derma-entrevistas - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/dermaonline/derma-entrevistas/ Notícias sobre saúde Tue, 03 Mar 2026 10:06:29 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png derma-entrevistas - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/dermaonline/derma-entrevistas/ 32 32 Linfoma Cutâneo de Células T. “O principal desafio reside na semelhança clínica com dermatoses inflamatórias benignas” https://saudeonline.pt/linfoma-cutaneo-de-celulas-t-o-principal-desafio-reside-na-semelhanca-clinica-com-dermatoses-inflamatorias-benignas/ https://saudeonline.pt/linfoma-cutaneo-de-celulas-t-o-principal-desafio-reside-na-semelhanca-clinica-com-dermatoses-inflamatorias-benignas/#respond Mon, 02 Mar 2026 10:41:52 +0000 https://saudeonline.pt/?p=183963 O Linfoma Cutâneo de Células T é um cancro raro, que se confunde com dermatoses comuns na fase inicial. O atraso no diagnóstico deve-se à raridade da doença, mas também à falta de estudos nacionais que permitam caracterizar de forma rigorosa a incidência e prevalência no contexto português, de acordo com Manuel Abecasis, hematologista e presidente da Associação Portuguesa Contra a Leucemia.

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O Linfoma Cutâneo de Células T (LCCT) é um cancro raro. Quantas pessoas são afetadas pela doença?

O LCCT integra o grupo dos linfomas cutâneos primários que apresentam uma incidência internacional estimada em aproximadamente 1 caso por 100.000 habitantes por ano, o que corresponde a cerca de 10 novos casos por milhão por ano. A maioria destes casos corresponde a linfomas cutâneos de células T, particularmente micose fungoide e síndrome de Sézary.

Trata-se, portanto, de uma patologia de baixa incidência à escala populacional. Em Portugal, não existem atualmente dados epidemiológicos nacionais consolidados especificamente dedicados ao LCCT que permitam quantificar com rigor o número de doentes. Qualquer estimativa nacional teria de resultar da extrapolação de dados internacionais para a população portuguesa.

Apesar de rara, o impacto individual pode ser significativo, sobretudo pela cronicidade da doença e pelo impacto na qualidade de vida. Quando analisadas no seu conjunto, as doenças raras afetam uma proporção relevante da população, constituindo um desafio estruturado para os sistemas de saúde.

Quais os principais sintomas e qual o tratamento mais adequado?

O LCCT manifesta-se predominantemente na pele. Nas fases iniciais, pode apresentar-se sob a forma de máculas ou placas eritemato-descamativas que simulam eczema ou psoríase. O prurido persistente é um sintoma frequente e pode ser intenso. A evolução tende a ser lenta, com lesões crónicas que não respondem de forma sustentada às terapêuticas habituais para dermatoses inflamatórias.

O tratamento depende do estádio clínico. Em fases iniciais, quando a doença está confinada à pele, a abordagem é maioritariamente dirigida ao compartimento cutâneo e pode incluir corticosteroides tópicos, fototerapia (UVB de banda estreita ou PUVA) e, em situações selecionadas, radioterapia localizada.

Em estádios mais avançados, com maior extensão cutânea, formação tumoral, eritrodermia ou envolvimento extracutâneo, pode ser necessária terapêutica sistémica, incluindo retinóides, imunomoduladores, terapêuticas biológicas específicas ou quimioterapia, conforme o perfil clínico e a evolução da doença.

O diagnóstico precoce é relevante porque permite, em muitos casos, controlar a doença numa fase limitada à pele, recorrendo a estratégias menos invasivas e com menor toxicidade sistémica.

“Em fases precoces, as alterações histológicas podem ser subtis, podendo ser necessárias biópsias repetidas ao longo do tempo para confirmação diagnóstica”

Quais os principais desafios no diagnóstico desta doença?

O principal desafio reside na semelhança clínica com dermatoses inflamatórias benignas, sobretudo nas fases iniciais. Lesões eritemato-descamativas crónicas, frequentemente pruriginosas, podem ser indistinguíveis de eczema ou psoríase durante um período prolongado.

