Consultório-NeuropDiabética - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/consultorio-neuropdiabetica/ Notícias sobre saúde Tue, 14 Jan 2020 12:02:45 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Consultório-NeuropDiabética - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/consultorio-neuropdiabetica/ 32 32 Médicos colocam-se na pele de doentes com Neuropatia Periférica https://saudeonline.pt/medicos-colocam-se-na-pele-de-doentes-com-neuropatia-periferica/ Thu, 09 Jan 2020 10:31:35 +0000 https://saudeonline.pt/?p=82778 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Médicos colocam-se na pele de doentes com Neuropatia Periférica aparece primeiro em Saúde Online.

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Neuropatia periférica

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Neuropatia atinge 50% dos diabéticos. Conheça os sintomas https://saudeonline.pt/neuropatia-atinge-50-dos-diabeticos/ https://saudeonline.pt/neuropatia-atinge-50-dos-diabeticos/#respond Thu, 14 Nov 2019 10:22:54 +0000 https://saudeonline.pt/?p=80733 Uma em cada três pessoas poderá evoluir para um quadro debilitante. "É fundamental que as pessoas reconheçam os sintomas", sublinha o médico Jorge Brandão.

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Formigueiro, dormência, picadas nos braços e pernas, dor? Estes são sintomas típicos da Neuropatia, que afetam, sobretudo, o sistema nervoso periférico. Os danos podem ser irreversíveis.

A Neuropatia corresponde a um quadro de lesões nos nervos motores, sensoriais e/ou autónomos, que afetam diferentes fibras nervosas. Ocorre quando há lesão no sistema nervoso periférico, como nos nervos dos braços e das pernas, o que conduz a um quadro sintomático desconfortável e perturbador da qualidade de vida dos doentes”, explica Jorge Brandão, médico de medicina geral e familiar e Vice-presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF).

1 em cada 3 pessoas poderá evoluir para um quadro debilitante. Os sintomas da Neuropatia são ainda muitas vezes ignorados, subvalorizados ou não detetados por médicos e doentes.

O Núcleo Saúde Mais Próxima, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), com o apoio científico da APMGF, promove ações de sensibilização e rastreio gratuitas, em dez bairros municipais e históricos da cidade de Lisboa.

Desde dia 11 e até dia 22 de novembro, os enfermeiros do Núcleo Saúde Mais Próxima estarão, das 9h15 às 17h45, numa ação que tem como objetivo o despiste precoce de sinais e sintomas sugestivos da Neuropatia. Será realizada a avaliação do pé e de outros parâmetros, tais como glicemia, pressão arterial e índice de massa corporal (IMC).

 

Prevê-se que a Neuropatia Diabética atinja 50% da população diabética

 

A Neuropatia é uma das complicações da Diabetes. O aumento da glicose no sangue (hiperglicemia) é uma das causas mais importantes desta complicação.

A Neuropatia diabética manifesta-se através de sintomas como dormência ou sensação de queimadura nos membros inferiores, formigueiro, picadas, choques, agulhadas nas pernas e pés, desconforto ou dor e perda da sensibilidade táctil, entre outras. No entanto, os sintomas da Neuropatia são ainda muitas vezes ignorados, subvalorizados ou não detetados por médicos e doentes.

“É fundamental que as pessoas, em especial os grupos de risco, reconheçam os sintomas e procurem identificá-los junto do seu médico, de modo a travar ou controlar a doença”, alerta Jorge Brandão, médico de medicina geral e familiar e Vice-presidente da APMGF.


As campanhas de Sensibilização e Rastreio permitem alertar a população e os médicos assistentes para a importância do diagnóstico precoce.

Reconhecendo a importância de intervir junto da população, no que toca à prevenção primária, o Núcleo Saúde Mais Próxima, com o apoio de sociedades científicas, aposta em ações de sensibilização e rastreio de patologias que afetam a maioria da população portuguesa”, esclarece Guida Amorim, Diretora do Núcleo Saúde Mais Próxima, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Nesta ação de sensibilização, e atendendo às especificidades da neuropatia, Guida Amorim esclarece que “sempre que se verifique a necessidade de observação e avaliação médica, a pessoa rastreada é encaminhada para o seu médico assistente, com um parecer realizado pelos profissionais de saúde”. Acrescenta, ainda, que “esta será a segunda fase da iniciativa. A primeira decorreu durante o passado mês de julho, com 226 consultas/rastreios registados, verificando-se que 23% das pessoas rastreadas tinham Diabetes e que existia ainda um elevado desconhecimento em relação à neuropatia”.

