9 Nov, 2016

Falta de incentivos e desvalorização do investigador explicam poucos ensaios clínicos

o facto de a gestão hospitalar não estar orientada para a investigação clínica e de os prazos legais de aprovação dos ensaios clínicos serem frequentemente ultrapassados contribuem para a dificuldade da realização dos ensaios clínicos em Portugal, revela um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública hoje divulgado

A reduzida dimensão dos ensaios clínicos em Portugal deve-se à falta de incentivos e à pouca valorização profissional do investigador, revela um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública hoje divulgado.

Um grupo de peritos elaborou o estudo “Ensaios Clínicos em Portugal: Consensos e Compromissos”, com o objetivo de identificar pistas para alcançar maior cooperação nacional e maior competitividade internacional.

Nesse trabalho, identificou aqueles que considerou serem os principais constrangimentos e desafios na área dos ensaios clínicos em Portugal, desde logo a falta de incentivos e a pouca valorização dada ao investigador.

Na opinião desta equipa de investigação, o facto de a gestão hospitalar não estar orientada para a investigação clínica e de os prazos legais de aprovação dos ensaios clínicos serem frequentemente ultrapassados contribuem para a dificuldade da realização dos ensaios clínicos em Portugal.

Outros constrangimentos identificados prendem-se com a reduzida visibilidade e a falta de uma plataforma de divulgação dos ensaios clínicos.

Identificados estes problemas, o grupo de peritos apresentou um conjunto de propostas e soluções que passam por criar centros de ensaio com uma gestão e infraestruturas orientadas para apoiar e conduzir ensaios clínicos, bem como definir estratégias para melhorar a taxa de recrutamento e retenção.

Para os investigadores, é fundamental reforçar a cooperação entre os principais intervenientes e regulamentar os incentivos para a participação dos profissionais envolvidos.

Num plano mais organizacional, é proposta a criação de uma agenda nacional para a investigação clínica e a uniformização da documentação.

Para que isto seja possível, os peritos alertam para a “fundamental necessidade de a própria tutela reconhecer a importância dos ensaios clínicos em Portugal” e identificar as áreas de excelências e divulgá-las internacionalmente, bem como definir áreas prioritárias e estratégicas para investir em investigação clínica.

À tutela caberá igualmente determinar os critérios para a criação dos centros de investigação e para a definição dos indicadores de desempenho.

A equipa de investigação considera também fundamental que o Ministério da Saúde inclua o doente em todo o processo, promovendo a sua literacia em investigação clínica.

SO/LUSA

 

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