15 Jan, 2018

Grupo Hepatológico Transmontano cria rede para tratar doenças do fígado

O Grupo Hepatológico Transmontano junta as unidades de saúde dos distritos de Bragança e Vila Real para um trabalho em rede de diagnóstico e tratamento das doenças do fígado, que possuem uma prevalência preocupante neste território.

O projeto junta o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), a Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste e os agrupamentos de centros de saúde dos dois distritos.

É um “grupo pioneiro” no país porque, segundos os promotores, vai trabalhar em rede e juntar conhecimentos, sinergias e doentes, tendo como objetivo também evitar deslocações dos utentes ao litoral.

“As doenças de fígado, em Trás-os-Montes, são algo de muito característico e de muito comum, que possuem uma prevalência muito elevada, principalmente a doença hepática provocada pela álcool”, afirmou à agência Lusa o diretor da unidade de hepatologia do CHTMAD, José Presa Ramos.

O objetivo do projeto, segundo aquele responsável, é criar uma “rede de conhecimento e de partilha” entre as unidades hospitalares de Vila Real e Bragança, de modo a que seja possível tratar o maior número possível de doentes na região, evitando “o calvário” das deslocações para os hospitais do Porto.

O diretor clínico do CHTMAD, João Gaspar, salientou que os médicos dos centros de saúde “estão na linha da frente” da deteção das doenças e por isso, está a ser feito um trabalho de divulgação do Grupo Hepatológico junto dos cuidados de saúde primários.

O tratamento será, depois, uma decisão conjunta entre os especialistas das unidades hospitalares que podem recorrer à videoconferência para discutir os casos, tornando o processo mais rápido.

O projeto visa também uma partilha de meios humanos e tecnológicos, como a radiologia de intervenção do CHTMAD que começará a dar resposta à ULS Nordeste.

Eugénia Madureira, diretora clínica dos cuidados hospitalares da ULS do Nordeste, destacou a importância da “colaboração entre instituições” que geograficamente são vizinhas.

Entre os aspetos positivos do projeto, a responsável salientou a “partilha de experiências, a discussão de casos e o proporcionar um melhor serviço aos doentes”.

“Evitámos muitas vezes deslocações desnecessárias a hospitais do Litoral. Nós temos possibilidade de, na maior parte das situações, resolvermos dentro de Trás-os-Montes. Esse é um dos objetivos, servirmos melhor os nossos clientes”, frisou.

Por fim, elencou ainda o objetivo de “evitar o esvaziamento do interior”. “A ideia é sempre esta, unidos seremos mais fortes ”, sustentou.

Estes são territórios onde se verifica um elevado consumo de álcool e má alimentação, e onde existem ainda quatro estabelecimentos prisionais, dois no distrito de Vila Real e dois em Bragança, cuja população constitui um grupo de risco em relação às hepatites.

Em 2017, foram seguidos 2.500 utentes com doença hepática na unidade do CHTMAD.

João Gaspar afirmou que se pretende criar um “centro de referência da hepatologia à semelhança do que foi feito, por exemplo, para a área oncológica”.

“É um universo grande de doentes e é o desiderato da própria Organização Mundial de Saúde fazer a erradicação da hepatite C até 2030. Este é o início, uma campanha que estamos a fazer”, salientou.

LUSA/SO

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