28 Out, 2016

Intervenção educativa junto de médicos e farmacêuticos permitiu reduzir até 15% o consumo de antibióticos

Resultados revelam uma diminuição do consumo total de antibióticos de 3,71%, , mais acentuada para as tetraciclinas (15,63%), macrólidos (9,37%) e cefalosporinas (7,24%)

Uma equipa de investigação que integrou investigadores de várias Universidades portuguesas e de Santiago de Compostela estudou o impacto de uma intervenção educativa dirigida a médicos de medicina geral e familiar e a farmacêuticos comunitários com o objetivo de diminuir o consumo de antibióticos na população. Os resultados do estudo mostram que as intervenções educativas permitiram reduzir até 15% o consumo de antibiótios.

O projeto foi distinguido com o Prémio SCML/MSD, criado em 2009 com o objectivo de contribuir para dinamizar a investigação científica em Ciências da Saúde em Portugal, nomeadamente em áreas de epidemiologia clínica.

Atribuído anualmente, como resultado de uma parceria entre a Sociedade das Ciências Medicas de Lisboa (SCML) e a empresa MSD Portugal, o galardão, com o valor monetário de 20 mil euros, foi entregue esta tarde, numa cerimónia que contou  a presença de José Caldas de Almeida, presidente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa e de Vítor Virgínia, director-geral da MSD Portugal.

Intitulado “Decreasing antibiotic use through a joint intervention targeting physicians and pharmacists: a cluster-randomized controlled trial” o estudo vencedor da 6ª edição do Prémio SCML/MSD teve como objetivo identificar as atitudes e conhecimentos dos profissionais de saúde, médicos e farmacêuticos com respeito à prescrição e dispensa de antibióticos e resistência microbiana, e realização de intervenções educativas no sentido de melhorar a utilização de antibióticos, na região definida pela Administração Regional de Saúde do Centro.

Desenvolvido pelos investigadores, Maria Teresa Herdeiro, Fátima Roque, António Teixeira Rodrigues, Luiza Breitenfeld, Maria Piñero-Lamas, Adolfo Figueiras, o projeto conclui que houve uma diminuição do consumo total de antibióticos de 3,71%, sendo esta diminuição mais acentuada para as tetraciclinas (15,63%), macrólidos (9,37%) e cefalosporinas (7,24%).

De acordo com os autores, “a resistência aos antibióticos é um dos principais problemas de Saúde Pública, sendo a utilização inadequada de antibióticos um dos principais fatores de resistência microbiana. Recentemente a Organização Mundial de Saúde alerta que esta situação está a conduzir-nos para uma era pré-antibiótica, pois muitas situações menores que já foram facilmente tratáveis com os antibióticos disponíveis, atualmente não se conseguem tratar”. Por isso mesmo, o projeto assume uma relevância ainda maior, concluindo mesmo que há uma “necessidade de maior interação entre os cuidados de saúde hospitalares e os cuidados de saúde primários, com mais informação sobre os mapas de resistências”. O motivo identificado pela equipa para que ainda tantos clínicos a prescrevam antibióticos prende-se com “a complacência com o doente”.

De olhos postos no futuro a equipa deixa um desafio concreto: “pensamos que com a criação dos Serviço de Investigação, Epidemiologia Clínica e de Saúde Pública Hospitalar, que integram equipas multidisciplinares, será possível a implementação de grupos como o nosso na rede de cuidados de saúde”. Até porque, “faz todo o sentido alargar a outros profissionais de saúde e temos o objetivo de incluir também os doentes, aumentando a sua literacia em saúde e promovendo o seu envolvimento e comprometimento no seu processo de saúde”.

Vários especialistas têm apontado para os perigos do consumo cada vez maior de antibióticos, o que agrava a propagação de bactérias resistentes e constitui já um verdadeiro problema de saúde pública. O diretor interino do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistências aos Antimicrobianos (PPCIRA), Paulo Fernandes, apresentou recentemente dados concretos, na Be Well Global Health Conference em Lisboa, apontando para que “a cada três segundos, morre uma pessoa por infeção hospitalar”. Uma situação que pode ainda agravar-se, já que, segundo o especialista, “em 2050 estima-se que morrerão 10 milhões de pessoas devido a infeções por organismos multirresistentes”.

 

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