Calendário “Saúde mais Próxima” – 09h:15 às 13h e das 14h às 17h:45

14/11: Largo 6 Marias (Bairro Cruz Vermelha)

15/11: Igreja Santo Condestável (junto à igreja)

18/11: Praça de Campolide

19/11: Bairro Padre Cruz (em frente ao Centro Cultural de Carnide)

20/11: Alameda da Encarnação (em frente à igreja)

21/11: Casal dos Machados (junto ao polidesportivo)

22/11: Rua Tito de Morais

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Diagnóstico de Neuropatia Periférica: um puzzle difícil de montar https://saudeonline.pt/diagnostico-de-neuropatia-periferica-um-puzzle-dificil-de-montar/ https://saudeonline.pt/diagnostico-de-neuropatia-periferica-um-puzzle-dificil-de-montar/#respond Thu, 27 Jun 2019 12:41:31 +0000 https://saudeonline.pt/?p=74103 Durante o mês de maio e junho, a Procter & Gamble Health realizou 18 sessões sobre a Neuropatia Periférica através de um ciclo de conferências sobre a temática para os especialistas de Medicina Geral e Familiar (MGF).

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A iniciativa, que começou com um treino de 18 médicos formadores, pressupunha que cada um destes médicos liderasse uma sessão de formação nas diferentes zonas do país com objetivo de impactar cerca de 200 médicos de MGF e sensibilizar a classe médica para a Neuropatia Periférica e a importância do diagnóstico precoce.

Num ambiente acolhedor e familiar, com os especialistas sentados em redor de uma mesa oval, a Saúde Online assistiu a uma destas sessões, direcionada para a Neuropatia Periférica Diabética, onde a endocrinologista Dr.ª Ana Margarida Palha alertou para a necessidade e a importância de um diagnóstico precoce e, consequentemente, um tratamento mais eficaz de forma a proporcionar uma “melhoria da qualidade de vida do doente”.

O que é a Neuropatia?

No âmbito desta sessão, a Saúde Online entrevistou a oradora e médica especialista em Endocrinologia e Nutrição do Hospital Curry Cabral e CUF Descobertas, Dr.ª Ana Margarida Palha, que começou por explicar no que consiste a Neuropatia Periférica:

“A neuropatia, em termos gerais, é definida como uma perturbação das células nervosas, podendo classificar-se de acordo com a causa, localização dos nervos envolvidos ou características da lesão. No caso da neuropatia periférica estão afetadas as fibras nervosas do sistema nervoso periférico, que incluem nervos motores, sensitivos ou autonómicos.”

Drª. Ana Margarida Palha

De acordo com a Dr.ª Ana Margarida Palha, cada nervo tem um papel diferente no organismo do ser humano:

 – Os nervos motores têm um “papel importante no controlo muscular”;

 – Os nervos sensitivos permitem a “perceção do toque, vibração, posição, temperatura e sensibilidade à dor”;

 – Já os nervos autonómicos “controlam funções involuntárias e semi-voluntárias, como o batimento cardíaco, sudação, função gastrointestinal e pressão arterial”.

A neuropatia diabética é uma patologia heterogénea, afetando diversas partes do sistema nervoso, com diferentes manifestações clínicas. As fibras nervosas sensitivas e as autonómicas são precocemente afetadas, sendo as fibras motoras habitualmente atingidas em estádios mais avançados da doença.

Neuropatia em Portugal

No que respeita ao número de casos da doença em Portugal, a médica sublinhou que “não é conhecida a sua verdadeira prevalência, acreditando-se que seja ainda subestimada”. Confirma, porém, que diversos “estudos epidemiológicos sugerem que a taxa de prevalência da neuropatia periférica de várias causas é de 8% na população em geral, afetando mais de 50% dos doentes diabéticos, idosos e alcoólicos”.

A manifestação da doença

Os sintomas da Neuropatia Periférica são bastante variáveis, dependendo “do tipo e estadio de evolução da doença”. Normalmente, esta enfermidade “é caracterizada por queixas sugestivas de disfunção sensitiva, motora e/ou autonómica”.