O diagnóstico exige biópsia cutânea com avaliação histopatológica especializada, incluindo imunofenotipagem, e, quando necessário, estudos moleculares para demonstração de clonalidade dos linfócitos T. Em fases precoces, as alterações histológicas podem ser subtis, podendo ser necessárias biópsias repetidas ao longo do tempo para confirmação diagnóstica.

A baixa prevalência da doença contribui adicionalmente para que a suspeição clínica inicial não seja imediata, o que pode prolongar o tempo até ao diagnóstico correto.

Por que razão Portugal continua sem dados robustos em várias doenças raras?

As doenças raras enfrentam desafios estruturais na recolha de dados, em grande parte devido à sua baixa incidência e à dispersão dos casos por múltiplas instituições. Sem registos nacionais dedicados e mecanismos sistematizados de notificação e validação, a consolidação epidemiológica torna-se difícil.

No caso do LCCT, não existem atualmente estudos nacionais publicados que permitam caracterizar de forma rigorosa a incidência e prevalência no contexto português. Esta ausência de dados limita o planeamento de recursos, a organização de redes diferenciadas e a avaliação de resultados em saúde.

A criação de registos estruturados, interoperáveis e cientificamente validados é um passo fundamental para ultrapassar esta lacuna.

“Nas doenças raras, a combinação de organização assistencial, conhecimento especializado e referenciação precoce é determinante para melhorar resultados clínicos e promover maior equidade no sistema de saúde”

Qual o impacto clínico e económico no atraso do diagnóstico destas doenças?

Do ponto de vista clínico, os estádios iniciais do LCCT estão geralmente associados a melhor prognóstico e podem ser controlados com terapêuticas dirigidas à pele. Em fases mais avançadas, com maior extensão ou envolvimento extracutâneo, a abordagem torna-se mais complexa, podendo exigir terapêuticas sistémicas e acompanhamento especializado prolongado.

O atraso diagnóstico pode significar que a doença é identificada numa fase mais extensa, com maior carga tumoral e maior necessidade de recursos hospitalares.

No plano humano, o impacto é relevante desde fases precoces, sobretudo pelo prurido crónico, alterações cutâneas visíveis e repercussões emocionais e sociais. No plano económico, embora faltem dados nacionais específicos, é consistente na Oncologia que a doença mais avançada esteja associada a maior complexidade terapêutica, maior consumo de recursos e potencial aumento de custos diretos e indiretos.

O que se pode fazer para alterar esta realidade, sobretudo numa área como as doenças raras, em que há poucos profissionais especializados?

Existem três dimensões essenciais. Primeiro, reforçar a literacia clínica e a sensibilização para sinais de alerta, especialmente perante lesões cutâneas persistentes que não respondem adequadamente a terapêuticas convencionais.

Segundo, estruturar circuitos de referenciação claros e céleres para centros com experiência em doenças linfoproliferativas cutâneas, assegurando articulação entre cuidados de saúde primários, Dermatologia e Hematologia/Oncologia.

Terceiro, investir na criação e manutenção de registos epidemiológicos nacionais robustos. A existência de dados sistematizados permite dimensionar a realidade, planear recursos, avaliar resultados e reduzir desigualdades no acesso.

Nas doenças raras, a combinação de organização assistencial, conhecimento especializado e referenciação precoce é determinante para melhorar resultados clínicos e promover maior equidade no sistema de saúde.

Maria João Garcia

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“No futuro, esta descoberta poderá ajudar no tratamento de distúrbios de pigmentação da pele” https://saudeonline.pt/no-futuro-esta-descoberta-podera-ajudar-no-tratamento-de-disturbios-de-pigmentacao-da-pele/ https://saudeonline.pt/no-futuro-esta-descoberta-podera-ajudar-no-tratamento-de-disturbios-de-pigmentacao-da-pele/#respond Fri, 25 Oct 2024 08:14:51 +0000 https://saudeonline.pt/?p=163937 Duarte Barral, da NOVA Medical School, liderou um grupo de investigadores que descobriu recentemente um novo compartimento nas células da pele: melanoquerassoma.

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pele

Em que consiste o novo compartimento nas células da pele, melanoquerassoma?

