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Metacrónica ou cogitações vadias

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“O destino nunca favorece quem não mede as consequências”
Ditado japonês

Após a minha última crónica, versando os problemas dos sistemas de informação (SI) do ministério da saúde (MS), uma sucessão de acontecimentos, que não vêm ao caso referir, levaram este hortelão de ideias a refletir sob a forma daquilo a que se poderia chamar uma metacrónica.

Seguramente causará estranheza, a quem não lida com os SI dos cuidados de saúde, a aspereza que impregna esse texto. Contudo, a indignação patente na prosa encontra eco nos que diariamente se confrontam com as misérias da nossa informática. A frustração e a indignação impregnam o dia a dia de milhares de utilizadores tolhidos no autêntico atoleiro informático criado pelo SPMS.

A raiz do problema está identificada e, curiosamente, é aceite, ao que parece, sem contestação pelo próprio diretório do SPMS: hardware obsoleto incompatível com as exigências do software cada vez mais sofisticado, mais abrangente e mais pesado. Mas se não há controvérsia neste ponto, porque se insistiu em ignorá-lo?  Pelo contrário, assistimos a um verdadeiro frenesim de lançamento de programas e aplicações sem investimento no hardware. Pior: gastou-se muito dinheiro na aquisição de novos computadores sem que se possam retirar benefícios significativos desse investimento. Um pouco como alguém que perante uma avaria dos amortecedores do automóvel decidisse adquirir um novo conjunto de óticas!

O problema não é de agora: confunde-se com o início da informatização e tem-se vindo a agravar. O caos instalado nos SI levou mesmo à paralisação de algumas unidades. Longe de se manterem na sombra, as falhas dos SI do SNS tem estado na ribalta e frequentes têm sido os avisos e apelos públicos, nomeadamente de figuras altamente representativas dos profissionais, para que a tutela ponha termo à atual política. Aparentemente sem resultado. É lamentável que se tenha chegado ao ponto de surgirem desabafos tão cáusticos como a pretérita crónica. A popularidade de estilos agressivos parecem-me inquietantes. Aparentam um resquício dos anos quentes de 74/75, quando nada era considerado legitimamente conseguido se o não fosse por meio de reivindicação, tão contundente quanto possível. É pena que se privilegie a postura corrosiva em detrimento da análise fria, minguada de emoção. Mesmo que por trás da emoção existam razões, deveria ser desnecessário realçá-las com alvoroço próprio do que é emotivo, porque obscurece o racional. Centrar a atenção na forma descorando o conteúdo é meio caminho andado para nos desviarmos do real.

Mas adiante.

Na pós-escrita, e mesmo tido tomado prévios cuidados para não correr o risco de ser injusto, esclarecimentos posteriores levaram-me a questionar se não haverá outros players com responsabilidade no descalabro dos SI do MS. Isto é: será o Prof. Henrique Martins o único culpado pelo irresponsável curso dos acontecimentos? O Prof. Henrique Martins vê-se no ingrato papel de arauto dos prodígios saídos dos estaleiros do SPMS. Fatalmente atrai sobre si a ira dos que conhecem e sofrem com a infausta realidade da ronçaria, das descontinuidades, dos bugs, da complexificação caótica, da proliferação de palavras passe, etc., etc., etc., apanágio da nossa parafernália informática. Mas não haverá alguma cumplicidade, ainda que ditada pela ingenuidade, por parte da tutela?

Aqui chegados vale a pena refletir sobre as culpas dos “sucessivos governos” e sobre o uso deste lugar comum, tão confortável para quem o aplica e tão escorregadio. Trocando por miúdos: com o apontar o dedo aos ‘sucessivos’ pretende o acusador descartar qualquer suspeita de parcialidade sua, a soldo da oposição do momento. Mas, por outro lado, esta incriminação aos ‘sucessivos governos’ arrisca-se a encerrar-nos numa visão não só redutora e, portanto, desfocada da realidade, mas sobretudo imobilista, fatalista. O regime democrático acusado de imobilismo, concluindo-se que a alternância dos partidos é inútil, pode parecer ser o visado.

Contudo, uma visão mais séria e abrangente da História leva-nos a concluir que há agruras que são transversais aos regimes e, por isso, mais imputáveis a atavismos intrínsecos dos portugueses que a tiques ideológicos ou partidários. É que ele há desacertos que não se podem atribuir a governos, nem mesmo a regimes: são intrinsecamente portugueses. São coisas da raça. Quando assim é, quando o tal lugar comum se aplica com adequação, devia-se romper com o habitual niilismo castrador e enfrentar a realidade das maleitas profundamente com intuito de a mudar.

Vejamos um exemplo: o gosto dos portugueses pelo sumptuoso, mesmo quando não tenham onde cair mortos, é mácula que vem de longe. Talvez desde o séc. XVI, quando as ucharias das costas de África e do sul da Ásia começaram a fluir para as bolsas dos portugueses. Ao contrário dos holandeses, para quem “chapa ganha, chapa acumulada ou investida”, os tugas cedo optaram pelo mote: “chapa ganha, chapa gasta”, de preferência em ostentação. Dispensando estender o rol de exemplos que polvilham a nossa História, evoquemos apenas a nossa extravagante rede autoestradas, considerada a 2ª ou 4ª melhor do mundo, consoante os rankings!

Os pensamentos, que são como as cerejas, trazem-nos de novo ao ponto de partida. O estado a que chegaram os nossos SI não terá algo de idiossincraticamente português? Do novo-riquismo de quem gosta de fazer figura? O acervo de aplicações e programas que os nossos ministros da saúde têm à sua disposição para ostentar em fóruns europeus (e não só!) não os deixa de forma alguma envergonhados: enche mesmo o olho! Pena é que funcionem tal mal. Porém, em boa verdade há muita coisa meritória por entre o magote de programas e aplicações do SPMS. A incompetência está longe se ser técnica, é, isso sim, estratégica.

Desgraçadamente, o objetivo dos SI – aumento de eficiência – esfumou-se. Pior: transmutou-se em meio de propaganda a usar fora e dentro de portas.

Fascinados pelo show off , políticos e SPMS embrenharam-se numa autista fuga em frente, debitando aplicações, sem acautelarem a firmeza do terreno que pisam(os). E o desfecho é o que se vê: um granel descomunal, como dizíamos na tropa. Perdas consideráveis de produtividade, quebras de qualidade assistencial, “stress” laboral. (Aqui fica, a talho de foice, uma dica para sociólogos: avaliar a quota parte de responsabilidade destas disfunções na fuga de jovens médicos da SNS).

Em conclusão: não seria tempo de tomar consciência do badanal a que este ímpeto lunático nos trouxe? Porque não suster esta torrente destrambelhada de inovações e apostar numa rede decente de fibra ótica e na remodelação do hardware, antes de avançar para a informatização global?

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