Meningite – um problema real

13 Mar, 2017

Esta infecção pode levar à destruição das células cerebrais o que é sempre grave pois consoante a extensão e localização das lesões, daí pode resultar a morte do doente ou o aparecimento de sequelas mais ou menos graves

Paulo Oom, Pediatra

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A meningite é uma infecção das meninges, que são três membranas muito finas que revestem o cérebro.

As meningites podem ser provocadas por vírus ou bactérias que, através do sangue, chegam às meninges vindos de outras zonas do corpo. Mais de 70 vírus podem provocar meningite, habitualmente entre os meses de junho e outubro, mas esta é uma doença geralmente benigna com cura espontânea em alguns dias. O mesmo não se passa em relação à meningite bacteriana, que ocorre principalmente nos meses frios, e que sem tratamento é uma doença fatal em 70% dos casos, muitas vezes em menos de 24 horas.

Por ano ocorrem 1,2 milhões de novos casos de meningite bacteriana em todo o mundo. Mesmo com todos os tratamentos actualmente disponíveis a doença é fatal em um em cada dez casos (em cada oito minutos morre uma pessoa com meningite bacteriana no mundo) e um em cada cinco sobreviventes vai sofrer de algum tipo de sequela, incluindo surdez, deficiência mental, insuficiência renal ou perda de um membro.

Nas crianças saudáveis, são três a principais bacterias capazes de provocar meningite: meningococo, pneumococo e hemofilus. Ao longo dos últimos anos, diversas vacinas têm sido introduzidas nos programas de vacinação de diferentes países em todo o mundo, o que levou ao quase desaparecimento das meningites provocadas pelo hemofilus e a uma grande redução das provocadas pelo pneumococo. Em relação ao meningococo podem ser encontrados diversos tipos, cuja distribuição varia consoante a região geográfica. Em Portugal, como no resto da Europa, predominam os grupos B e C. Fruto da introdução no nosso programa de vacinação da vacina contra o grupo C a meningite por esta bactéria tem vindo a diminuir de incidência com um aumento relativo dos casos provocados pelo grupo B (de 47% em 2003 para 81% em 2012). A incidência desta doença por meningococo B é crescente desde o nascimento, atingindo um pico pelos seis meses de idade.

A meningite tem igualmente um impacto económico que não é desprezível pois com base em estimativas no Reino Unido, o custo dos cuidados prestados ao longo da vida a uma criança com sequelas graves provocadas por uma meningite bacteriana é de 2,24 milhões de euros.

 

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