 “Parestesias, hiperestesia, alodinia, dor tipo choque elétrico, mioclonias, sudorese, com eventual evolução para atrofia muscular e ausência de dor” são alguns dos sintomas que caracterizam esta patologia. Segundo a endocrinologista, a neuropatia periférica tem um efeito negativo ao restringir a qualidade de vida das pessoas afetadas. “No entanto, se for diagnosticada e tratada precocemente, pode regredir ou atrasar a sua progressão”, adverte.

Neuropatia Periférica Diabética

“A hiperglicemia crónica desempenha um papel fundamental na patogénese da neuropatia diabética, a qual está associada a múltiplos fatores relacionados com vias metabólicas, vasculares, inflamatórias e neuro degenerativas”, explica.

A médica afirma que são vários os mecanismos metabólicos associados à Diabetes que contribuem para a degeneração nervosa, nomeadamente a “ativação da via dos polióis, da via hexosamina, da proteína C quinase e a acumulação de produtos finais de glicação avançada”.

A deteção da Neuropatia

A neuropatia periférica é uma “doença crónica, frequentemente subdiagnosticada, pois apresenta início insidioso e por vezes assintomático”. A médica sublinha que existe ainda um “desconhecimento da doença por parte dos doentes, o que faz com que seus sintomas sejam muitas vezes ignorados ou não detetados.” Este facto aliado à “carência de ferramentas de diagnóstico adequadas ao tempo de consulta disponível dos profissionais de saúde” conduzem a um diagnóstico por vezes tardio.

Conferência sobre Neuropatia Periférica Diabética

O diagnóstico

“O diagnóstico precoce da neuropatia periférica é, por vezes, um desafio e depende do grau de suspeição, história clínica e exame físico adequados”, assentando “na utilização de testes de sensibilidade e musculares, essenciais para avaliar a sensibilidade superficial e profunda, os reflexos e a potência muscular, recorrendo-se em “casos raros, a testes electro fisiológicos ou biópsia do nervo”. No que diz respeito à neuropatia diabética “o seu diagnóstico é essencialmente clínico, devendo todos os diabéticos tipo 2 serem rastreados à altura do diagnóstico e os diabéticos tipo 1 cinco anos após, uma vez que até 50% dos doentes são assintomáticos numa fase inicial apesar de já apresentarem alterações ao exame objetivo”, esclarece.

Diagnóstico = Desafio

De acordo com a médica, “o desconhecimento dos sintomas por parte dos doentes, a ausência de protocolos de diagnósticos robustos, falta de ferramentas/técnicas de diagnóstico adequadas ao tempo de consulta disponível e o fato desta patologia estar associada a múltiplos fatores de risco e complicações torna o diagnóstico precoce da neuropatia ainda um desafio”.

Assim sendo, continua, “é fundamental sensibilizar os doentes e os profissionais de saúde para esta patologia, facilitando o seu reconhecimento precoce e instituição de terapêuticas adequadas que possam reverter ou atrasar a doença”.

Um dos métodos de diagnóstico da doença

Importância de um diagnóstico precoce

“O diagnóstico precoce é crítico para assegurar um alívio sintomático, controlo da causa e atrasar ou reverter a lesão do nervo”, explica. No caso do doente diabético, “o rastreio da neuropatia diabética é de extrema importância no reconhecimento de indivíduos de alto risco para úlceras de pé, evitando a progressão para amputação e na redução da morbilidade/mortalidade associada à neuropatia autonómica, particularmente cardiovascular”, esclarece.

Tratamentos para a Neuropatia Periférica Diabético

O tratamento da neuropatia periférica “inicia-se com a implementação de medidas de estilo de vida e controlo de fatores de risco”, nomeadamente através da adoção de uma “alimentação saudável, prática de exercício físico moderado, controlo da ingestão de bebidas alcoólicas, tabaco e níveis de glicémia”.

Segundo a médica, “o tratamento farmacológico para alívio da dor neuropática é muitas vezes desafiante e passa pela utilização de anticonvulsivantes (pregabalina, gabapentina, valproato de sódio, carbamazepina), antidepressivos (amitriptilina, duloxetina e venlafaxina), analgésicos comuns e opioides”.

