Opinião - Dor - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/dor-online/opiniao-dor/ Notícias sobre saúde Thu, 16 Jul 2026 09:09:24 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Opinião - Dor - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/dor-online/opiniao-dor/ 32 32 Canábis medicinal e saúde mental https://saudeonline.pt/canabis-medicinal-e-saude-mental/ https://saudeonline.pt/canabis-medicinal-e-saude-mental/#respond Thu, 16 Jul 2026 09:08:37 +0000 https://saudeonline.pt/?p=188510 Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, em Psicoterapia e em Coaching Psicológico, pela Ordem dos Psicólogos Portugueses; Diretora Clínica do Espaço CAlmaMente, Clínica Privada em Coimbra;
Professora Auxiliar no Instituto Superior Miguel Torga; Membro do Conselho Consultivo Científico do Observatório Português de Canábis Medicinal

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A vertente clínica da canábis medicinal baseia-se na utilização terapêutica e rigorosamente monitorizada de compostos químicos designados por fitocanabinoides extraídos da planta Cannabis sativa, com particular enfoque no Canabidiol (CBD) e no Tetra-hidrocanabinol (THC). O CBD é um composto não psicoativo, sendo o mais estudado no âmbito psiquiátrico devido às suas propriedades potencialmente ansiolíticas e neuroprotetoras. Em contrapartida, o THC é o princípio ativo responsável pelos efeitos psicoativos e pela sensação de euforia.

Estes compostos exógenos interagem diretamente com o sistema endocanabinoide, um sistema neuromodulador intrínseco do organismo humano que desempenha um papel fulcral na regulação de funções homeostáticas essenciais, tais como: humor e processamento emocional, sono e vigília, apetite e comportamento alimentar, resposta biológica ao stress, e modulação da dor e processos inflamatórios.

A relação entre a canábis medicinal e a saúde mental é um tema complexo, amplamente debatido na comunidade científica. Embora alguns doentes relatem melhoria subjetiva de sintomas, os dados clínicos não sustentam, de forma robusta, a sua eficácia em perturbações psiquiátricas. Assim, as evidências científicas disponíveis sobre o potencial terapêutico da canábis medicinal em contexto de saúde mental apresentam um quadro ainda inconclusivo, variando bastante consoante a patologia. E, enquanto a comunidade científica reconhece potencial terapêutico em contextos muito específicos, simultaneamente confronta-se com lacunas metodológicas substanciais e ausência de consenso.

Potencial Clínico da Canábis Medicinal

Uma metanálise de grande dimensão publicada em The Lancet Psychiatry (2026) consolidou 48 ensaios clínicos controlados para avaliar a eficácia e a segurança do uso de canabinoides em perturbações mentais. Os resultados revelam um panorama complexo, concluindo não existir evidência suficientemente sólida de que os canabinoides THC e CBD produzam benefício terapêutico significativo em quadros como perturbações de ansiedade, depressão ou perturbação de stresse pós-traumático. Esta metanálise tira conclusões com cautela, o que não invalida os achados promissores, mas sublinha a necessidade de investigação mais consistente e o reconhecimento de que diferentes populações, formulações e contextos clínicos podem produzir resultados distintos.

Ainda que os dados sobre o potencial terapêutico da canábis medicinal em saúde mental se revelem inconsistentes, partilham-se as conclusões de alguns estudos relevantes, que exigem uma interpretação prudente e contextualizada.

O uso do CBD isolado evidenciou benefícios terapêuticos na perturbação de ansiedade social e na perturbação de stresse pós-traumático, justificados pelos seus mecanismos neurofarmacológicos. Destaca-se em particular a sua capacidade de modular recetores serotoninérgicos e gabaérgicos que produzem redução da hiperativação da amígdala, característica destas perturbações. Alguns estudos isolados exploram igualmente o papel específico do CBD na redução de sintomas ansiosos e do burnout. De forma particularmente interessante, documentam-se melhorias no desempenho cognitivo, em domínios específicos como memória de trabalho e velocidade de processamento. Ao reduzir a sintomatologia ansiosa aguda, é facilitado o envolvimento mais efetivo em tarefas que exigem concentração, memória de trabalho e funções executivas, criando assim uma possibilidade de melhoria funcional global.

