29 Nov, 2016

Moçambique corre contra o tempo no controlo da epidemia de sida

Moçambique é o oitavo país com maior prevalência de sida do mundo, com cerca de 1,5 milhões de pessoas infetadas, e 40 mil mortes anuais, e corre contra o tempo para cumprir a meta de erradicar a epidemia até 2030

Moçambique é o oitavo país com maior prevalência de sida do mundo, com cerca de 1,5 milhões de pessoas infetadas, e 40 mil mortes anuais, e corre contra o tempo para cumprir a meta de erradicar a epidemia até 2030.

Apesar de os dados oficiais apresentarem progressos no combate à sida, organizações internacionais alertam para a vulnerabilidade das faixas jovens a novas infeções pelo vírus de imunodeficiência adquirida (HIV, na sigla em inglês), sobretudo entre as mulheres, e para riscos relacionados com a própria demografia.

Segundo dados da ONU-Sida, o número de novas infeções entre adultos reduziu 40% entre 2004 e 2014 e a cobertura de tratamento a mulheres grávidas com HIV permitiu uma redução de 73% de novas contaminações de crianças.

No entanto, o país continua a registar mais de cem mortes por dia e a manter 1,5 milhões de pessoas infetadas, das quais mais de metade são mulheres e acima de cem mil são crianças.

Nas mulheres entre os 15 e 25 anos, a prevalência é ainda mais grave, três vezes mais alta do que nos homens, de acordo com dados do Governo, que procura alargar a cobertura clínica de assistência e o acesso a antirretrovirais, mas um terço dos doentes abandona o tratamento no primeiro ano.

O IV Plano Estratégico Nacional de resposta ao HIV/Sida 2015-2019, avaliado em 500 milhões de dólares (472 milhões de euros), prevê a redução do índice de mortalidade em 40%, aumentar para 80% o número de beneficiários de antirretrovirais e diminuir o abandono do tratamento ao fim de três anos.

Mas no início do ano o Conselho Nacional de Combate à Sida avisou que a meta de erradicação da doença até 2030 podia ser comprometida pela falta de financiamentos, ao mesmo tempo que o país mergulhava numa crise económica profunda e enfrentava uma expressiva redução da ajuda externa.

Em dezembro de 2015, Maputo recebeu os líderes de três das principais organizações internacionais de combate à epidemia, a primeira vez que visitaram juntos um país, e alertaram o Governo para a necessidade de políticas urgentes para reduzir novas infeções e evitar o descontrolo da epidemia.

“Acreditamos que há uma completa urgência”, disse na ocasião à Lusa Deborah Birx, coordenadora das Atividades de Combate ao VIH/Sida do Governo dos EUA, no fim de uma visita de dois dias a Moçambique com os diretores-executivos da ONUSIDA, Michel Sidibé, e do Fundo Global para o Combate à Sida, Tuberculose e Malária, Mark Dybul.

Apesar dos progressos, Moçambique, segundo Deborah Birx, está numa trajetória de “máximos históricos de novas infeções de HIV”, associadas a um grande aumento de casos de tuberculose, caso não se acelerassem medidas de controlo, e a demografia é parte da explicação.

Em Moçambique, tal como na África subsaariana, o número de jovens aumentou entre 30% e 40%, colocando esta faixa em risco de novas infeções, sobretudo mulheres, o que significa que, se um bebé salvo à nascença contrair o vírus quando fizer 16 anos porque não se fez nada, “é absolutamente trágico”.

Mesmo que se baixe a taxa de novas infeções, “se houver mais 40% em risco, então não se fez nada”, insistiu Deborah Birx, descrevendo um risco real de “descontrolo”, uma expressão também assumida pelo diretor-executivo do Fundo Global.

A coordenadora norte-americana referiu que as projeções até 2028 indicam uma clara diferença entre a estimativa de acentuada descida de novas infeções e mortes por HIV em Moçambique, caso haja novas medidas e urgentes, e os cálculos de subida contínua no mesmo período, “sem que se faça algo de diferente”.

SO/LUSA

 

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