Alerta, no entanto, que “os efeitos secundários dos anticonvulsivantes e antidepressivos são dose-dependentes e estão muitas vezes relacionados com o abandono da terapêutica. A utilização das vitaminas B (B1, B6 e B12) na terapêutica adjuvante tem demonstrado um papel importante na redução da dose destes fármacos, dado a sua contribuição aparente na regeneração da função nervosa”, remata a Dra. Ana Margarida Palha.

A importância de sensibilizar os especialistas de Medicina Geral e Familiar para esta patologia

A Neuropatia Periférica continua a ser uma “doença crónica fortemente debilitante da qualidade de vida do doente”. A Neuropatia Periférica Diabética constitui a sua principal etiologia no mundo ocidental, “afetando mais de 50% dos doentes diabéticos e sendo responsável por cerca de dois terços das amputações não-traumáticas”. Esta complicação pode ser inicialmente silenciosa e evoluir lentamente acarretando consequências graves para o doente.

Desta forma, torna-se “essencial desenvolver técnicas rotineiras de diagnóstico adequadas ao tempo de consulta, que passa por uma abordagem multidisciplinar, no qual todos os profissionais de saúde devem estar envolvidos, procurando assim vencer a inércia terapêutica decorrente do subdiagnóstico”, conclui.

O que acharam os médicos desta intervenção?

A Dra. Susana Vieira, de 32 anos, médica de Medicina Geral e Familiar, explica-nos a importância desta sessão sobre Neuropatia Periférica (essencialmente Neuropatia Periférica Diabética) para a sua prática clínica:

“A Neuropatia Diabética é muito importante para nós [médicos de MGF] que, apesar de ser difícil de diagnosticar no dia-a-dia dos diabéticos devido ao curto tempo das consultas, é algo que temos que ter presente e daí ser tão importante termos uma constante formação com atualizações sobre esta área e com este tipo de alertas e orientações”, disse explicando que “deveriam ser realizadas mais sessões deste género”.

Afirmou ainda utilizar várias outras escalas de diagnóstico para diagnosticar a doença, mas declarou não conhecer aquela que foi apresentada pela palestrante [Neuropathy symptom score (NSS)]: “Esta escala não utilizava, mas vou ver melhor para aplicá-la na consulta”. Além disso, a jovem médica explica: “há sempre noções que não temos e que podem, de facto, ser utilizadas na prática clínica.

Já o Dr. João Ramos, de 39 anos, especialista em Medicina Geral e Familiar, que exerce na Unidade de Saúde Familiar “Carnide Care” conta-nos o que achou desta sessão em particular:

“Acho que esta sessão foi muito importante por duas razões: em primeiro porque nos permitiu estruturar ferramentas de apoio à nossa consulta para o diagnóstico mais precoce da Neuropatia Periférica, de modo a otimizar o tempo que temos disponível na consulta; a segunda vantagem que retiro desta sessão o quer há de evidência científica em relação à terapêutica com terapias coadjuvantes – neste caso o complexo B – para complementar as terapêuticas que já estão consagradas com os anticonvulsivantes”.

Relativamente ao tempo das consultas, Dr. João Gomes diz que “o tempo é muito curto” e explicou:

“Na prática o doente aparece-nos na consulta com inúmeras queixas, ou seja, nós na consulta não só temos que lidar com os múltiplos problemas que nos preocupam, como muitas vezes temos que ‘batalhar’ com o facto de o próprio doente trazer uma agenda para a consulta, que também essa nos consome tempo. Portanto, termos esta possibilidade de, em dois ou três gestos, com duas ou três ferramentas, conseguirmos perceber logo se o doente é um doente de risco aumentado ou de baixo risco para o problema da Neuropatia é muito vantajoso.”

Mesmo com este problema do tempo limitado de consulta, o especialista afirmou que é possível determinar se o paciente tem ou não esta patologia, “quer em termos de questionários validados e, portanto, de escalas, quer em termos de ferramentas e de gestos clínicos que podemos utilizar na consulta.”

Concluiu, dizendo que “sem dúvida nenhuma que isto é muito importante”.