Este é um compartimento que permanecia por caracterizar até agora. A caracterização que fizemos permite-nos compreender melhor como é que a melanina se acumula dentro dos queratinócitos da nossa pele numa estrutura semelhante a um chapéu posicionado sobre o núcleo e que se mantém estável nesse local durante a vida útil da célula.

O que muda com esta descoberta no imediato?

Para já, avançámos na compreensão do sistema de pigmentação e compreendemos melhor como os queratinócitos se protegem da radiação ultravioleta. Estes processos também estão envolvidos na definição do tom de pele de cada pessoa.

“Queremos agora interferir com a acumulação da melanina dentro dos queratinócitos como prova de conceito para o uso deste conhecimento na modulação da pigmentação da pele”

E futuramente?

No futuro, este conhecimento poderá permitir conceber estratégias que possam aumentar a proteção da pele contra a radiação ultravioleta e o desenvolvimento de cancros. Além disso, poderá contribuir para o desenvolvimento de estratégias para interferir com a pigmentação, no tratamento de distúrbios da pigmentação como o lentigo solar e o melasma.

Quais os próximos passos desta investigação?

Queremos agora interferir com a acumulação da melanina dentro dos queratinócitos como prova de conceito para o uso deste conhecimento na modulação da pigmentação da pele. Também queremos perceber o papel da radiação ultravioleta no processamento de melanina dentro dos queratinócitos e continuar a aprofundar o conhecimento sobre os mecanismos moleculares e celulares que conferem à pele de cada indivíduo um tom característico.

MJG

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“Reter dermatologistas no SNS é um desafio complexo que envolve várias abordagens” https://saudeonline.pt/reter-dermatologistas-no-sns-e-um-desafio-complexo-que-envolve-varias-abordagens/ https://saudeonline.pt/reter-dermatologistas-no-sns-e-um-desafio-complexo-que-envolve-varias-abordagens/#respond Fri, 28 Jun 2024 08:06:44 +0000 https://saudeonline.pt/?p=160583 Paulo Filipe, presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV) e desta Reunião do Verão, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e diretor do Serviço de Dermatologia da ULS Santa Maria, aborda os desafios críticos que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) enfrenta para reter especialistas em Dermatologia. Ao fazer referência à Reunião do Verão, o dermatologista fala um pouco dos temas que serão abordados e agradece aos congressistas pela sua participação neste evento, que, tal como refere, “será uma oportunidade valiosa para se atualizarem sobre os últimos desenvolvimentos na Dermatologia e estabelecerem novas parcerias profissionais”.

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Nos últimos tempos verificou-se um esvaziamento dos serviços públicos de Dermatologia, com a saída dos seus especialistas para o privado e uma maior procura de consultas de Dermatologia, o que tem dificultado a capacidade de resposta dos hospitais às necessidades da população. O novo Governo diz estar a trabalhar no sentido de melhorar a realidade do SNS, no que respeita à falta de recursos humanos, entre outros aspetos. Saiu agora o plano de emergência para a saúde e está-se a apostar no desenvolvimento das ULS. Considera que estas alterações (as que se conhecem) poderão ter impacto na atração e retenção de especialistas? Na sua opinião o que é que deveria realmente ser feito?
Reter dermatologistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) é um desafio complexo que envolve várias abordagens. Algumas estratégias que podem ser eficazes são:

