17 Mar, 2017

Natureza das tarefas influencia rapidez do movimento em pacientes pós-AVC

Estudo revela a natureza das tarefa realizadas tem implicações no tempo e na qualidade de execução do movimento, que é mais rápido se associado a objetos com função específica.

Investigadores do Porto concluíram que em pacientes saudáveis e pós-AVC a natureza da tarefa que pretendem desempenhar tem implicações no tempo e na qualidade de execução do movimento, sendo este mais rápido quando associado a objetos com função específica.

Verificou-se que os padrões do movimento, tanto no que se refere ao tempo como à precisão, são influenciados pelo objeto que está a ser manipulado, diferindo quando se trata de um objeto com uma função associada, como uma garrafa, ou de um sem função específica, como uma caixa de cartão, disseram à Lusa a investigadora Mariana Silva e a responsável pelo projeto, Sandra Mouta.

Também o tipo de instrução tem influência nesses dois parâmetros, quando são comparadas tarefas intencionais, como beber, com movimentos sem finalidade específica, como levantar um objeto, explicaram as investigadoras do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC).

Este são alguns alguns dos resultados do projeto HUMERAL – ‘Human Motor (re)Learning: the use of sensor information fusion’ ((Re)Aprendizagem motora humana: o uso da fusão de informação de sensores) – que visa verificar o papel, em termos de rapidez e precisão, dos movimentos do membro superior executados por pessoas com diagnóstico pós-AVC, consoante o tipo de objeto e o contexto (instrução).

“Sabemos que existem técnicas adotadas pelos fisioterapeutas para se focarem na estimulação de grupos musculares específicos e que há uma recuperação da atividade motora nos meses subsequentes ao AVC. Contudo, a recuperação da atividade motora do membro superior é habitualmente mais lenta, comparativamente à recuperação da marcha, e não completamente conseguida”, referiram as investigadoras.

Para as investigadoras, era essencial perceber de que forma a reabilitação pode ser mais direcionada para tarefas com implicações diárias, possivelmente contribuindo para uma melhoria da recuperação motora e, por fim, que se traduzisse numa maior autonomia por parte dessa população.

Os resultados obtidos neste projeto, como referiram, ajudam a identificar condições que potenciam a aprendizagem motora e a suportar o desenvolvimento de metodologias ou tecnologias de apoio ao treino e reabilitação física.

“Este suporte pode passar, por exemplo, pela seleção dos melhores estímulos, tarefas e ‘feedback’ a serem utilizados durante as sessões de treino motor ou cognitivo”, indicaram.

Os dados para o estudo foram recolhidos no Laboratório de Biomecânica do Porto (Labiomep) da Universidade do Porto, fazendo parte da primeira amostra participantes sem qualquer patologia ao nível dos sistemas motor e percetivo.

Posteriormente, foi realizada a coleta de dados de indivíduos com um diagnóstico específico – AVC unilateral na artéria cerebral média -, confirmado com exame neuroimagiológico e relatório médico, cujo período pós-AVC fosse de, pelo menos, seis meses.

Foram também tidos em conta outros fatores que pudessem influenciar os resultados do estudo, como dores musculares ou patologias neuromusculares e défices ao nível percetivo ou cognitivo.

No projeto participaram ainda o professor do INESC TEC Miguel Velhote Correia, duas fisioterapeutas da Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto, um técnico do Labiomep, uma investigadora de Ciências do Desporto, do Instituto Politécnico da Guarda, e outros colaboradores das áreas de engenharia e fisioterapia.

O Humeral foi financiado pela Fundação Bial em, aproximadamente, 50 mil euros.

MM com LUSA/SO

ler mais

RECENTES

ler mais