem oferecer um atalho: é cuidar com rigor e cuidado.

Neste Dia Mundial da Obesidade, é essencial dizer com clareza: prevenir é fundamental, mas tratar é inadiável. E quando falamos de eficácia, segurança e sustentabilidade a longo prazo, a cirurgia metabólica continua a ser a ferramenta mais poderosa que a medicina tem para oferecer. Continuar a olhar para a cirurgia como “último recurso” é um equívoco que custa saúde. Porque quando falamos de obesidade grave, adiar o tratamento não é prudência, é permitir que a doença avance.

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XLH. Uma doença genética rara, progressiva e crónica https://saudeonline.pt/xlh-uma-doenca-genetica-rara-progressiva-e-cronica/ Mon, 03 Nov 2025 09:30:48 +0000 https://saudeonline.pt/?p=180102 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> XLH. Uma doença genética rara, progressiva e crónica aparece primeiro em Saúde Online.

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Emagrecimento saudável https://saudeonline.pt/emagrecimento-saudavel/ Fri, 11 Jul 2025 08:15:56 +0000 https://saudeonline.pt/?p=177167 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Emagrecimento saudável aparece primeiro em Saúde Online.

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Treino de Força e Diabetes https://saudeonline.pt/treino-de-forca-e-diabetes-2/ https://saudeonline.pt/treino-de-forca-e-diabetes-2/#respond Thu, 24 Apr 2025 08:15:28 +0000 https://saudeonline.pt/?p=174534 Club manager do Fitness Factory Lamego ( parceiro da www.girohc.pt)

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A musculação, tradicionalmente associada a melhorias estéticas, ao aumento de massa muscular e ao desenvolvimento da força, tem vindo a destacar-se como uma ferramenta essencial na promoção da saúde e na prevenção de diversas doenças metabólicas, incluindo a diabetes tipo 2. Sabe-se que o treino de força desempenha um papel crucial no metabolismo da glicose e na sensibilidade à insulina, tornando-se assim um aliado poderoso no combate a esta doença.

Os músculos não são apenas estruturas responsáveis pelo movimento – funcionam também como um importante reservatório de glicose. Durante o exercício de resistência, como o treino com pesos, os músculos utilizam a glicose disponível no sangue como fonte de energia, o que contribui para a redução dos níveis de glicose circulante. Paralelamente, o treino de força melhora a sensibilidade à insulina, permitindo ao organismo utilizar esta hormona de forma mais eficiente no transporte da glicose para o interior das células. Este processo contribui significativamente para a redução da resistência à insulina, um dos principais fatores no desenvolvimento da diabetes tipo 2.

Estudos científicos demonstram que a prática regular de treino de força pode reduzir significativamente o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2, além de facilitar uma melhor gestão da doença em indivíduos já diagnosticados. O aumento da massa muscular está diretamente associado a um metabolismo mais ativo e a uma maior capacidade de utilização da glicose, ajudando a manter os níveis de açúcar no sangue dentro de parâmetros saudáveis.

Para além dos benefícios metabólicos, o treino de força melhora a composição corporal, promovendo a redução de gordura e o aumento da massa magra. A diminuição da gordura visceral, em particular, está associada a uma menor resistência à insulina e a um melhor controlo glicémico. Além disso, evidências científicas apontam para uma relação direta entre os níveis de força muscular, a qualidade de vida e a esperança média de vida. Indivíduos com maior força muscular tendem a apresentar um risco mais baixo de mortalidade por todas as causas, incluindo doenças cardiovasculares e metabólicas. Estudos indicam que pessoas com níveis reduzidos de força muscular têm um risco até 50% superior de mortalidade precoce, comparativamente com aquelas que apresentam níveis de força mais elevados.

Indicadores como a força das pernas e a capacidade de preensão manual em idosos estão fortemente associados a uma melhor qualidade de vida e maior longevidade.

A introdução do treino de força na rotina de indivíduos com risco de diabetes ou já diagnosticados deve ser feita de forma progressiva e adaptada às suas condições individuais. Exercícios com pesos livres, máquinas de resistência ou mesmo treino com o peso do próprio corpo são opções eficazes. Idealmente, o treino de força deve ser complementado com atividade aeróbica, para um impacto ainda mais positivo na saúde metabólica.

Em suma, investir no fortalecimento muscular não é apenas uma questão estética ou de desempenho físico, é, acima de tudo, uma estratégia eficaz para prevenir e controlar a diabetes. A musculatura ativa é uma aliada poderosa na regulação da glicose, e incorporar o treino de força na rotina diária pode ser um passo decisivo para uma vida mais saudável, equilibrada e duradoura.

Por tudo isto podemos afirmar que o músculo é de facto o órgão da longevidade.

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O peso do sono na balança https://saudeonline.pt/o-peso-do-sono-na-balanca-2/ https://saudeonline.pt/o-peso-do-sono-na-balanca-2/#respond Mon, 10 Mar 2025 09:58:58 +0000 https://saudeonline.pt/?p=172331 O sono é um aliado no controlo do peso, segundo Hugo Simião, psiquiatra com certificação europeia em Medicina do Sono.

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No mês em que se celebra, o Dia Mundial da Obesidade, é essencial falar sobre um fator muitas vezes negligenciado no controlo do peso: o sono. É sabido que dormir mal pode levar ao aumento de peso e que, por outro lado, o excesso de peso também piora a qualidade do sono. O sono e o metabolismo estão profundamente interligados e a privação de sono pode ser um fator silencioso por detrás do ganho de peso e do aumento do risco de doenças metabólicas.