Neste sentido, estes resultados sugerem que, em determinados contextos e com formulações específicas, a canábis medicinal pode facilitar a redução de sintomatologia ansiosa e a melhoria de capacidades cognitivas que frequentemente se encontram prejudicadas em quadros ansiosos, afetando o desempenho ocupacional, académico e a qualidade de vida.

Ainda que os resultados não sejam consensuais, o CBD isolado tem demonstrado um papel promissor enquanto tratamento adjuvante na psicose e na esquizofrenia, devido à sua capacidade de reduzir sintomas psicóticos, tais como alucinações. Em contrapartida, salienta-se que o consumo de canábis comum ou de canábis medicinal com elevadas concentrações de THC mantêm uma forte correlação com o desencadeamento de surtos psicóticos.

Por seu lado, têm sido reportados apenas benefícios modestos e um nível de evidência reduzido no que concerne à mitigação da sintomatologia associada a perturbações do sono, controlo de tiques na síndrome de Gilles de la Tourette, atenuação de determinados sintomas disruptivos associados ao espectro do autismo, tais como quadros marcados por irritabilidade severa e crises de agressividade, bem como gestão de sintomas de abstinência em doentes com dependência da própria canábis.

Por fim, outros estudos não demonstram a eficácia da canábis medicinal na depressão major, podendo mesmo agravar a sintomatologia depressiva em certos perfis de doentes, particularmente naqueles com vulnerabilidade genética para episódios depressivos.

Prescrição Médica Especializada: Formação, Sensibilidade Clínica e Conformidade Legal

As principais associações médicas internacionais reiteram a necessidade de uma extrema prudência na recomendação destas substâncias. Em Portugal, a utilização de canábis para fins terapêuticos encontra-se legalmente enquadrada e regulada pelo Infarmed, sendo a sua prescrição restrita a indicações específicas e obrigatoriamente realizada por médico.

A prescrição adequada de canábis medicinal exige o recurso a médico com formação específica em farmacologia de canabinoides, compreensão detalhada de mecanismos de ação diferenciais entre CBD e THC e sensibilidade clínica para individualizar a prescrição conforme o perfil psicopatológico de cada doente. Cada situação clínica exige uma avaliação individualizada e minuciosa, sendo imperativo ponderar rigorosamente variáveis como a idade do doente, o diagnóstico, o regime farmacológico em curso e o historial clínico global.

Em Portugal, a prescrição de canábis medicinal segue um enquadramento regulatório rigoroso estabelecido pelo Infarmed através da Lei nº 33 de 2018 e Decreto-Lei nº 8 de 2019. Deste modo, os medicamentos e preparações à base de canábis disponibilizados em farmácia português encontram-se sujeitos a avaliação técnico-científica, garantindo qualidade, segurança e rastreabilidade. Qualquer médico pode prescrever, mas apenas em conformidade com sete indicações terapêuticas aprovadas e apenas quando tratamentos convencionais se revelem ineficazes ou provocarem efeitos adversos relevantes.

As indicações terapêuticas aprovadas são: espasticidade associada à esclerose múltipla ou lesões da espinal medula; náuseas e vómitos resultantes de quimioterapia, radioterapia e terapia combinada de HIV e medicação para hepatite C; estimulação do apetite nos cuidados paliativos de doentes sujeitos a tratamentos oncológicos ou com SIDA; dor crónica associada a doenças oncológicas ou ao sistema nervoso; síndrome de Gilles de la Tourette; epilepsia e tratamento de transtornos convulsivos graves na infância; e glaucoma resistente à terapêutica. Como se nota, estas indicações terapêuticas reportam para condições neurológicas, oncológicas ou oftalmológicas, pelo que a utilização em saúde mental permanece fora das indicações oficiais em Portugal.