  1. Melhoria das condições de trabalho: no que respeita a infraestruturas e recursos, garantindo que os dermatologistas têm acesso a equipamentos modernos e a recursos adequados para exercerem a sua profissão de forma eficaz; assim como no que diz respeito à carga horária, que deve ser ajustada, tal como o número de doentes atendidos por dia para evitar o esgotamento profissional.
  2. Salários competitivos: é preciso fazer uma revisão salarial e oferecer salários competitivos em relação ao setor privado e a outros países, para tornar a permanência no SNS mais atrativa; criar incentivos financeiros, introduzindo prémios de desempenho, compensações por horas extras e benefícios adicionais, como subsídios para formação contínua.
  3. Formação e desenvolvimento profissional: proporcionar oportunidades de acesso a formações médicas contínuas, cursos de atualização e subespecializações; incentivar e apoiar projetos de investigação e publicações científicas, proporcionando tempo e recursos para estas atividades.
  4. Ambiente de trabalho positivo: desenvolver uma cultura organizacional, promover um ambiente de trabalho saudável e colaborativo, com foco no bem-estar dos profissionais; assim como o seu reconhecimento e valorização, através da implementação de programas de reconhecimento para destacar e valorizar o trabalho dos dermatologistas.
  5. Progressão na carreira: desenvolver propostas de carreira médica claras e transparentes, que permitam a progressão profissional dentro do SNS.
  6. Flexibilidade e concorrência: oferecer opções de horários flexíveis e oportunidades de trabalho a tempo parcial; telemedicina: incorporar práticas de telemedicina para melhorar a flexibilidade e a acessibilidade dos cuidados dermatológicos.
  7. Equilíbrio trabalho-vida pessoal: implementação de políticas de bem-estar, que promovam o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal, incluindo licenças remuneradas e programas de apoio psicológico.
  8. Participação em decisões: incluir os dermatologistas na tomada de decisões administrativas e na formulação de políticas que afetem diretamente a sua profissão.
  9. Estas estratégias, quando implementadas de forma integrada e com compromisso, podem contribuir significativamente para a retenção de dermatologistas no SNS, melhorando a qualidade dos cuidados prestados aos doentes e a satisfação dos profissionais.

 

Considera que as ULS poderão ser uma mais-valia para os profissionais, mas, sobretudo, para os utentes que precisem de assistência e acompanhamento em Dermatologia? Como avalia estes últimos meses de funcionamento em ULS?
Na verdade, este modelo de organização em ULS ainda não deu frutos por ter sido implementado há pouco tempo. Mas, penso que o modelo é útil para aproximar os cuidados de saúde primários e os centros hospitalares.

 

Como está a ser a experiência da organização desta Reunião do Verão?
A organização da Reunião do Verão tem sido uma experiência extremamente enriquecedora. A coordenação de diferentes elementos e a colaboração com diversos participantes têm sido desafiadoras, mas também gratificantes.
O apoio e o entusiasmo da comunidade dermatológica, onde se incluem os médicos, mas também os nossos parceiros da Indústria Farmacêutica, têm sido fundamentais para garantir o sucesso do evento.

 

Qual o critério para a escolha de temas do programa?
Os temas do programa foram escolhidos com base na sua relevância atual e impacto na prática dermatológica.

 

Quer destacar alguns? Tem-se verificado muitos avanços nesta área?
Considerámos os avanços mais recentes na área da inteligência artificial (IA). Refiro-me ao projeto-piloto surgido no âmbito do relatório da Direção Executiva do SNS (maio de 2014). Esse relatório tem como meta o recurso à IA em Dermatologia. Vamos discutir esta questão numa mesa-redonda.

Também procurámos equilibrar a cobertura de tópicos fundamentais como a inovação terapêutica nas doenças imunomediadas com expressão cutânea e as doenças emergentes em Venereologia, mais precisamente o vírus mpox. A Venereologia é uma vertente importante da nossa especialidade, pelo que procurámos dar-lhe o destaque que merece.

Aliámos à atualização em infeções sexualmente transmissíveis um simpósio que foca a história de outra doença venérea, a sífilis, que provocou grandes malefícios na saúde das pessoas que a contraíam. Durante muitos séculos, até à descoberta da penicilina, esta doença não tinha cura eficaz. É importante não esquecer que todo o progresso científico implica esforço e trabalho.

Conseguir a cura de doenças que hoje em dia nos parecem simples e banais foi resultado de um longo caminho. Uma saúde melhor é uma conquista da civilização e da ciência.

Destacamos também o simpósio intitulado “Mens sana in locus sano”, reconhecendo que um local saudável e bem projetado pode contribuir significativamente para uma mente saudável. Temos procurado abordar nas nossas reuniões esta interligação entre a Dermatologia, o ambiente e outras áreas do conhecimento. Para isso, temos convidado académicos externos à SPDV, ligados a universidades das cidades onde decorrem os eventos. Neste caso, convidámos uma arquiteta paisagista, professora da Universidade de Évora.

