2 Nov, 2016

João Morais: Investigação e organização fazem recuar enfarte de miocárdio

"A luta contra o enfarte do miocárdio está no bom caminho, o importante é não estragar aquilo que está feito, mas é importante também priorizar novas ideias. O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é um grande problema e estamos muito longe de conseguir os mesmos resultados no tratamento do AVC", aponta o Presidente Eleito da SPC

Pese o facto de as doenças cardiovasculares serem a principal causa de morte em Portugal, registou-se nos últimos anos uma grande redução das mortes provocadas pelo enfarte do miocárdio. Uma evolução que de acordo com João Morais, Presidente Eleito da Sociedade Portuguesa de Cardiologia se fica a dever a mudanças na organização do atendimento e dos serviços.

Hoje, reconhece, “A luta contra o enfarte do miocárdio está no bom caminho, o importante é não estragar aquilo que está feito, mas é importante também priorizar novas ideias. O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é um grande problema e se conseguimos um grande avanço no enfarte de miocárdio estamos muito longe de conseguir os mesmos resultados no tratamento do AVC. Os caminhos são muito semelhantes, tal como a história e até as metodologias se assemelham. Os caminhos que a cardiologia trilhou podem ser trilhados por outras áreas, mas é fundamental inverter o AVC.” As outras duas prioridades deveriam ser a prevenção da morte súbita, pois “esta é evitável pois sabemos os mecanismos, os meios de prevenir”, e a insuficiências cardíaca que afecta muito dos utentes dos serviços de saúde. Dizem até que é a doença silenciosa da cardiologia porque afecta todas as idades, tem uma mortalidade e uma morbilidade elevadas.

Para o Diretor do Serviço de Cardiologia do Hospital de Leiria, ainda se  está longe de compreender “o impacto desta crise económica na saúde cardiovascular dos portugueses”. João Morais aponta como exemplo o facto de Portugal ter sido o último país da Europa a ter os novos fármacos contra as doenças cardiovasculares. Mas a crise económica teve aspectos positivos e um deles foi que “aprendemos a gastar melhor o dinheiro. No serviço que dirijo todos os dias fazemos as contas, somos muito rigorosos mas fomos longe de mais. Cortámos as gorduras mas também estamos a escavar o osso”.

 

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