22 Out, 2017

Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC): o que é e de que forma condiciona o dia-a-dia dos doentes

A DPOC é uma doença comum prevenível e tratável, que se caracteriza pela obstrução persistente e crónica das vias respiratórias

Autores: Elga Freire1, Rita Sampaio Santos2, Joana Mirra1, Júlia Alves1

1 Serviço de Medicina do Centro Hospitalar do Porto

2  Interna de Medicina Geral e Familiar do ACeS Gondomar

A DPOC é uma doença comum prevenível e tratável, que se caracteriza pela obstrução persistente e crónica das vias respiratórias. Esta obstrução é progressiva, está associada a um processo inflamatório anormal devido à inalação de partículas ou gases nocivos e tem como principal causa o tabagismo.

Esta doença é actualmente a 4ª causa de morte no mundo, tendo sido responsável por mais de 3 milhões de mortes em 2012. Prevê-se um aumento do impacto da DPOC nas próximas décadas devido à exposição contínua aos fatores de risco e ao envelhecimento populacional.

A DPOC condiciona sintomas respiratórios crónicos e progressivos. A tosse crónica é frequentemente o primeiro sintoma e é muitas vezes desvalorizada pelo doente que associa ao tabagismo.

A falta de ar é o principal sintoma e leva à redução da atividade física e ao aumento da ansiedade. O efeito da falta de ar no dia-a-dia condiciona diversas tarefas como subir escadas, carregar compras ou objetos pesados. Numa fase mais avançada pode dificultar outras atividades, tais como andar, tomar banho, comer e limitar a sexualidade.

A diminuição da tolerância a exercícios físicos pela perda de força dos músculos respiratórios compromete a qualidade de vida destes doentes. Estas condições podem ser minimizadas por programas de exercícios respiratórios, que fortalecem os músculos facilitando a entrada e saída de ar dos pulmões.

Associadamente aos exercícios respiratórios existem programas educacionais de autogestão cujo objetivo é o desenvolvimento de competências para que o doente com DPOC consiga identificar os períodos em que se sente pior, controlar a falta de ar, gerir o stress e administrar fármacos. Estes programas podem ser efetuados individualmente no domicílio ou em grupo nos centros de saúde.

Numa fase mais avançada da doença, podem ocorrer outros sintomas tais como perda de apetite, emagrecimento e falta de ar em repouso.

Nos casos de emagrecimento acentuado pode ser recomendado o uso de suplementos nutricionais, que levam ao fortalecimento dos músculos respiratórios e melhoria do estado de saúde.

Em alguns doentes pode estar indicada terapêutica com oxigénio e/ou ventilação domiciliária. O tratamento com oxigénio pode contribuir para a melhoria da tolerância ao exercício físico e da qualidade de vida. A oxigenoterapia de deambulação permite ao doente sair de casa, manter atividade exterior e vida de relação, tornando-se menos dependente.

A utilização de ventilação domiciliária, quando indicada, complementa os cuidados para melhorar a qualidade de vida dos doentes a até aumentar a sua sobrevida.

Apesar das várias atitudes terapêuticas disponíveis, a cessação tabágica é a melhor forma de evitar a instalação e progressão da DPOC e melhorar a qualidade de vida destes doentes.

A DPOC ainda não tem cura e as lesões pulmonares não são reversíveis. No entanto o tratamento e a mudança do estilo de vida pode ajudar o doente a sentir-se melhor, ficar mais ativo e atrasar a progressão da doença.

 

 

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