Realço também os numerosos casos clínicos e comunicações que recebemos por submissão livre e que representam o trabalho clínico dos nossos colegas que todos os dias dão o seu melhor em prol dos doentes.

 

Quais as suas expectativas para esta reunião?
As expectativas para esta reunião são altas. Esperamos promover discussões produtivas, fomentar a colaboração entre especialistas e proporcionar uma plataforma para a partilha de conhecimentos e experiências.
Acredito que este evento será uma oportunidade valiosa para todos os participantes se atualizarem sobre os últimos desenvolvimentos na Dermatologia e estabelecerem novas parcerias profissionais.

 

Quer deixar uma mensagem aos congressistas?
Gostaria de agradecer a todos os congressistas pela sua participação e entusiasmo. Este evento é uma oportunidade única para aprendermos uns com os outros e para impulsionarmos a Dermatologia para novos patamares. Espero que aproveitem ao máximo as sessões, criem novas pontes de contacto e voltem para as suas práticas mais motivados.

Juntos, podemos continuar a melhorar a qualidade do atendimento aos nossos doentes e avançar no campo da Dermatologia. Bem-vindos e aproveitem a reunião!

 

Sílvia Malheiro

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Dermatologia. “Temos médicos de elevado nível profissional e universidades e internatos de excelência”

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27th International Meeting: Update on Dermatology. “São palestrantes de renome com muita experiência” https://saudeonline.pt/27th-international-meeting-update-on-dermatology-sao-palestrantes-de-renome-com-muita-experiencia/ https://saudeonline.pt/27th-international-meeting-update-on-dermatology-sao-palestrantes-de-renome-com-muita-experiencia/#respond Fri, 15 Mar 2024 08:58:06 +0000 https://saudeonline.pt/?p=156447 António Massa é o presidente do 27th International Meeting: Update on Dermatology Treatments, que decorre entre hoje e amanhã, no Porto. As últimas atualizações em terapêutica vão estar em debate numa reunião que conta com a presença de participantes dos Países Oficiais de Língua Portuguesa (PALOP).

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27th International Meeting: Update on Dermatology

Qual a importância deste evento?

Apresenta 24 temas de terapêutica e alguns com dois itens como é o caso da alopecia androgenética e hirsutismo. Na prática acabam por ser 30-40 temas sobre terapêutica. Os palestrantes são pessoas de renome, com muita experiência na área. É o 27.º, sem interrupção, e tem sido sempre muito participado, com uma média de 200 a 250 médicos em cada evento. Este ano, dos 28 dermatologistas de Angola, estarão presentes 22, tendo o consulado acelerado a vinda destas profissionais para o Meeting. É mais um momento de partilha entre Portugal e Angola. Em agosto passado estivemos no país pela quinta vez a tratar pessoas com albinismo, por exemplo. É um intercâmbio muito importante. Além disso, virão colegas de Moçambique, Cabo Verde e, pela primeira vez, virá um dermatologista da Guiné-Bissau. Contaremos ainda com a presença de colegas da Galiza.

A psoríase e a dermatite atópica são dois dos temas habituais. Que avanços há nestas duas entidades clínicas?

Estes e outros temas são sempre abordados, mostrando as últimas novidades. Também se fala sobre o que é mais antigo, mas que se mantém atual, quer nestas duas patologias quer noutras como alopecia, cancro da pele, entre outras. O programa é de elevada qualidade. Destaco ainda uma colega dos EUA que vai contar a sua experiência, como voluntária na Arménia sobretudo com o laser vascular em patologias como angiomas. Um imenso mundo de doenças é tratado com esta técnica. As novidades serão avançadas nestes dois dias…

“No caso do vitiligo, a fototerapia ultravioleta B banda estreita continua a ser a primeira opção e com a qual temos uma experiência no vitiligo desde há 23 anos”

E relativamente ao vitiligo, que é uma área à qual se tem dedicado há vários anos?

