23 Jan, 2017

Hospital de Ponta Delgada, nos Açores, alerta para recurso indevido às urgências (C/ÁUDIO)

Mais de metade dos utentes que recorreu àquele serviço o ano passado apresentava situações não urgentes.

O presidente do hospital de Ponta Delgada, nos Açores, alertou hoje para o recurso indevido às urgências da unidade de saúde, onde mais de metade dos utentes que recorreu àquele serviço o ano passado representava situações não urgentes.

“Dos 116 mil utentes que recorreram às urgências, cerca de 68 mil eram situações não urgentes, os chamados verdes [cor que significa pouco urgente na Triagem de Manchester]. Ou seja, em 2016, um total de 60% dos atendimentos efetuados pelos serviços de urgência do hospital de Ponta Delgada referiram-se a situações não urgentes”, afirmou Fernando Mesquita.

O presidente do conselho de administração do Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, falava na abertura do I Fórum da Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel, onde classificou aqueles números como “excessivos” quando comparados com o total nacional.

“São números demasiado altos. As urgências hospitalares estão a funcionar como porta de entrada no sistema de saúde. Muitos dos 68 mil atendimentos verdes que ocorreram no hospital de Ponta Delgada em 2016 referem-se a utentes que recorreram repetidamente à urgência”, indicou Fernando Mesquita, sublinhando que “o atendimento na urgência funciona como uma espécie de consulta na hora”.

O responsável sustentou que a urgência hospitalar “não é o local adequado para conhecer, estudar e criar relação com o doente e, quando necessário referenciá-lo, para um nível de diferenciação adequado”, frisando que “os cuidados de saúde primários devem representar a primeira linha de contacto da população com sistema de saúde”.

Fernando Mesquita disse ainda que “a meta não é fazer com que os 68 mil [atendimentos] verdes baixem para 40 mil para desentupir a urgência ou para que fique mais barato ao sistema de saúde”.

“Queremos que os 68 mil baixem para 40 mil, porque o recurso adequado aos cuidados de saúde primários é uma opção que trará ao utente mais qualidade e segurança do que a utilização da urgência hospitalar em situação não urgente e porque permite canalizar os recursos indevidamente afetos a situações não urgentes”, defendeu.

À margem do fórum, o secretário regional da Saúde, Rui Luís, afirmou ser necessário haver uma maior articulação entre as unidades de saúde de ilha e os hospitais, sendo que o objetivo é tentar que os utentes recorram primeiro ao centro de saúde e só depois se dirijam ao hospital.

Rui Luís acrescentou que ao longo da legislatura será concluída a certificação dos centros de saúde

“Um outro desafio maior é concluir a certificação dos três hospitais, sendo que o de Ponta Delgada já esta certificado, mas é necessário fazer a atualização”, referiu o governante.

Rui Luís anunciou ainda que este ano será elaborado e publicado um relatório relativo aos dois primeiros anos de execução do Plano Regional de Saúde, implementado desde final de 2014.

“Só avaliando podemos ter a certeza que estamos no rumo certo, só avaliando poderemos corrigir e corrigindo estaremos a evoluir”, considerou o titular pela pasta da Saúde nos Açores.

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