24 Mar, 2017

Ministro da Saúde afirma que ainda há trabalho para fazer na diminuição da tuberculose

O ministro da Saúde disse hoje no Porto que os números relativos à tuberculose em Portugal em 2016 representam uma “evolução positiva”, considerando, contudo, que há ainda “um trabalho a fazer que não se esgota na saúde”

“O mais importante é sinalizar a tendência. Não podemos ignorar que o país passou por um ciclo de agravamento da pobreza, de degradação das condições de vida dos cidadãos, e que a pobreza e o deficiente rendimento estão muito associados a este tipo de doenças, à exclusão social ao isolamento”, disse Adalberto Campos Fernandes.

Portugal registou 18 novos casos de tuberculose por 100 mil habitantes em 2016, ano em que 18% das ocorrências foram em nascidos fora do país, um aumento que levou as autoridades de saúde a desenvolver estratégias com outros organismos.

De acordo com dados provisórios hoje divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS), no Dia Mundial da Tuberculose, a taxa de incidência (novos casos) de tuberculose em Portugal situou-se em 18 por 100 mil habitantes em 2016.

O ministro da Saúde, que hoje preferiu uma conferência sobre “Os grandes desafios do sistema de saúde”, na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, salientou que “o que é importante agora é criar condições para que as pessoas vivam um pouco melhor, para que o rendimento seja reposto, e que as redes sociais de apoio, não apenas da saúde, mas também as comunitárias possam retomar a trajetória de recuperação”.

“Queremos que, até final da legislatura, essa recuperação – não apenas daquilo que é o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas dos indicadores de saúde em áreas tão críticas como a tuberculose – possa ser assegurada”, frisou.

No seu entender, “há um trabalho a fazer que não se esgota na saúde. O papel dos serviços de saúde é importantíssimo pelas respostas imediatas, mas é importante também a ação com setor social, com a Segurança Social, com as comunidades e com as autarquias”.

“Estamos a falar de populações que são desfavorecidas, em grande parte, populações que vivem em condições de vida muito degradadas. Se passarem a viver numa habitação com o mínimo de condições e a ter uma alimentação melhor, naturalmente que isso fará que estas doenças venham a diminuir”, acrescentou.

“Portugal continua a ter uma das mais altas taxas de coinfecção tuberculose/VIH da Europa Ocidental que motiva o Programa a delinear estratégias que visem o rastreio da tuberculose em população VIH positiva e a identificar as barreiras ao tratamento preventivo nesta população”, refere a nota da DGS.

A autoridade de saúde destaca “a redução dos casos de tuberculose entre a população prisional e a população consumidora de drogas, traduzindo já o trabalho efetuado nestes grupos”.

LUSA/SO

 

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