No caso do vitiligo, a fototerapia ultravioleta B banda estreita continua a ser a primeira opção e com a qual temos uma experiência no vitiligo desde há 23 anos. Ao contrário do que é dito na Wikipedia, esta doença tem tratamento. Os resultados na face e pescoço são a grande maioria das vezes resolutivos; é mais difícil essa eficácia nas áreas de pele em que a parte óssea está próxima, caso das mãos, cotovelos e joelhos. A utilização de tópicos, e por vezes medicação oral, ajudam no sucesso do tratamento – e atrevo-me a dizer que há doentes que ficam sem lesões durante anos. Estávamos a tratar uma rosácea com laser pulsado de contraste 595 nm e quando observámos o vitiligo onde o laser havia atuado, as lesões tinham desaparecido. Isto já aconteceu há muitos anos e foi fruto do acaso, como em muitas outras situações. É assim hoje este laser mais uma ajuda para estes doentes e quanto mais cedo iniciarem este tratamento, melhor. Temos doentes há cerca de 20 anos tratados sem recidiva.

Como avalia a ligação de Portugal com os PALOP na área da Dermatologia?

É excelente! A formação conta, em parte, com o patrocínio da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia. O Dr. Miguel Correia e o Dr. Pedro Andrade têm sido grandes entusiastas em dar apoio a colegas, de São Tomé e Príncipe que não tinha Dermatologia. Atualmente, temos uma colega desse país  em Coimbra, em formação. O mesmo acontece com Angola e outros. Há temas deste evento que foram escolhidos já a pensar na realidade que estes colegas têm no seu local de trabalho. Queremos estreitar laços com os nossos colegas amigos.

MJG

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Vitiligo. Informação desatualizada na internet impede acesso a tratamento

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Dermatologia. “Temos médicos de elevado nível profissional e universidades e internatos de excelência” https://saudeonline.pt/dermatologia-temos-medicos-de-elevado-nivel-profissional-e-universidades-e-internatos-de-excelencia/ Fri, 24 Nov 2023 10:29:23 +0000 https://saudeonline.pt/?p=151763 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Dermatologia. “Temos médicos de elevado nível profissional e universidades e internatos de excelência” aparece primeiro em Saúde Online.

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Dermatologia

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“A MGF é a porta de entrada no SNS. É essencial que estejam familiarizados com as doenças dermatovenereológicas” https://saudeonline.pt/a-mgf-e-a-porta-de-entrada-no-sns-e-essencial-que-estejam-familiarizados-com-as-doencas-dermatovenereologicas/ https://saudeonline.pt/a-mgf-e-a-porta-de-entrada-no-sns-e-essencial-que-estejam-familiarizados-com-as-doencas-dermatovenereologicas/#respond Mon, 16 Oct 2023 10:56:54 +0000 https://saudeonline.pt/?p=149769 João Alves, presidente das V Jornadas de Atualização em Dermatologia e Venereologia de Almada, fala deste evento que considera ser uma oportunidade de formação em Dermatologia, sobretudo para a Medicina Geral e Familiar, mas não só.

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O diretor do Centro de Responsabilidade Integrada de Dermatovenereologia (CRID) do Hospital Garcia da Orta, em Almada, salienta a necessidade dos médicos de família se manterem atualizados nesta área. São eles a porta de entrada dos doentes no SNS e, tendo em conta a prevalência das patologias cutaneomucosas, estes devem estar familiarizados com as suas principais manifestações e tratamentos, principalmente os que dispõem de menor apoio da Dermatologia nas suas regiões, como no Alentejo e no Algarve.

 

Esta é a 5.ª edição das Jornadas de Atualização em Dermatologia e Venereologia de Almada. Estiveram suspensas durante uns tempos devido à pandemia covid-19, mas gora que estão de regresso, vão voltar a ser anuais?
Infelizmente, as jornadas tiveram de ser suspensas durante o período da pandemia. Ainda foi colocada a hipótese da sua retoma em 2022, mas optou-se pela sua realização apenas este ano, de forma a serem planeadas e divulgadas atempadamente.

Anteriormente eram jornadas anuais, mas, neste momento, ainda não está decidido se se vai manter um evento anual ou se passará a ocorrer apenas de dois em dois anos. Atualmente, existem muitas jornadas e simpósios e, talvez, faça mais sentido que seja uma organização bienal. De qualquer forma, ainda estamos em processo de decisão. Vamos aguardar pelo feedback dos participantes.

