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Médicos e Computadores
Impacto na Interacção com os Pacientes

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Grupo Lusíadas Saúde
Director Geral da InfoCiência

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O uso do computador em saúde, bem como em tudo o resto, é, mais do que inevitável, um dado adquirido de enorme valor pela sistematização que permite, pela consulta rápida, pela capacidade de arquivo, pela poupança de espaço e de papel, pelo acesso em tempo real à internet para esclarecimento de dúvidas, interacções medicamentosas, etc., pelo registo do processo clínico dos pacientes, pela receita electrónica e muito mais.

Naturalmente, como em tudo na vida, os computadores podem complicar tudo, quando não funcionam, quando os servidores não permitem o acesso à rede, quando são alvo de ataques informáticos. Nestes casos, muita informação pode ser perdida ou ilegalmente acedida, colocando em risco o sigilo profissional. Ou então, um dia de consulta pode tornar-se caótico por não se poder consultar o processo dos doentes ou emitir receitas.

Mas, numa perspectiva equilibrada e justa, a informática é um poderoso aliado da Ciência em geral e da Medicina em particular.

Este texto surge a propósito de um aspecto muito particular do papel dos computadores ao serviço dos médicos e outros profissionais de saúde: a sua utilização como ferramenta de registo dos dados recolhidos durante a consulta.

Um estudo conduzido pela Universidade do Texas revelou que muitos pacientes não apreciam essa “intrusão” da máquina entre si e o seu médico.

Como sabemos, os computadores tornaram-se o método de eleição para registo clínico durante as consultas mas, na verdade, isso significa que, muitas vezes, se perde mais tempo a olhar para o monitor do que para o paciente, o que gera uma sensação de indiferença, de alheamento, de desinteresse, em tudo incompatível com o que se pretende que uma consulta represente.

Em função das competências informáticas do profissional, esse comportamento pode ser ainda mais drástico, acabando o médico por estar a tentar solucionar as dificuldades técnicas que vai encontrando em vez de resolver os problemas de saúde dos seus pacientes.

Em alguns gabinetes, o monitor está em cima da secretária numa posição tal que interfere com o contacto visual entre médicos e pacientes, obrigando-os a ginásticas e mudanças de posição quase anedóticas para poderem estabelecer esse contacto.

De acordo com o referido estudo, a maioria dos doentes (72%) considerou os médicos que usam computador durante a consulta menos interessados, menos comunicativos e menos profissionais quando comparados a médicos que não usaram computador.

Esta percepção foi comum a pacientes portadores de cancro e a pacientes sem doença oncológica e foi avaliada em contexto de primeira consulta.

Não se avaliou, portanto, se o impacto negativo do uso do computador se manteve em consultas subsequentes. De igual modo, não foi avaliada a opinião de doentes mais jovens, em princípio mais adeptos da tecnologia.

No fundo, o que este trabalho suscita é o impacto dessa tecnologia numa relação que se pretende o mais humanizada possível.

O paciente pode sempre pensar que o médico não ouviu tudo o que foi dito e que tem menos tempo disponível para o exame médico, para o diagnóstico clínico e para a decisão terapêutica, fruto do tempo desperdiçado com a introdução de dados. E o facto é que não sabemos se isso ocorre ou não.

Um médico que escreva rapidamente num teclado e que domine bem os programas de registo clínico conseguirá manter um nível de atenção adequado aos seus pacientes, conseguindo, até, intercalar o seu olhar entre o monitor e o rosto do seu paciente. Noutros casos, toda a atenção estará focada no teclado e no monitor e aí o paciente sentirá com legitimidade que não é o protagonista da consulta.

O momento da consulta médica, sobretudo no caso de uma primeira consulta, é crucial no estabelecimento de uma adequada relação médico-paciente, da qual dependerá todo o sucesso do tratamento e que determinará a continuidade dessa relação.

Como tal, é crucial que o médico oiça o seu paciente, olhe para o seu paciente, interaja emocionalmente com ele, o observe e actue em função disso tudo. Uma boa possibilidade é deixar a introdução informática dos dados para o fim da consulta, quando o doente já saiu, optando por breves apontamentos em papel durante a consulta. Infelizmente, nem sempre o tempo permite agir deste modo…

Estas considerações valem para qualquer tipo de consulta, mas uma atenção ainda maior tem de ser prestada quando estamos perante doentes fragilizados ou quando existem más notícias a partilhar…

Todos nós sentimos o impacto do distanciamento quando, numa instituição privada ou pública, somos atendidos por alguém que não nos olha e fala connosco fixando o monitor. E tal não deveria acontecer. No plano da saúde, a sensibilidade de quem nos procura está ainda mais à flor da pele e a necessidade de atenção, de afecto e de conexão é muito maior.

O computador acaba por funcionar como um terceiro elemento que compete pela atenção do doente, muitas vezes vencendo, e isso prejudica substancialmente a dinâmica dos passos subsequentes.

Como diz, e bem, um dos participantes neste estudo, em Medicina é crucial que os pacientes sintam que quem cuida deles também se interessa por eles. A imagem do computador colide com esse desejo, criando uma percepção de frieza e tecnicismo que afectam a empatia que deve ser estabelecida.

Saibamos, pois, olhar para os nossos doentes, escutá-los, responder-lhes, sorrir-lhes.

Vejamos nos computadores um aliado importante mas que nunca se deve intrometer entre nós e quem nos procura.

Como médicos temos o dever de estar sempre actualizados e de saber acompanhar a evolução tecnológica. Mas, mais importante, é estarmos sempre presentes para os nossos pacientes.

E mostrar-lhes que estamos presentes…

 

*Texto escrito na grafia anterior ao acordo ortográfico de 1990 por opção do autor

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