31 Out, 2017

Diretora-geral da Saúde encara resultados do inquérito sobre sarampo com naturalidade

A diretora-geral da Saúde disse hoje encarar “com toda a naturalidade” os resultados do inquérito que aponta para o fim da imunidade contra o sarampo, lembrando a ocorrência este ano de dois surtos, que não se tornaram endémicos. 

A imunidade de grupo contra o sarampo, que protege vacinados e não vacinados, já não existe em Portugal devido à diminuição do número de pessoas imunes à doença nos últimos 14 anos.

Os dados constam do Inquérito Serológico Nacional (ISN) 2015-2016, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), em que participaram 4.866 pessoas, e que vem atualizar o último estudo, relativo a 2001-2002.

Em declarações à agência Lusa, Graça Freitas salientou que a ocorrência este ano de dois surtos de sarampo, foram pequenos e que não se tornaram endémicos. “Este ano tivemos dois surtos de sarampo que foram pequenos, que foram autolimitados e que depois não deram origem a transformações alargadas na comunidade e a doença não se tornou endémica. Eu diria que isso é a prova dos nove de que existe imunidade contra o sarampo em Portugal”, disse.

Graça Freitas adiantou que conhece os resultados há algum tempo e que a Direção-Geral da Saúde (DGS) tem estado a trabalhar com o INSA. “Conhecemos estes resultados. O inquérito é apenas uma peça para avaliação de todo o impacto das nossas intervenções aqui neste caso nomeadamente nas doenças para as quais à vacina. Nós com periodicidade e mais regularmente (os inquéritos fazem-se de 10 em 10 anos) avaliamos as coberturas vacinais, vemos como a população se está a vacinar e depois avaliamos a evolução da doença no nosso país”, disse. Graça Freitas lembrou que as vacinas do Programa Nacional de Vacinação estão todas controladas ou eliminadas.

“É com toda a naturalidade que encaramos estes resultados. São muito bem-vindos. Fazem parte de um quadro de análise do Programa Nacional de Vacinação. Estes dados serológicos de anticorpos (encontrado no sangue das pessoas), são apenas uma peça de um puzzle de monitorização que nos permite aferir da nossa atuação em relação à vacina”, disse.

De acordo com a responsável, os resultados do inquérito fazem parte de uma quantidade de parâmetros que “ajudam a saber onde estamos e a tomar decisões sobre vacinação”.

“Por isso temos vindo a apelar à vacinação. Lembro que lançamos campanhas de repescagem de vacinação contra o sarampo sobretudo nos grupos etários que não tendo tido a doença selvagem e contacto com o vírus vacinaram-se há alguns anos e esta vacinação já passou e têm níveis de anticorpos inferiores ao desejável”, disse.

A DGS iniciou em julho uma campanha de vacinação de repescagem contra o sarampo em crianças e adultos, tendo adquirido para o efeito 200 mil doses adicionais de vacinas.

Trinta e um casos de sarampo foram confirmados este ano em Portugal, tendo a DGS, recebido 158 notificações desde 1 de janeiro, segundo os últimos dados daquela entidade divulgados em 6 de junho. No último inquérito, a seroprevalência para o vírus do sarampo foi de 95,2%, mas o atual aponta para 94,2% de indivíduos imunes à doença.

O inquérito indica que “este valor é inferior a 95%, proporção de indivíduos seropositivos [com contacto com o agente infecioso] necessária para que ocorra imunidade de grupo”, a qual é um efeito indireto da vacinação que protege os vacinados, mas também os que não receberam a vacina, uma vez que reduz a circulação do agente e da transmissão da infeção.

LUSA/SO/SF

Gedeon Richter

 

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