Erica Quaresma

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Em Portugal, há mais de 2 milhões de pré-diabéticos https://saudeonline.pt/em-portugal-ha-mais-de-2-milhoes-de-pre-diabeticos/ https://saudeonline.pt/em-portugal-ha-mais-de-2-milhoes-de-pre-diabeticos/#respond Tue, 08 Jan 2019 16:26:38 +0000 https://saudeonline.pt/?p=65322 A Hiperglicemia Intermédia, também conhecida como pré-diabetes, é uma condição em que os níveis de glicose no sangue apresentam-se superiores ao normal, não sendo, contudo, critério diagnóstico de diabetes. Ao Saúde Online, a endocrinologista Paula Freitas explicou um pouco sobre esta primeira fase da doença, possível de reverter.

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“Quando falamos em pré-diabetes falamos no risco para a Diabetes tipo 2. Dizemos que o individuo tem pré-diabetes quando tem uma glicose em jejum com um valor superior a 100 e inferior aos 126. Se for igual ou superior a 126, já é diabético”, começa por explicar a Dra. Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), acrescentando que “na pré-diabetes, os doentes podem ser assintomáticos”, levando a que 9 em cada 10 desconheçam que sofrem desta patologia, tornando-se importante estar alerta para sintomas como a sede e fome constantes, cansaço extremo, problemas de visão, feridas que demorem algum tempo a sarar, dormência, formigueiro e dor nas mãos e nos pés que podem ajudar a reconhecer pré-diabetes.

A médica endocrinologista realça, no entanto, que é possível reverter esta condição, assim como a diabetes tipo 2, sendo a perda de peso fator primordial nesse processo: “A perda de peso está associada à reversão da diabetes para a pré-diabetes e da pré-diabetes para o normal. Para tal, é essencial praticar exercício de forma regular; perder o excesso de peso; seguir uma alimentação equilibrada incluindo vegetais, fibras e frutas; evitar as gorduras, os hidratos de carbono refinados; evitar o consumo de bebidas alcoólicas; aumentar o consumo de água. Em resumo: um estilo de vida o mais saudável possível”

Estima-se que cerca de 70% dos indivíduos com pré-diabetes estão em risco de desenvolver diabetes, estando entre 15 a 30% em risco de a desenvolver num prazo de 5 anos. De acordo com os dados do Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes referentes a 2015, a Hiperglicemia Intermédia, a chamada pré-diabetes, afeta 27,4% da população portuguesa com idades compreendidas entre os 20 e os 79 anos, o que corresponde a 2,1 milhões de pessoas. Dentro desta doença, algumas pessoas sofrem de Alteração da Glicemia em Jejum (AGJ) ou Tolerância Diminuída à Glicose (TDG), ou as duas em simultâneo. Considerando a mesma faixa etária, o relatório aponta para uma prevalência de 10.4% da população portuguesa com AGJ, 14.3% com TDG e 2.7% a sofrer de ambas as condições.

De forma a contrariar estes números num futuro próximo, a especialista considera “importante que as pessoas saibam que existem ferramentas que elas próprias podem usar para avaliar o seu risco de diabetes com contas muito simples e, se de facto tiverem um risco elevado, devem consultar o seu médico”, salienta, tomando como exemplo o FINDRISK, um instrumento que permite calcular o risco de desenvolver a diabetes considerando critérios como a idade, o IMC, género, atividade física, entre outros. Aliado às informações que daqui se podem obter, nomeadamente um possível diagnóstico, é prioritário que a população ganhe consciência para os riscos da diabetes: “É preciso que saibam que a diabetes tipo 2 está ligada à obesidade. Se perderem peso, perdem a diabetes. É reversível. Outra coisa que têm que saber é que a diabetes é uma doença grave, porque está associada a múltiplas doenças: retinopatia, neuropatia, doenças cardiovasculares, amputações e muitas mais doenças. É, por isso, crucial ter uma atitude preventiva e seguir um estilo de vida saudável”, conclui.

Mónica Abreu Silva

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Diabetes e disfunção erétil podem ter ligação genética https://saudeonline.pt/diabetes-e-disfuncao-eretil-podem-ter-ligacao-genetica/ Wed, 02 Jan 2019 12:19:56 +0000 https://saudeonline.pt/?p=64860 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Diabetes e disfunção erétil podem ter ligação genética aparece primeiro em Saúde Online.

