10 Nov, 2016

Hospitais mais automatizados mas robots ainda não substituem médicos

Os hospitais vão ser cada vez mais automatizados mas os robots não substituirão os médicos nos próximos anos, embora possam desempenhar funções com mais precisão do que os humanos

O tema foi hoje discutido na cimeira tecnológica de Lisboa, Web Summit, colocando frente a frente Gary Mudie, diretor de tecnologia de uma empresa inglesa, Babylon (um aplicativo médico para consultas à distância), e Ricardo Gil da Costa, fundador e presidente da Neuroverse, uma empresa norte-americana de pesquisa em neurociências.

Os hospitais vão ter mais robots do que médicos em 2026? A maior parte dos que ouviram o debate concluiu que não mas a discussão não levou a conclusões mas sim a tendências, com os dois oradores a coincidirem que por agora o médico não pode ser substituído por robots em muitas áreas. E que pode noutras.

Um robot a dar injeções é possível, um nível de automação pode ser possível em algumas especialidades. Gary Mudie acredita que nos próximos 10 anos os avanços na automação na área da medicina serão grandes e lembra que ela já está hoje presente nos hospitais.

E diz que os robots podem fazer intervenções com muito mais precisão, que não há alternativa ao uso das novas tecnologias (algumas ainda desconhecidas) e robots, acrescentando: caminhamos nessa direção, daqui por 10 anos voltamos aqui e veremos se não é assim.

Ricardo Gil da Costa é mais cético. Quando há uma necessidade de integração de conhecimentos não há hoje inteligência artificial para isso, e o fator humano na relação com o paciente também é importante, diz.

“A inteligência artificial tem aumentado rapidamente mas não me parece que seja uma solução nem a 10 anos. Substituir médicos por sistemas automatizados acho errado, não se deve pensar em termos de substituição mas de colaboração, de sistemas que libertem parte da carga horária dos médicos”, defende Gil da Costa.

Gil da Costa é um biólogo, doutorado em neurociências que trabalha na área da neurofisiologia, tendo criado uma empresa nos Estados Unidos (onde vive, apesar de ser português) de investigação, a Neuroverse.

Gary Mudie é um especialista na área dos negócios e finanças, geriu empresas de revenda e está agora na Babylon, um serviço que agrega um grupo de médicos e técnicos de saúde que pela internet fazem consultas e diagnósticos.

Na página da internet da Babylon explica–se que o aplicativo permite que as pessoas sejam tratadas por um hibrido de inteligência artificial e por humanos. Mas nem lá se diz que os robots vão substituir os médicos.

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