A utilização terapêutica de canabinoides encontra-se estritamente contraindicada em pacientes com histórico clínico de esquizofrenia, quadros psicóticos ou perturbação bipolar. Esta restrição fundamenta-se nas propriedades psicomiméticas do THC, capaz de potenciar o risco de descompensação psiquiátrica. Salvo indicações muito específicas, devem também ser excluídos da prescrição: adolescentes e adultos jovens, cujo desenvolvimento neurológico se prolonga até aos 25 anos; mulheres grávidas ou em período de amamentação. Acrescente-se que se encontra absolutamente contraindicado para indivíduos com dependência ativa de substâncias, onde existe risco de transferência de dependência ou exacerbação de comportamentos aditivos. Por fim, ressalve-se que a intervenção terapêutica com recursos a canabinoides requer indicações clínicas estritas e solidamente fundamentadas, exigindo uma precaução acrescida na população pediátrica.

Note-se que a proporção de componentes CBD e THC é absolutamente crítica na determinação de segurança e eficácia. O THC tem demonstrado efeitos bifásicos: em doses reduzidas pode aliviar a ansiedade, mas em doses elevadas está associado ao desenvolvimento ou agravamento de perturbações psiquiátricas graves, incluindo episódios psicóticos e esquizofrenia, bem como ao desencadeamento de quadros de ansiedade, especialmente em indivíduos geneticamente predispostos. Por exemplo, a combinação de THC com dose elevada de CBD pode produzir paradoxalmente o aumento de sintomas paranoides e ansiosos. Assim, quando administrado em doses inadequadas ou em indivíduos com predisposição clínica, o THC pode agravar significativamente quadros de ansiedade e de psicose. Isto demonstra que a prescrição não deve ser genérica mas específica, requerendo conhecimento profundo sobre composição, dosagem e ajuste individualizado.

Igualmente, urge acautelar o risco severo de interações medicamentosas, dado que os canabinoides alteram o metabolismo hepático de outros fármacos, comprometendo diretamente a eficácia e a segurança de antidepressivos e ansiolíticos de uso corrente.

Este enquadramento oferece segurança legal e profissional tanto ao médico prescritor como ao doente, permitindo acesso a produtos certificados e regulados. Contudo, reconhece-se uma realidade incómoda: mesmo com formação especializada, a prescrição individualizada comporta variabilidade inerente. Cada pessoa apresenta farmacocinética distinta, sensibilidade idiossincrática, polimorfismos genéticos não testáveis em rotina clínica, e dinâmica psicossocial complexa. Logo, nenhum clínico consegue eliminar completamente esta variabilidade. A promessa de “encontrar dose e composição certas para aquela pessoa específica” é aspiracional, não garantida, pelo que existem riscos inerentes a qualquer prescrição sem garantias de resposta ou segurança.

Integração com Psicoterapia, Bem-Estar e Qualidade de Vida

O potencial máximo da canábis medicinal reside na sua utilização como ferramenta adjuvante integrada num plano terapêutico multimodal, não substituindo intervenção psiquiátrica e/ou psicológica. Por exemplo, se a prescrição adequada de CBD permitir reduzir a sintomatologia ansiosa aguda (hipervigilância, ruminação, ativação fisiológica excessiva), cria-se espaço psicológico para que o paciente se envolva de forma mais efetiva em processos de exposição terapêutica e mantenha a concentração ao longo das sessões de psicoterapia.

A literatura sobre este domínio permanece limitada, mas relatos clínicos sugerem que a integração da canábis medicinal com psicoterapia produz resultados positivos. Relatos clínicos de doentes que recorreram ao seu uso documentam melhoria na qualidade de vida, designadamente melhoria da qualidade do sono, maior capacidade de concentração, redução significativa dos níveis de ansiedade e de stress, melhor tolerância a situações sociais, redução de evitamento comportamental e restauro de funções ocupacionais e relacionais previamente comprometidas.

Um aspeto frequentemente negligenciado é precisamente este impacto na qualidade de vida global – não apenas a redução sintomática, mas a reconquista da capacidade funcional e do bem-estar psicológico. Deste modo, quando ocorre uma resposta terapêutica positiva, torna-se evidente o impacto direto no funcionamento global do indivíduo. Esta melhoria substancial reflete-se de forma clara na retoma gradual e sustentada das atividades da vida diária, na otimização das dinâmicas e relações interpessoais, bem como na recuperação da autonomia funcional.

