Médico Oftalmologista

Glaucoma

Entidade a Ter Sempre Bem Presente…

Hospital CUF Infante Santo

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Estamos em plena Semana Mundial do Glaucoma e, como tal, justifica-se falar desta entidade que, sendo tratável e controlável quando diagnosticada precocemente, pode associar-se a perda irreparável de visão se tal não acontecer.

Existem diversas formas de glaucoma, com diferentes causas, mecanismos e manifestações, mas o glaucoma primário de ângulo aberto é o tipo mais comum.

Esta forma de glaucoma é multifactorial e nele ocorre uma perda gradual e irreversível das fibras nervosas que constituem o nervo óptico. Uma vez que a visão periférica é a primeira a ser comprometida, os pacientes afectados tendem a aperceber-se da sua condição apenas numa fase avançada da doença, o que impede um tratamento plenamente eficaz.

Como tal, este é um dos casos em que uma avaliação médica regular, no mínimo anual, pode permitir um diagnóstico e intervenção em tempo útil.

O glaucoma de ângulo aberto é frequentemente causado por um aumento da pressão intra-ocular que pode ser medido numa consulta de rotina. Contudo, o aumento da pressão intra-ocular não significa, per se, estarmos perante um quadro de glaucoma, sendo necessário realizar exames adicionais que confirmem a perda de fibras nervosas. Nesses exames incluem-se o estudo do campo visual e a tomografia de coerência óptica que, para lá de permitirem confirmar o diagnóstico, se revelam importantes na monitorização da eficácia do tratamento.

Por outro lado, existem formas de glaucoma que cursam com uma pressão intra-ocular estatisticamente normal e, por este motivo, métodos de rastreio do glaucoma que se baseiem exclusivamente na medição da pressão intra-ocular deixarão de fora essas entidades. Mesmo muitos casos de glaucoma primário de ângulo aberto podem associar-se a pressões intra-oculares consideradas normais e, como tal, é essencial conhecer e identificar os factores de risco para o desenvolvimento de glaucoma, de modo a permitir a detecção precoce do maior número possível de casos.

Nesses factores, destacam-se a presença de episódios prévios de dor ou vermelhidão ocular, cefaleias, inflamação ocular, retinopatia diabética, oclusão vascular, antecedentes de cirurgia ou trauma ocular e a utilização de medicação anti-hipertensora ou de corticosteroides.

São também factores de risco a idade avançada, sobretudo acima de 50 anos, história familiar de glaucoma, factores raciais (raça negra com risco mais elevado) e a presença de miopia.

Finalmente, existe uma associação potencial entre o glaucoma e a doença cardiovascular sistémica, hipertensão arterial, vasospasmo, diabetes mellitus e enxaqueca, pelo que, nestes casos, o grau de suspeição deve ser mais elevado.

Embora a causa exacta do glaucoma não seja ainda conhecida, as opções terapêuticas disponíveis são múltiplas e incidem, essencialmente, no controlo da pressão intra-ocular. De facto, embora não seja esta a causa presente em todas as situações, é a mais fácil de controlar farmacologicamente ou mediante tratamento cirúrgico.

O tratamento farmacológico do glaucoma é simples e relativamente seguro, permitindo um adequado controlo tensional e impedindo a progressão da lesão do nervo óptico num número muito elevado de casos.

Como tal, o glaucoma é uma entidade clínica com um bom prognóstico, compatível com uma excelente visão ao longo de toda a vida. Para tal, basta que pacientes e profissionais de saúde estejam sensibilizados para a sua existência, para o seu carácter insidioso e progressivo, para a escassez de manifestações clínicas e para a importância de um diagnóstico que deverá incidir,  sem a ela se limitar, na medição da pressão intra-ocular.

Trata-se da segunda causa irreversível de cegueira em todo o mundo, apenas ultrapassada pela degenerescência macular. Mas, ao contrário desta, onde escasseiam ainda opções terapêuticas, o glaucoma é passível de tratamento simples e o número de fármacos disponível é muito vasto.

Estima-se que  metade das pessoas afectadas pelo glaucoma desconhecem esse facto e, como tal, muito tem ainda de ser feito para tornar esta condição clínica mais conhecida, mais divulgada, mais diagnosticada e mais tratada.

Todos sabemos que, mesmo com os avanços notáveis nas Ciências Médicas, muitas doenças persistir em desafiá-las, escapando à nossa capacidade de intervenção. No caso do glaucoma, apesar das lacunas no entendimento dos mecanismos a ele associados, dispomos de ferramentas de diagnóstico e tratamento muito eficazes.

Por isso, aqui a dificuldade reside naquilo que deveria ser mais simples: informar, sensibilizar,  alertar.

A Semana Mundial do Glaucoma é importante. Em 2008 tinha sido introduzido o Dia Mundial do Glaucoma e, a partir de 2010, ocorreu esta expansão para a Semana Mundial. Mas, para uma doença que em 2013 afectava cerca de 64 milhões de pessoas e que até 2020 poderá atingir 76 milhões, o esforço de divulgação tem de ser constante e todos nós temos um papel a desempenhar.

Da parte das autoridades, é importante a definição e implementação no terreno de programas de saúde visual, que incluam o glaucoma e outras entidades associadas a perda de visão.

A criação de materiais educativos, de linguagem simples e distribuição universal ajudará a manter este tema na agenda dos profissionais da saúde e dos pacientes, de modo a que o eco de campanhas como esta possa persistir no tempo.

O envolvimento dos meios de comunicação e das redes sociais será uma excelente plataforma de ressonância para a importância do glaucoma.

Deixar de ver é uma experiência indescritível. Quando tal acontece na sequência de uma doença que pode ser diagnosticada e tratada, a sensação de frustração e de perda será seguramente maior.

O glaucoma pode ser diagnosticado. O glaucoma pode ser tratado. Que esta mensagem esteja presente em todos nós, todos os dias.

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