29 Nov, 2016

Governo vai investir 1 milhão de euros até 2018 na criação de 100 equipas de cuidados paliativos

Segundo o Secretário de Estado da Saúde, "é a primeira vez que o país tem um plano estratégico para esta área. A rede de cuidados paliativos foi criada em 2012, mas depois nunca foi concretizada", disse. O Ministério da Saúde "está a trabalhar" com a Ordem dos Médicos com vista à criação, em 2017, da especialização em Cuidados Paliativos, revelou ainda Fernando Araújo

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde anunciou um investimento de um milhão de euros para criar, até 2018, um total de 100 equipas especializadas de cuidados paliativos nos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES).

Fernando Araújo, que falava ontem no hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo, no final da apresentação Plano Estratégico para o desenvolvimento dos Cuidados Paliativos para o biénio 2017-2018 adiantou que, em 2017, aquele plano, publicado hoje em Diário da República (DR), prevê a criação, em todos os hospitais, de equipas intra hospitalares de suporte em cuidados paliativos.

Destacou que no âmbito das equipas especializadas de cuidados paliativos nos ACES, “área com maiores lacunas”, será duplicado o número de equipas, atualmente 18 em todo o país.

“Este é um plano para dois anos. Acho que 2017 é o ano de arranque e esta duplicação criará o fundo para, em 2018, continuarmos com esta dinâmica e atingirmos esse objetivo final que das 100 equipas”, sustentou, referindo que o documento vem permitir “tornar as coisas mais céleres para que as respostas no terreno, sejam céleres a serem construídas”.

Fernando Araújo sublinhou que a área dos cuidados paliativos, até agora inserida nos cuidados continuados integrados, “estava parada e só se discutia camas” e que com este plano “a discussão passou de camas para as soluções, nomeadamente, na casa dos doentes”.

Afirmou que se existir capacidade de resposta “no terreno” haverá “menos necessidade” de criação de camas, atualmente dotada de 362, referindo serem “necessárias cerca de 460”.

Fernando Araújo defendeu ainda um reforço da formação dos profissionais de saúde, destacando as parcerias estalecidas com as universidades do Porto, Lisboa, Algarve, Universidade do Minho (Braga) e Escola Superior de Enfermagem do Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Com as duas últimas a parceria foi hoje formalizada através da assinatura de um protocolo.

Revelou também que o Ministério da Saúde “está a trabalhar” com a Ordem dos Médicos com vista à criação, em 2017, de uma especialidade de medicina em Cuidados Paliativos.

O Plano Estratégico para o desenvolvimento dos Cuidados Paliativos para o biénio 2017-2018 esteve em discussão pública entre 21 de setembro e 15 de outubro, tendo recolhido 31 sugestões.

“É a primeira vez que o país tem um plano estratégico para esta área. A rede de cuidados paliativos foi criada em 2012, mas depois nunca foi concretizada”, frisou.

Com o novo documento passa a existir “uma equipa com liderança clara, que sabe o que pretende”.

“Temos um plano com organização, sabemos o que queremos e para onde vamos. O plano tem objetivos muito claros e metas calendarizadas. Dá-nos alguma pressão, naturalmente, é um plano ambicioso mas que é importante concretizar para bem dos utentes e das suas famílias, frisou.

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