10 Ago, 2017

Crianças e jovens têm menos cáries do que há 10 anos

O estudo da Direção-Geral da Saúde mostra uma redução de doenças orais nos mais novos, contudo a equipa de investigadores defende que o programa cheque-dentista deveria começar mais cedo

A investigação faz parte do III Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais e foi publicada na revista Community Dental Health e tem como objetivos avaliar as necessidades de tratamentos dentários nos mais novos e chamar a atenção para a importância da criação de programas estratégicos que promovam a saúde oral.

Através de um questionário que pretendia conhecer os hábitos alimentares e de higiene oral realizado a 3710 crianças e jovens de Portugal Continental e Ilhas, a percentagem de crianças e jovens de 6, 12 e 18 anos com cáries dentárias é de 45,2%, 47% e 67,6%, respetivamente.

Os resultados revelam uma diminuição de cáries dentárias quando comparados aos dados do II Estudo Nacional realizado em 2006. No grupo dos 12 anos, o número médio de dentes atingidos é de 1,18 por criança, tendo já ultrapassado o objetivo para 2020 definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Paulo Melo, um dos elementos da equipa de investigação e investigador na Unidade de Investigação em Epidemiologia do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, dá destaque à importância do programa cheque-dentista, aplicado desde 2009 a crianças e jovens.

O programa “permitiu divulgar mais facilmente os cuidados preventivos a ter com a boca”, afirma. “Por outro lado, nos casos em que já existiam cavidades de cárie nos dentes permanentes foi possível tratá-los o mais precocemente possível, de forma a não se perderem ou a piorarem a sua situação. Também se sabe que se uma pessoa tiver um dente cariado não tratado dentro da boca, pode, mais facilmente, ficar com outros dentes cariados”, acrescenta o investigador.

O estudo revelou também que 55% das crianças de seis anos não têm cáries, contudo têm necessidade de tratamento. Paulo Melo defende que o programa cheque-dentista deveria ser alargado aos maios novos de forma a “poder controlar-se a cárie dos dentes decíduos (de leite) pois a presença de cárie nestes dentes pode prejudicar os dentes definitivos, para além de poder dar problemas complicados às crianças que têm estes dentes cariados”.

Existem, ainda, comportamentos que fazem a diferença como os pais estarem mais atentos à saúde oral dos filhos, insistindo na escovagem dos dentes regular pelo menos duas vezes ao dia, e terem cuidados com a alimentação. A maior divulgação de medidas de prevenção do aparecimento de cáries junto das escolas também é um caminho a seguir.

SO/SF

 

 

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