Contudo, a vigilância clínica é essencial. O psicólogo clínico e o médico prescritor devem comunicar regularmente, avaliando os efeitos adversos potenciais (e.g., fadiga, alterações cognitivas, interações farmacológicas, tolerância comportamental) e garantindo que a prescrição não substitui, mas complementa, a psicoterapia estruturada e continuada. Também a descontinuação deve ser planeada e gradual, com apoio psicoterapêutico contínuo.

O papel do psicólogo clínico traduz-se sobretudo na monitorização contínua: identificar indicações, contraindicações ou fatores de risco que exigem cautela; acompanhar a resposta terapêutica ao longo do tempo; e manter comunicação regular com o médico prescritor sobre eventuais sinais de alerta. Isto exige formação contínua, abertura a possibilidades terapêuticas emergentes e vigilância crítica sobre os limites e incertezas que ainda caracterizam este campo.

Abertura Profissional, Responsabilidade Ética e Literacia em Saúde

A comunidade de profissionais de saúde mental – psicólogos, psiquiatras, médicos em geral – enfrenta uma responsabilidade dupla e simultaneamente delicada. Por um lado, décadas de proibição geraram um estigma que persiste, dificultando uma discussão informada sobre o potencial terapêutico da canábis medicinal. Por outro lado, existe o risco de entusiasmo infundado que promete benefícios sem sustentação científica adequada.

A posição responsável será aquela que combina uma abertura dialogante com ceticismo informado. Reconhecer que a canábis medicinal não é panaceia, mas pode constituir uma ferramenta terapêutica legítima em contextos muito específicos, quando prescrita adequadamente por médico habilitado para o efeito, integrada em plano multimodal e monitorizada com cuidado. Simultaneamente, é essencial manter humildade científica: reconhecer que muito permanece desconhecido e que as lacunas metodológicas são substanciais.

A desmistificação beneficia também de investimento em literacia em saúde junto da população geral, que contribui para reforçar a capacidade de decisão autonomizada e fundamentada. Campanhas educacionais de organizações profissionais podem ajudar a clarificar diferenças entre canábis recreativa e medicinal, a explicar os mecanismos de ação dos canabinoides, a estabelecer expectativas realistas, e a facilitar conversas informadas entre doentes e clínicos.

Em conclusão, a canábis medicinal representa possibilidade terapêutica emergente em saúde mental, com dados promissores em algumas situações. Contudo, a literatura não é consensual e a responsabilidade ética exige reconhecimento de limitações, riscos, e incertezas.

A prática de uma prescrição adequada e segura pressupõe o recurso a um médico especializado a par de uma formação contínua, de sensibilidade clínica e do cumprimento do enquadramento legal e regulamentar português. Adicionalmente, a identificação e a monitorização de potenciais contraindicações constituem uma responsabilidade inteiramente partilhada entre os diferentes clínicos envolvidos no plano terapêutico do doente.

Uma postura de abertura profissional, pautada por uma atitude dialogante e rigorosamente criteriosa, revela-se fundamental para promover a otimização da qualidade de vida dos doentes e impulsionar o avanço do conhecimento científico. Por fim, sublinha-se como diretriz essencial que a integração e a articulação desta abordagem com o acompanhamento em psicoterapia são fundamentais para o sucesso e a eficácia clínica global do tratamento na área da saúde mental.

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Investigação clínica com canabinóides: ética, métodos e resultados

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Investigação clínica com canabinóides: ética, métodos e resultados https://saudeonline.pt/investigacao-clinica-com-canabinoides-etica-metodos-e-resultados/ Mon, 01 Jun 2026 08:30:32 +0000 https://saudeonline.pt/?p=187433 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Investigação clínica com canabinóides: ética, métodos e resultados aparece primeiro em Saúde Online.

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250 profissionais de São Tomé e Príncipe obtiveram formação em Cuidados Paliativos através de ação da Iniciativa Médica 3MED https://saudeonline.pt/250-profissionais-de-sao-tome-e-principe-obtiveram-formacao-em-cuidados-paliativos-atraves-de-acao-da-iniciativa-medica-3med/ https://saudeonline.pt/250-profissionais-de-sao-tome-e-principe-obtiveram-formacao-em-cuidados-paliativos-atraves-de-acao-da-iniciativa-medica-3med/#respond Mon, 23 Feb 2026 14:28:35 +0000 https://saudeonline.pt/?p=183678 Médico da ECSCP Gaia – ULS Gaia e Espinho; Professor auxiliar convidado da FMUC e da FMUP; Investigador integrado no iCBR - CIMAGO; IM3M

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A Iniciativa Médica 3MED é um grupo de voluntários médicos (atualmente com 18 médicos de 11 especialidades diferentes), criado em 2018 para promover a medicina paliativa, a medicina da dor e a medicina geriátrica.

