20 Fev, 2018

Excesso de cálcio no cérebro associado à doença de Parkinson

Um estudo publicado na revista 'Nature Communications' revela que o cálcio afeta a forma como a alfa-sinucleína se ligam com as vesículas sinápticas.

A presença de depósitos de proteínas tóxicas, ou corpos Lewy, no interior das células cerebrais é uma marca reconhecida da doença de Parkinson. Os depósitos contêm ‘clusters’ de alfa-sinucleína e de outras proteínas mal interligadas. O estudo revela que o cálcio afeta a forma como a alfa-sinucleína se liga com as vesículas sinápticas

As vesículas sinápticas são pequenos compartimentos nos terminais nervosos que possuem neurotransmissores, ou mensageiros químicos, que transportam sinais entre células cerebrais.

“Existe um equilíbrio justo de cálcio e alfa-sinucleína na célula. Quando há excesso de uma ou de outra, começa a haver um desequilíbrio e a agregação começa, levando à doença de Parkinson”, afirma o Amberley Stephens, um dos principais autores do estudo e investigador em neurociência molecular na Universidade de Cambridge.

Alfa-sinucleína: normal vs. anormal

Existem mais de 10 milhões de pessoas em todo o mundo a viver com a doença de Parkinson. Nesta doença, as células do cérebro que produzem dopamina (importante para controlar os movimentos) vão se destruindo progressivamente. À medida que a doença vai avançando, os sintomas vão agravando: abrandamento dos movimentos, rigidez, tremores, fraca coordenação e equilíbrio.

Estudos recentes revelaram que a doença de Parkinson também afeta as células cerebrais que não produzem dopamina, o que pode explicar a razão pela qual alguns sintomas não estão relacionados com os movimentos.

Apesar de os ‘clusters’ anormais de alfa-sinucleína serem o elemento principal dos corpos Lewy presentes na doença de Parkinson, a sua forma normal parece ser necessária para algumas funções das células cerebrais.

Alfa-sinucleína como um “sensor de cálcio”

“A alfa-sinucleína é uma proteína muito pequena com uma estrutura muito pequena também, que precisa de interagir com outras proteínas de modo a tornar-se mais funcional, tornando-se assim difícil de estudar”, salienta Gabriele Kainski Schierle, também autora do estudo e do Departamento de Engenharia Química e Biotecnologia da Universidade de Cambridge.

Os avanços na tecnologia microscópica permitiram a possibilidade de observar aquilo que acontece dentro das células. No estudo, foi utilizado um microscópio de alta-resolução de modo a isolar as vesículas sinápticas e examinar detalhadamente o comportamento da alfa-sinucleína.

Os investigadores concluíram que quando o nível de cálcio aumenta na célula, a alfa-sinucleína funde-se com as vesículas em mais do que um ponto, originando ‘clusters’, levando a pensar que esta funciona como um “sensor de cálcio”.

“Na presença de cálcio, a alfa-sinucleína altera a sua estrututra e a forma como interage com o ambiente em seu redor”, afirma Janin Lautenschläger, outra das investigadoras.

Os autores sugerem que um conhecimento mais aprofundado e detalhado sobre como é que a alfa-sinucleína se comporta no estado saudável e no estado de doença pode levar à criação de novos medicamentos necessários para o tratamento da doença de Parkinson.

SO/SF

 

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