28 Dez, 2016

Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra implanta válvulas cardíacas por via percutânea

O inovador procedimento permite que os doentes tenham alta dois dias depois após o procedimento médico, retomando a sua vida diária sem qualquer limitação

O Centro de Referência Nacional para as Cardiopatias Congénitas do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) anunciou hoje que procedeu com êxito a mais duas implantações de válvulas cardíacas em posição pulmonar por via percutânea.

“Esta técnica permite, em casos bem selecionados e após apreciação em reunião médico-cirúrgica, com critérios muito rigorosos, colocar válvulas biológicas no coração de doentes, sem qualquer intervenção cirúrgica”, explicou o médico Eduardo Castela, diretor daquele centro e também do Serviço de Cardiologia Pediátrica.

Segundo o especialista, esta técnica é feita através de punção com agulha de uma veia femoral, que permite a introdução de cateteres adequados ao procedimento, que acaba por ser muito mais rápido e menos dispendioso do que a tradicional cirurgia.

O cirurgião António Marinho da Silva, que chefiou a equipa responsável pela implantação das válvulas, precisou que os dois doentes, de 17 e 25 anos, já tinham sido operados em criança à artéria pulmonar, com a aplicação de uma prótese humana (enxerto de fragmentos de cadáver).

“O enxerto humano acaba por calcificar e obstruir a artéria que leva o sangue aos pulmões, tornando-a disfuncional. Esta técnica vem dispensar que sejam operados de novo”, disse o médico, referindo que um dos doentes intervencionados já tinha sido operado três vezes.

António Marinho da Silva explicou ainda que se tratam de válvulas biológicas “que não causam rejeição e que se aguentam décadas”, ultrapassando os 20 anos sem qualquer problemas.

Por outro lado, acrescentou, esta técnica evita a cirurgia, que é uma solução mais cara e que obriga o doente a, pelo menos, uma semana de internamento no hospital.

No caso da implantação das válvulas cardíacas em posição pulmonar por via percutânea, os doentes têm alta dois dias depois após o procedimento médico, retomando a sua vida diária sem qualquer limitação.

Esta intervenção envolveu os Serviços de Cardiologia-Pediátrica, de Cardiologia A e de Anestesiologia do CHUC e foi realizado por uma equipa de médicos nacionais e internacionais, de enfermagem e técnicos hospitalares, chefiada por António Marinho da Silva.

Até ao momento, o Centro de Referência Nacional para as Cardiopatias Congénitas do CHUC implantou três válvulas, na continuidade do programa que teve início em março de 2016 e que se vai estender pelo próximo ano.

LUSA/SO

 

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