 

Estas jornadas destinam-se sobretudo à Medicina Geral e Familiar (MGF). Porquê?
São sobretudo destinadas a médicos de MGF, mas existem colegas de outras especialidades para os quais também faz sentido a participação nas nossas jornadas. São disso exemplo, aquelas que têm patologias em comum com a Dermatologia, como a Imunoalergologia, a Reumatologia, a Infeciologia, a Medicina Interna, a Cirurgia Plástica e Reconstrutiva, entre outras. No entanto, destinam-se fundamentalmente a MGF, razão pela qual, um dos temas abordados refere-se à “Referenciação hospitalar e telerrastreio”, que terá como moderador também um colega de MGF.

 

Qual a importância desta ligação com a MGF?
A ligação é fundamental. É, por essa razão, que gostamos de realizar estas jornadas. Aliás, a nossa ligação com os ACeS, nomeadamente com o de Almada-Seixal, tem sido sempre ótima e tem-se mostrado uma mais-valia não apenas para os doentes, como também para os profissionais.

Os ACeS são a porta de entrada no SNS, através da MGF, pelo que os colegas devem ter formação nesta área, de forma a orientarem adequadamente os doentes e desenvolveram a prevenção e promoção da saúde, que também é o seu papel.

Normalmente, as patologias mais frequentes, como as lesões benignas ou dermatoses ligeiras, são orientadas pelos colegas de MGF. No caso de suspeita de lesões malignas ou dermatoses moderadas a graves, que não respondam ao tratamento ou que necessitem de outro tipo de orientação, o doente é referenciado, mas, para que o façam corretamente, os médicos de família têm de ter formação na área da Dermatologia. Como contactam com várias patologias, têm que saber um pouco de tudo. É bom que se mantenham atualizados e que tenham formação em várias áreas.

Além de uma oportunidade de formação, as Jornadas de Atualização em Dermatologia e Venereologia de Almada, são também um momento de discussão, de perceção das dificuldades vividas pelos colegas de MGF no que respeita à referenciação e das dúvidas mais frequentes.

 

Considera que a referenciação, hoje em dia, já é feita atempadamente e com qualidade? Tem vindo a melhorar ao longo dos anos?
A referenciação tem vindo a melhorar muito ao longo do tempo. Claro que é um pouco heterogéneo, dependendo da área do país. No entanto, aqui, resumindo à nossa grande área de referenciação, Almada-Seixal e Arco Ribeirinho, tem progredido muito em termos de qualidade. Os colegas têm cada vez mais formação na área da Dermatologia. Como é sabido, os recursos humanos em Dermatologia do SNS são escassos, pelo que os médicos de família, principalmente os do Alentejo e Algarve, têm que dar uma resposta ainda melhor. Uma realidade diferente da de Almada ou Seixal, que dispôe mais facilmente do nosso apoio.

Por outro lado, a introdução do telerrastreio, com possibilidade de envio de fotografias, veio melhorar muito a triagem, uma vez que, associada à informação clínica, a imagem permite-nos fazer uma melhor triagem. Por vezes é, até possível sugerir alguma terapêutica, enquanto o doente espera pela consulta presencial no hospital. Isto é ótimo para nós, para os colegas da MGF e principalmente para o doente. É óbvio que o telerastreio, tal como o próprio nome indica, serve para rastreio (triagem) e não substitui a avaliação presencial, mas como ferramenta de triagem veio facilitar muito esta atividade.

 

Há algum tema do programa que destaque?
Procurámos construir um programa tão diversificado quanto possível. É difícil abordar todos os temas, mas pela primeira vez, as jornadas terão a duração de dois dias (um dia completo e uma manhã) e não apenas de um dia como habitualmente. Iremos passar pela patologia cutaneomucosa inflamatória mais frequente e também pela tumoral e teremos vários casos clínicos interativos para discussão.

