Hospital de S. João no Porto remodela dois pisos para acolher Neurocirurgia

O Hospital de S. João, no Porto, anunciou hoje a remodelação dos pisos 7 e 8 do edifício vai arrancar no início de 2018, permitindo o regresso do Serviço de Neurocirurgia, a funcionar em contentores desde 2007.

A falta de condições de trabalho e de assistência aos doentes do Serviço de Neurocirurgia motivou, no passado dia 13, o pedido de demissão do diretor do serviço, Rui Vaz, que em declarações hoje à Lusa admitiu voltar atrás na sua decisão após a publicação da portaria relativa ao arranque das obras.

Numa nota de imprensa, o conselho de administração do S. João refere que as obras de remodelação dos dois pisos iniciam-se “nos primeiros meses de 2018” para permitir a instalação dos serviços de Hematologia Clínica e do Serviço de Neurocirurgia, encontrando-se este em instalações provisórias e precárias há dez anos. Segundo a mesma nota, as obras estão orçadas em 6,863 milhões de euros e prevê-se que fiquem concluídas no prazo de um ano, tendo as autorizações necessárias à execução das mesmas sido conhecidas esta semana.

“Quando tiver a certeza absoluta de que não vai haver qualquer entrave burocrático que impeça que as obras comecem no princípio do próximo ano, retiro o meu pedido de demissão. Eu não quero sair. Eu, se sair, saio obrigado. A aposta da minha vida foi esta, não foi outra”, afirmou o neurocirurgião. Rui Vaz disse esperar pela publicação da portaria e pelo visto do Tribunal de Contas, para acreditar que as obras vão avançar.

“O problema é que ao longo destes anos já assistimos a promessas idênticas. A própria administração do hospital é ultrapassada pela realidade dos factos burocráticos”, mas “obviamente que se me derem as condições que são prometidas desde 2007, eu revejo a minha posição porque eu não saio contra ninguém, nem zangado com ninguém. Eu saio cansado destas condições de trabalho”, frisou.

De acordo com o especialista, “o conselho de administração e a Administração Regional de Saúde do Norte têm sido absolutamente irrepreensíveis no acompanhamento deste processo e de uma solidariedade extrema”. Rui Vaz lamentou ainda estar a assistir à “desmotivação do conjunto de profissionais, médicos e enfermeiros” do serviço.

“Isso é outra coisa a que eu não quero assistir, eu não quero assistir à possibilidade de alguns profissionais que são importantes para a qualidade do que fazemos, saírem do serviço. Não quero ser testemunha disso”, frisou.

Lembrou ainda que se trata de um serviço que é uma referência nacional e internacional e a quem foi atribuída a organização do congresso mundial da coluna em 2018.

LUSA/SO

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