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Ana Luísa Costa: “Médicos devem estar um passo à frente no rastreio da neuropatia” https://saudeonline.pt/ana-luisa-costa-medicos-devem-estar-um-passo-a-frente-no-rastreio-da-neuropatia/ https://saudeonline.pt/ana-luisa-costa-medicos-devem-estar-um-passo-a-frente-no-rastreio-da-neuropatia/#respond Fri, 28 Dec 2018 10:40:02 +0000 https://saudeonline.pt/?p=64822 A neuropatia periférica é uma doença que afeta o sistema nervoso periférico e que atinge os diabéticos, idosos e alcoólicos. Ao Saúde Online, Ana Luísa Costa, médica e coordenadora do Grupo de Estudos de Neuropatia Diabética da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, falou sobre os sintomas e o tratamento deste problema subdiagnosticado.

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Como se desenvolve a neuropatia periférica?

A neuropatia desenvolve-se quando os nervos periféricos que fazem a comunicação entre a periferia, onde temos os recetores ao nível da pele, e o sistema nervoso central sofrem uma lesão.

Pode ter várias etiologias. A que conhecemos melhor, pela sua prevalência, é a diabetes, mas existem outras causas associadas.

Quais são os principais sintomas?

A neuropatia pode apresentar-se numa forma subclínica. Isto é, pode manifestar-se pela perda de sintomas. As pessoas não se apercebem tanto da patologia.

Enquanto que outros pacientes podem apresentar sintomas atípicos, tais como: parestesias, disestesias associados aos formigueiros, às picadas e ao ardor. Em alguns casos pode haver fraqueza muscular, dormência, a hipersensibilidade extrema. Tudo isto se engloba nos sintomas atípicos porque são difíceis de descrever e são facilmente confundidos com outras doenças.

Com que tipo de doenças?

Associam um pouco à dor típica osteomuscular, que é a dor mais conhecida. É importante conseguir rastrear e perguntar diretamente pelos sintomas. São difíceis de descrever e, por vezes, só procuram ajuda quando a intensidade da dor vai de moderada a grave.

E como é feito o rastreio?

O rastreio está associado à suspeita de as pessoas virem a sofrer de neuropatia. No caso da diabetes, falamos de rastrear uma complicação desta doença como rastreamos a retinopatia, a doença renal e a lesão do pé, por exemplo.

Através da pesquisa de sensibilidade motora, analisamos se a pessoa consegue identificar um traumatismo, ou seja, estamos a pesquisar aquela causa subclínica e a perceber se já perderam o tal sintoma.

Só que também temos doentes com dor neuropática. Sendo algo atípico, podem ter dificuldade na sua descrição. É por isso importante que o médico tenha um passo à frente para saber se tem os fatores de risco: o caso da diabetes, pessoas mais idosas, alcoolismo, pessoas com restrições alimentares como os vegetarianos pelo défice da vitamina B12.

Qual a intervenção recomendada para essas situações?

Se houver défice de vitamina B12, que resulta de restrições alimentares, podemos dar suplementos e fornecer essa vitamina. No caso da diabetes, atuamos no controlo da glicémia e dos fatores de risco cardiovasculares, e conseguimos travar a sua progressão.

A neuropatia associada à diabetes pode não ser só devida à própria diabetes, mas como efeito secundário de alguns fármacos, levando ao défice da vitamina B12. Novamente, nesse caso, podemos dar a suplementação.

Quando falamos em rastreio, podemos não ter uma solução, mas temos meios para controlar. Podemos não curar, mas podemos contribuir para aliviar os sintomas. Dispomos de instrumentos farmacológicos para ajudar esta pessoa a ter uma vida normal.

Qual a expressão desta doença em Portugal?

Não temos estudos sobre a prevalência da neuropatia em Portugal. Na Sociedade Portuguesa de Diabetologia começámos a desenvolver um estudo sobre a prevalência de neuropatia diabética. Estudámos principalmente o território da Madeira, à volta de 500 inquéritos, e determinámos uma prevalência de neuropatia diabética de 15%.

Existem poucos estudos porque falamos de uma doença difícil de diagnosticar. Quando falamos de prevalência não falamos de rastreio, falamos de uma forma rápida de determinar a patologia e isso não existe aqui. Não há só um instrumento para diagnosticar a neuropatia; é preciso um exame neurológico, o historial, ter em conta outras doenças.

No caso da Diabetes, conseguimos determinar a prevalência pelo teste da glicémia; na neuropatia é preciso ter em conta vários fatores: é preciso um exame neurológico, o historial e ter em conta outras doenças associadas.

Saúde Online

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