E como é que o sono influencia o peso?

Percebemos isso em estudos com pessoas que dormem pouco ou mal. A privação de sono altera hormonas essenciais para a regulação do apetite, tornando mais difícil resistir a alimentos calóricos e processados. Quando dormimos menos: a grelina (hormona da fome) aumenta, o que a leva a mais vontade de comer, especialmente alimentos ricos em açúcar e gorduras; por outro lado, a leptina (hormona da saciedade) diminui, dificultando a saciedade após uma refeição e incentivando o consumo excessivo de calorias. Este desequilíbrio hormonal pode levar a uma ingestão alimentar descontrolada, tornando o ganho de peso mais provável.

Além disso, quando uma pessoa está privada de sono, aumenta a resistência à insulina, o que significa que o organismo armazena mais gordura e queima menos energia. Logo, o risco de diabetes tipo 2 aumenta, pois a regulação dos níveis de glicose no sangue fica comprometida. O corpo entra num estado de stress metabólico, o que facilita a acumulação de gordura, especialmente na região abdominal. Ou seja, mesmo mantendo uma alimentação equilibrada, a privação de sono pode desacelerar a capacidade do corpo de processar calorias e manter um peso saudável. A propósito disto, fica a reflexão: será que estamos a dar atenção suficiente ao que nos tira o sono e em vez disso procuramos soluções imediatas de auto-estima? Além disso, quando dormimos mal, sentimos mais fadiga e falta de motivação para praticar exercício físico, aumenta o risco de sedentarismo, tornando mais difícil manter um estilo de vida ativo e aumentando também o risco de doenças cardíacas (e mentais).  Ou seja, dormir mal torna mais difícil manter uma rotina de exercício, o que, por sua vez, favorece o ganho de peso.

E o excesso de peso? Como afeta o sono?

Se, por um lado, dormir pouco favorece o aumento de peso, o excesso de peso também prejudica o sono, levando a um ciclo difícil de quebrar. De acordo com o relatório “Health at a Glance” da OCDE, 67,6% da população portuguesa com mais de 15 anos tem excesso de peso ou é obesa. Em 2019, o consumo de álcool per capita em Portugal foi de 10,4 litros, ligeiramente acima da média da União Europeia de 10,1 litros.  Além disso, é um país onde ainda há muita iliteracia em saúde, o que por si só também não contribui para bons hábitos de sono e, em relação à saúde mental, o estigma ainda dificulta a procura de cuidados.

Mas voltando ao peso, a obesidade está associada à apneia obstrutiva do sono, uma doença em que as vias respiratórias se colapsam durante o sono, interrompendo a respiração repetidamente ao longo da noite. A longo prazo, o organismo vai ficando cronicamente exposto a stress e inflamação. Estes despertares noturnos: 1) reduzem a qualidade do sono profundo; 2) provocam fadiga crónica, mesmo após horas de sono e 3) favorecem o risco de inúmeras doenças, desde cardiovasculares, além de maior risco de doenças oncológicas, doenças psiquiátricas, impacto na função sexual e inclusive no colagénio da pele, tornando-a menos atraente! Vale ainda dizer que muitas pessoas que pensam sofrer de insónia durante a noite, na verdade têm uma apneia do sono não tratada.

Portanto…

Se queremos manter um peso saudável, não podemos ignorar o sono. Muitas vezes, a atenção está voltada apenas para a alimentação e o exercício físico, mas a qualidade e a quantidade de horas que dormimos desempenham um papel tão importante quanto aquilo que comemos e o quanto nos movemos.

E porque é que não damos tanto valor ao sono em Portugal?

O problema é que Portugal é um país onde a prevalência da insónia é elevada, como evidenciado por um estudo recente que aponta o país como o segundo no mundo com maior taxa de prescrição de zolpidem, um fármaco utilizado para induzir o sono e tratar perturbações do sono. Além disso, a cultura portuguesa não favorece um descanso adequado. Ora, apesar dos horários de trabalho e escolares começarem cedo, tal como acontece em países como a Noruega ou o Reino Unido, a diferença é que, em Portugal, a vida noturna é amplamente valorizada. Bares, restaurantes e espaços de lazer funcionam até tarde, e a própria programação televisiva em horário nobre estende-se para além do recomendado, contribuindo para um padrão de sono frequentemente encurtado e desregulado. Esta cultura leva a que, naturalmente, se criem hábitos de sono pouco saudáveis, o que nos leva a um risco aumentado de doença psiquiátrica: uma perturbação de insónia está associada a um risco cerca de duas a quatro vezes superior de desenvolver uma perturbação depressiva ou de ansiedade. O que nos leva a uma outra questão: Portugal é um dos países europeus com maior prevalência de doença mental, das quais as do foro depressivo e ansioso são as mais frequentes.

Parece evidente que a literacia em sono deve ser promovida desde a escola até às instituições de saúde, empresas e políticas públicas. O sono é tão essencial quanto a alimentação e a atividade física. A nível institucional, empresas e chefias poderiam otimizar a qualidade do sono dos seus funcionários, já que dormir mal afeta diretamente a produtividade e o desempenho financeiro. Medidas políticas, como a Lei do Direito à Desconexão em Portugal, e iniciativas de países como Noruega, Suécia e Austrália mostram a importância de proteger o sono da população. Nos cursos de saúde, a formação sobre perturbações do sono deve ser reforçada, capacitando profissionais de áreas como Medicina, Psicologia e Fisioterapia para abordar essas queixas. Melhorar a formação e a oferta terapêutica são passos essenciais para otimizar a saúde do sono da população.

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