Doutorada em Farmácia e Investigadora na área de células estaminais

Células Estaminais Mesenquimais do Tecido do Cordão Umbilical poderão ser opção no tratamento de Colite Ulcerosa

A colite ulcerosa é uma doença crónica que afeta cada vez mais pessoas entre os 15 e os 35 anos, que têm de aprender a enfrentar uma doença sem cura, com manifestações dolorosas e comprometedoras da qualidade de vida. Esta patologia está associada à inflamação e ulceração do intestino grosso, provocando diarreia com sangue, cólicas e febre. A sua etiologia é desconhecida, mas podem contribuir para esta perturbação fatores como a hereditariedade e uma resposta imune intestinal hiperativa. Pensa-se que pode ocorrer devido a uma desregulação do sistema imunitário da mucosa intestinal, que origina uma resposta imune exagerada contra a microflora intestinal normal, causando as lesões típicas da colite ulcerosa. Atualmente, não existe cura para esta patologia e os tratamentos disponíveis permitem apenas melhorar as queixas e manter os doentes sem sintomas durante longos períodos de tempo, existindo uma necessidade urgente de opções terapêuticas para curar esta doença inflamatória do intestino.

De acordo com conclusões de um estudo publicado recentemente, as células estaminais do tecido do cordão umbilical poderão constituir uma opção para o tratamento desta doença. As células estaminais mesenquimais (MSC), pela sua função imunomoduladora, capacidade de diferenciação e efeitos parácrinos, podem restaurar tecidos, um dos principais objetivos no tratamento da colite ulcerosa. De acordo com estudos anteriores, as MSC podem reduzir a inflamação do cólon por regular negativamente a produção de mediadores inflamatórios pelas células imunes das mucosas e por aumento dos níveis de citocinas antiinflamatórias.

Neste contexto, foi realizado um ensaio clínico (NCT01221428) para investigar a segurança e a eficácia de MSC do tecido do cordão umbilical (MSC-TCU) em doentes com colite ulcerosa moderada a grave durante dois anos. Um grupo de 34 doentes com colite ulcerosa foi tratado com uma infusão de MSC-TCU (grupo I), além do tratamento basal (aminossalicilatos) e os restantes 36 doentes do grupo II foram submetidos a solução salina acompanhada do tratamento basal. Um mês após o tratamento, 30 dos 34 doentes do grupo I apresentaram resposta favorável, tendo a formação de úlceras difusas e profundas e a inflamação grave da mucosa sido significativamente melhoradas. Durante o acompanhamento, os doentes do grupo I registaram melhorias clínicas significativas que se traduziram em melhorias da qualidade de vida, quer comparativamente à fase anterior ao tratamento quer relativamente ao grupo II (grupo controlo). Em comparação com o grupo II, não se registaram reações adversas em nenhum dos doentes do grupo I e não foram observados efeitos colaterais crónicos.

A constante investigação científica que se faz no âmbito da aplicação clínica de células estaminais tem contribuído para a perceção geral da sociedade sobre o valor terapêutico destas células. A opção crescente pela criopreservação de células estaminais que se tem verificado em Portugal e no mundo, bem como o alargamento da aplicação das células estaminais a outras áreas, é o sinal claro de que, a curto e médio prazo, as células estaminais constituirão opções de tratamento para um amplo conjunto de patologias, que atualmente já ultrapassa as 80.

Referência:

Safety and therapeutic effect of mesenchymal stem cell infusion on moderate to severe ulcerative colitis. Hu J, Zhao G, Zhang L, Qiao C, Di A, Gao H, Xu H. Exp Ther Med. 2016 Nov;12(5):2983-2989.

 

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