11 Jan, 2018

Médicos de Família Americanos chumbam novas guidelines para o tratamento da hipertensão publicadas pela American Heart Association

David O'Gurek, presidente da Commission on Health of the Public and Science (CHPS), em um artigo da AAFP News, justifica a decisão com o facto de que "a maior parte da diretriz não ter sido baseada em uma análise sistemática de evidências" e terem sido identificados "alguns conflitos de interesses"

A Academia Americana de Médicos de Família (AAFP, na sigla inglesa) anunciou que rejeita as novas as novas diretrizes de hipertensão publicadas pela American Heart Association (AHA), pelo American College of Cardiology (ACC) e outras nove organizações. Em causa, explica a AAFP, preocupações com a metodologia e com a descoberta de conflitos de interesses.
As novas guidelines recomendam a redução do limiar para tratamento da hipertensão com mudanças no estilo de vida e medicação, se necessário, para 130 x 80 mmHg em vez da marca anterior comumente aceita de 140 x 90 mmHg. De acordo com as novas guidelines, 46% da população adulta dos EUA seria considerada como apresentando pressão arterial (PA) alta, ao contrário dos 32% de acordo com as diretrizes anteriores, snedo por isso alvo recomendável de tratamento.
Segundo a AAFP os médicos de família norte-americanos deverão continuar a seguir as guidelines de 2014 desenvolvidas pelo 8º Joint National Committee , que recomendam que, na população geral, para pessoas com 60 anos ou mais, o tratamento deve ser iniciado em 150 x 90 mmHg e, em idade inferior a 60 anos, deve começar em 140 x 90 mmHg.
Em comunicado, citado pela Mesdcape, o presidente da AAFP, Dr. Michael Munger explicou que “A American Academy of Family Physicians reviu formalmente a guideline de hipertensão AHA/ACC, não tendo a mesma preenchido os critérios de aprovação ou afirmação de valor. Noa mesma nota, Munger explica que a AAFP não esteve envolvida no desenvolvimento das novas guidelines e que continua a endossar as normas baseadas em evidências de 2014 para o tratamento da pressão arterial elevada em adultos.
“Além disso, em janeiro de 2017, a AAFP e o ACP publicaram a diretiva de prática clínica Hipertensão em adultos acima dos 60. Nesta, os médicos de família abordam o tratamento da hipertensão de forma individualizada, levando em consideração a história, fatores de risco, preferências e recursos dos pacientes. Manteremos a tomada de decisões informadas com os pacientes, considerando potenciais benefícios riscos”, acrescenta Munger.
São várias as razões que levam a AAFP a decidir-se por uma atitude tão drástica. Desde logo, apontou David O’Gurek, presidente da Commission on Health of the Public and Science (CHPS), em um artigo da AAFP News, o fato de que “a maior parte da diretriz não foi baseada em uma análise sistemática de evidências”.
Por exemplo, membros da comissão declararam que a nova diretriz fez uma forte recomendação para o uso da não validada calculadora de avaliação de risco de doença cardiovascular aterosclerótica, que foi desenvolvida por AHA e ACC para ajudar a definir se é necessário utilizar medicamentos para o controle da PA.
“No entanto, essa recomendação não se baseou em evidências de que usar a ferramenta dessa forma melhore os resultados”, afirmou a comissão.
A CHPS também disse que muito valor foi dado ao estudo SPRINT (Systolic Blood Pressure Intervention Trial), e outros ensaios foram minimizados. Embora a comissão tenha afirmado que o SPRINT era importante, “ele precisa ser considerado no contexto de toda a evidência”.
Finalmente, O’Gurek aponta alguns conflitos de interesses.
“No caso das diretrizes AHA/ACC, o painel comissionou o pesquisador principal do estudo SPRINT para presidir seu trabalho, quando, notadamente, o estudo SPRINT serviu de base para as recomendações do painel das diretrizes para mudar os alvos de tratamento da PA” disse a comissão, acrescentando que “vários outros membros do painel das diretrizes AHA/ACC tinham conflitos de interesse intelectuais, que não foram considerados na preparação das mesmas”.

Medscape/AAFP/SO

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