 

As V Jornadas de Atualização em Dermatologia e Venereologia de Almada são uma organização da Cútis Sana – Associação de Dermatovenereologistas de Almada, com o apoio do Centro de Responsabilidade Integrada de Dermatovenereologia (CRID) do Hospital Garcia de Orta, que foi criado em março de 2021. Quais os ganhos que tem trazido para os profissionais?
A avaliação é boa. O CRID é uma forma de gestão intermédia que nos tem permitido trabalhar mais em equipa multidisciplinar. Do CRID fazem parte, não só os médicos, como também uma equipa de enfermeiros, assistentes técnicos e de assistentes operacionais. Trabalhamos todos para um objetivo comum, que é centralizar os cuidados de saúde no utente, naquilo que mais precisam. Este método de organização tem-nos permitido, não apenas aumentar a acessibilidade dos utentes, como reduzir os tempos médios de resposta. Possibilitou-nos ainda a realização de consultas mais diferenciadas, que não tínhamos há três anos, sendo exemplos disso as consultas de tricologia, hidradenite supurativa e dermatoses imunomediadas. Aumentámos também a multidisciplinaridade, através da consulta bidisciplinar com a Reumatologia, da consulta multidisciplinar de úlcera de perna e da consulta multidisciplinar de cancro cutâneo.

Por outro lado, começamos a descentralizar e estamos mais próximos da comunidade. Temos já uma consulta descentralizada de Dermatologia, que decorre estrategicamente nas Vias Verdes Almada-Seixal, por sugestão do ACeS, dirigida à população sem médico de família, ou seja, com dificuldade em aceder aos cuidados de saúde.

Existe também a consulta descentralizada de infeções de transmissão sexual, que realizamos – em colaboração com a autarquia de Almada e com o GAT – Grupo de Ativistas em Tratamentos – em multidisciplinaridade com o Serviço de Infeciologia (que realiza consulta de PREP e hepatites), de forma a estarmos na comunidade e perto da população altamente vulnerável.

O CRID tem sido muito positivo não só para nós, profissionais, permitindo sentirmo-nos realizados profissionalmente, como também para o utente.

 

Como avalia o Estado da Dermatologia no SNS, sobretudo no que respeita à carência de especialistas?
Com muita inquietação. Infelizmente, à semelhança de tantas outras especialidades, o SNS tem vindo a perder especialistas nesta área. Muitas das queixas dos doentes são do foro dermatovenereológico, sendo o cancro cutâneo o mais frequente. O melanoma maligno é o tumor que mais mata em idade jovem. É essencial cativar e reter especialistas em Dermatovenereologia no SNS, porque só este é universal e geral.

 

Voltando às jornadas, o dermatologista Francisco Menezes Brandão é o presidente honorário do evento. Qual a razão desta homenagem?
Felizmente posso dizer que fui formado num Serviço onde vários especialistas se tornaram meus ídolos e modelos, alguns dos quais, felizmente, ainda trabalham no nosso Serviço. Outros, embora presentes há pouco tempo, já são, não tenho dúvidas, exemplos para os nossos internos e para os nossos doentes. Já o são para mim. Mesmo os que já não trabalham connosco continuam muito ligados a nós. Como as jornadas foram suspensas durante os anos da pandemia e agora foram retomadas como um “renascimento”, decidimos homenagear o Dr. Francisco Menezes Brandão, o nosso primeiro diretor e fundador do Serviço. Continua a ser um Dermatologista respeitado por todos, reconhecido nacional e internacionalmente e um exemplo de pessoa. Tenho também de elogiar a Dr.ª Elvira Bártolo que se seguiu na Direção do Serviço, mantendo a sua qualidade e prestígio, tendo sido ela que deu início a estas jornadas, e merecendo por isso, também esta homenagem. Por último, mas não menos importante, a Dr.ª Constança Furtado, diretora que me antecedeu, que manteve o Serviço e a realização das jornadas, estando, tal como todos os que aqui foram nomeados, presentes na moderação de algumas mesas das jornadas que se aproximam.

 

Quais as suas expectativas para estas jornadas?
Mesmo com outras jornadas em datas próximas, esperamos uma forte adesão.  Prevemos cerca de 100 pessoas, que era a média antes da pandemia. As V Jornadas de Atualização em Dermatologia e Venereologia de Almada são uma oportunidade de formação, de convívio e de partilha de experiências, principalmente para os colegas de MGF desta área geográfica e do Alentejo e Algarve.

 

SM

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