Especialização dos farmacêuticos deve integrar os hospitais

A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos reiterou a importância da criação de uma carreira para estes profissionais no Serviço Nacional de saúde, advertindo que a sua especialização não pode depender apenas da boa vontade dos administradores hospitalares

“A especialização dos farmacêuticos depende essencialmente do facto de haver por parte dos administradores hospitalares boa vontade, no sentido de criar espaços em hospitais, como o Instituto Português de Oncologia (IPO), para que jovens estagiários possam fazer o seu percurso profissional”, afirmou Ana Paula Martins depois de visitar as instalações farmacêuticas do IPO de Lisboa.

A bastonária salientou o exemplo de casos de colegas que estão a trabalhar em hospitais no Alentejo e que têm de se deslocar a hospitais como o IPO de Lisboa, para aprender com especialistas a fazer a preparação de citotóxicos e adquirirem competências.

De acordo com a bastonária, a especialização “não pode estar dependente daquilo que é a boa vontade das administrações, porque as próprias administrações também têm as suas dificuldades”.

A visita ao IPO foi acompanhada pelos representantes de todos os grupos parlamentares, de modo a alertar os deputados para a importância do trabalho realizado pelos farmacêuticos nos serviços hospitalares, nomeadamente no IPO, e para a criação da carreira especializada.

“O Instituto Português de Oncologia de Lisboa tem serviços de excelência, como outros hospitais pelo país, mas também temos serviços farmacêuticos a enfrentar dificuldades muito grandes”, sublinhou, alertando que se esta trajetória continuar pode colocar-se a questão da segurança.

Segundo Ana Paula Martins, esta questão hoje “não se coloca maioritariamente”, porque os farmacêuticos que, por exemplo, trabalham no IPO “ainda tiveram a possibilidade de se tornar especialistas, de fazer estágios de carreira e construir um percurso”.

“Nós hoje não temos maneira de garantir isto, porque como não temos carreira, não temos entradas em internato” e “não conseguimos garantir o futuro”, frisou.

Não havendo especialização, não se conseguem garantir as competências que precisam de ter para trabalhar em hospitais de todo o país e “não pode haver desigualdades entre serviços”, destacou Ana Paula Martins.

Para a bastonária, é necessário garantir que “um português em Vila Real de Trás-os-Montes possa ter o mesmo tipo de tratamento, a mesma segurança na utilização dos medicamentos que tem um português que viva em Lisboa”.

“Nós temos que garantir que todos os serviços farmacêuticos hospitalares deste país tenham farmacêuticos especialistas, treinados e dentro de uma carreira farmacêutica no Serviço Nacional de Saúde”, rematou.

A bastonária e os deputados foram acompanhados na visita pelo presidente do Conselho de Administração do IPO, Francisco Ramos, e pelo diretor técnico do Serviço Farmacêutico, Melo Gouveia, onde trabalham 20 farmacêuticos.

LUSA/SO

 

Gedeon Richter

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