Desde então, já realizou em Portugal cerca de 50 cursos de formação de 30 horas, mais de 300 workshops e minicursos e 4 Congressos Multidisciplinares da Dor. Já foram mais de 3500 horas de formação dedicada a estas disciplinas, para mais de 15000 médicos e outros profissionais de saúde.

Em 2021, depois de um convite realizado pela Unidade de Dor e Cuidados Paliativos do Hospital Central de Maputo, teve a sua primeira missão de formação além fronteiras e inaugurou o projeto internacional de promoção dos Cuidados Paliativos nos países da lusofonia, tendo realizado até ao momento 8 missões de formação e uma missão de voluntariado médico, em Angola, Cabo Verde, Moçambique e, nos últimos dias 7 a 14 de fevereiro, em São Tomé e Príncipe, tendo sido responsável por um total de 250 horas de formação a mais de 1500 profissionais. O projeto envolve voluntariado mas também investimento directo do grupo, que já ultrapassou os 100.000€.

São Tomé e Príncipe foi o país mais recentemente beneficiado desta aposta do grupo médico português, iniciando o processo de edificação e consultadoria para a constituição de uma rede moderna de Cuidados Paliativos. Nesta primeira iniciativa, mais de 250 profissionais tiveram acesso a um Curso intensivo em Dor e Cuidados Paliativos, de 20 horas de duração, e 50 decisores políticos e governantes participaram em tertúlias-debate sobre a instituição dos Cuidados Paliativos e os resultados que podem ser alcançados.

Este projeto prevê a realização de formações básicas regulares em Dor e Cuidados Paliativos para fortalecer os conhecimentos clínicos básicos para o maior número de profissionais possível (reforço das competências de comunicação, de trabalho em equipa, de atenção às necessidades das famílias e cuidadores e de competências no controlo de sintomas e no ajuste individual a alvos terapêuticos individuais), consultadoria na formação avançada de profissionais que integrem ou integrarão equipas especializadas em Cuidados Paliativos, consultadoria clínica contínua com estas equipas e consultadoria organizacional junto das entidades governativas e decisores locais e nacionais sobre implementação do modelo de alta performance, com a respetiva monitorização de resultados.

Por fim, este projeto pretende criar condições para que haja investigação multicêntrica em Cuidados Paliativos entre Portugal e os países da Comunidade de Países de Língua oficial Portuguesa (CPLP), permitindo a evolução e melhoria contínua da qualidade dos cuidados de saúde.

Em novembro, está previsto que a Iniciativa Médica 3M volte a Angola para prosseguir com o processo de formação e integração dos Cuidados Paliativos na rede de prestação de cuidados de saúde.

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O Potencial Transformador da Canábis Medicinal na Medicina da Dor, nos Cuidados Paliativos e na Oncologia https://saudeonline.pt/o-potencial-transformador-da-canabis-medicinal-na-medicina-da-dor-nos-cuidados-paliativos-e-na-oncologia/ Wed, 28 Jan 2026 11:27:09 +0000 https://saudeonline.pt/?p=182505 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> O Potencial Transformador da Canábis Medicinal na Medicina da Dor, nos Cuidados Paliativos e na Oncologia aparece primeiro em Saúde Online.

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Dor crónica como sintoma ou como doença https://saudeonline.pt/dor-cronica-como-sintoma-ou-como-doenca/ https://saudeonline.pt/dor-cronica-como-sintoma-ou-como-doenca/#respond Fri, 16 Jan 2026 10:30:59 +0000 https://saudeonline.pt/?p=179665 Professora Coordenadora Principal da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro; Presidente do Pain, Mind, and Movement Special Interest Group da International Association for the Study of Pain; e Coordenadora do livro Intervenção em Dor - Comunicação e Educação em Fisioterapia (LIDEL)

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A dor é um fenómeno global com uma prevalência elevada e um impacto individual e social muitíssimo relevante. Um estudo realizado em Portugal estimou uma prevalência média da dor crónica em 37%.1 O mesmo estudo verificou que a dor está associada a maior dificuldade em várias atividades do dia-a-dia, sendo as mais afetadas as responsabilidades relacionadas com as atividades familiares ou domésticas, recreativas, de ocupação/trabalho e o sono ou descanso.

