14 Dez, 2016

Macau regista primeira infeção humana com vírus da gripe aviária

Macau registou o seu primeiro caso de infeção humana com um vírus de gripe aviária, num homem de 58 anos que contactou com um lote de galinhas onde o H7N9 foi detetado na terça-feira

Segundo os Serviços de Saúde de Macau (SSM), o homem, dono de uma banca de venda de aves por grosso, foi sujeito a testes no hospital que deram positivo esta madrugada, indicando que está infetado com H7N9. O homem não apresenta sintomas e está agora numa ala de isolamento, a receber tratamento.

O dono da banca foi uma das duas pessoas a contactar com as aves infetadas. O outro foi o condutor do veículo de transporte das galinhas que, sendo da China, foi encaminhado para as autoridades chinesas.

De acordo com os SSM, este é o primeiro caso de uma infeção de gripe aviária em humanos em Macau.

As autoridades apuraram que a mulher do homem infetado terá sido a única pessoa com quem teve contacto próximo. Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, os dois não tiveram contacto com outras pessoas e por isso o risco de uma epidemia é considerado baixo.

Na terça-feira, as autoridades de Macau abateram cerca de 10 mil aves de capoeira e suspenderam a sua venda por pelo menos três dias depois de detetarem o vírus da gripe aviária no mercado abastecedor.

O vírus foi detetado num ‘stock’ de 500 galinhas sedosas, mas por motivos de segurança foram abatidas todas as aves que se encontravam no mercado abastecedor, incluindo 6.730 galinhas normais e cerca de 3.000 pombos, segundo o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM).

A venda de aves está suspensa por pelo menos três dias, durante os quais serão feitos trabalhos de limpeza e desinfeção. Mas a suspensão pode ser estendida, consoante o tempo que demorar a identificar a origem do vírus – só então poderá ser iniciado o reabastecimento.

Esta é pelo menos a terceira vez este ano que o vírus da gripe aviária é detetado em Macau.

O Governo já defendeu que, por motivos de saúde pública, deveria deixar de haver venda de aves vivas. No entanto, a medida continua sem data já que um estudo realizado em junho deste ano revelou alguma oposição popular, tendo em conta a importância que a população dá à carne fresca, em particular em épocas festivas como o Ano Novo Chinês.

“Temos de repensar se devemos ou não vender aves refrigeradas. Talvez possamos alterar o nosso costume e substituir as aves vivas por refrigeradas. Vai depender do mercado, da aceitação da população. Já estamos a reforçar a divulgação e adicionar bancas que vendem aves refrigeradas”, disse na terça-feira à noite o presidente do IACM, José Tavares.

O estudo divulgado em junho indicou que quatro em cada dez residentes de Macau opõem-se à substituição de aves vivas por refrigeradas.

O inquérito, destinado a avaliar a reação do público à medida que o governo de Macau pretende aplicar para prevenir surtos de gripe aviária, conclui que 42,2% dos 1.026 inquiridos manifestam-se contra ou absolutamente contra a medida, 24,2% exprimiram concordância ou absoluta concordância e 33,3% afirmaram serem indiferentes ao assunto.

O relatório do estudo de opinião pública, realizado em novembro e dezembro de 2015 pelo Instituto Politécnico de Macau, e que cobriu também as preferências de consumo e os hábitos de compra, correlaciona o nível de conhecimento sobre os riscos de saúde com a posição manifestada pelos entrevistados.

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