A dor pode ser um sintoma ou uma doença em si mesma. A dor aguda é, geralmente, um sintoma e a dor crónica, habitualmente definida como uma dor com duração superior a três meses, pode ser considerada um sintoma associado a uma outra doença ou uma doença em si mesma. Quando a dor permanece após uma lesão ter cicatrizado ou uma doença ter sido tratada ou existe sem que se consiga identificar uma causa nos tecidos para essa dor, a dor pode ser considerada a doença e não um sintoma.

A Associação Internacional para o Estudo da Dor desenvolveu uma classificação que distingue entre dor crónica primária (a dor é a doença) ou dor crónica secundária (a dor é um sintoma associado a outra doença).2 São exemplos de dor crónica primária, a fibromialgia e a dor lombar crónica inespecífica. Nestes casos, a dor está mais associada a alterações químicas, funcionais e estruturais que ocorrem no sistema nervoso, tais como alterações no equilíbrio entre os processos inibitórios e facilitatórios endógenos, mudança nas áreas cerebrais envolvidas no processamento da dor, diminuição na concentração de neurotransmissores inibitórios, entre outros. São exemplos de condições em que a dor é considerada um sintoma, a artrite reumatoide.

Esta distinção entre a dor como um sintoma ou a dor como doença contribui para validar as queixas das pessoas com dor, independentemente de se conseguir identificar ou não uma causa. Legitima a dor da pessoa e reforça a premissa de que a dor é real e precisa de ser tratada. Mais, contribui para reduzir o estigma associado a alguns diagnósticos. Pensar-se na dor como doença implica considerar durante a intervenção os fatores que contribuem para a sua transição de aguda para crónica e para a sua manutenção ao longo do tempo, bem como considerar o seu impacto na pessoa. Estes fatores são diversos e incluem fatores genéticos, ambientais e biopsicossociais, requerendo uma intervenção multimodal e personalizada que considera a pessoa, o seu contexto e o tipo de dor.

As crenças sobre a dor, a sua origem e o seu significado carecem de ser exploradas e consideradas durante a intervenção, bem como o seu impacto na pessoa e nos que a rodeiam. Numa intervenção multimodal, centrada na pessoa, a educação, o exercício e a autogestão têm um papel central que a investigação tem enfatizado de forma bastante consensual. Estas abordagens são exploradas com maior detalhe e profundidade num livro recente que aborda a avaliação e intervenção na pessoa com dor numa perspetiva biopsicossocial. 3

Considerar que a dor pode ser uma doença constitui uma mudança de paradigma com elevado impacto positivo no tratamento da dor. Contudo, independentemente de ser considerada um sintoma ou uma doença, o relato subjetivo da experiência de dor é o padrão de referência e deve ser ouvido, respeitado e utilizado para informar a intervenção.

 

Referências:

  1. Azevedo LF, et al. (2012). Epidemiology of Chronic Pain: A Population-Based Nationwide Study on Its Prevalence, Characteristics and Associated Disability in Portugal. The Journal of Pain. 13(8):773-783.
  2. Nicholas M, et al. (2019). The IASP classification of chronic pain for ICD-11: chronic primary pain. Pain. 160(1):28–37.
  3. Silva AG. (2025). Intervenção em Dor: Comunicação e Educação em Fisioterapia, da editora Lidel

 

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Canabinoides na Oncologia: Promessa Terapêutica ou Risco? https://saudeonline.pt/canabinoides-na-oncologia-promessa-terapeutica-ou-risco/ Tue, 16 Dec 2025 10:54:48 +0000 https://saudeonline.pt/?p=181621 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Canabinoides na Oncologia: Promessa Terapêutica ou Risco? aparece primeiro em Saúde Online.

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