14 Fev, 2017

Cardiologistas lançam campanha para diminuir mortes por enfarte do miocárdio

A APIC refere que mais de dois terços da população não conhecem os sintomas da doença e que apenas um terço dos doentes utiliza o 112 para ser encaminhado para um hospital e receber a assistência médica mais adequada

A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) lançou hoje uma campanha de consciencialização sobre o enfarte agudo do miocárdio. A doença mata mais de oito mil doentes por ano em Portugal e a APIC acredita que é um número possível de reduzir.

Para combater estes números, a APIC lançou hoje, Dia do Doente Coronário, a campanha “Não perca tempo. Salve uma vida. O enfarte não pode esperar”. A campanha pretende alertar a população para os sinais e sintomas do enfarte e para a necessidade de ligar rapidamente para o 112, para garantir o tratamento indicado, a angioplastia primária, e diminuir o número de mortes, informa a associação em comunicado.

Os principais sintomas são dor no peito, por vezes irradiação no braço esquerdo, costas e pescoço, que pode ser acompanhada por suores, náuseas, vómitos, falta de ar e ansiedade.

A campanha vai prolongar durante os próximos meses e faz parte da Stent For Life, uma iniciativa trazida para Portugal em 2011 pela APIC que já conseguiu ganhos nesta área.

Para avaliar a eficácia da campanha foram realizados inquéritos a nível nacional, com a duração de um mês e uma periodicidade anual, designados por Momentos entre 2011 (Momento zero) e 2016 (Momento cinco).

A principal conclusão que se tira é que a campanha “pode estar a chegar às pessoas, uma vez que durante o período de vigência da Stent For Life em Portugal, se observou uma evolução positiva nos indicadores do ‘atraso do doente’”, adianta a associação.

Segundo a APIC, foi verificada “uma redução significativa” dos doentes que recorreram aos cuidados de saúde primários como primeira forma de pedirem ajuda (de 20,3% no primeiro Momento, para 4,4% no Momento 5), ou que recorreram a centros sem cardiologia de intervenção (de 54,5% para 37,9%, respetivamente).

Observou-se também um aumento dos que ligaram para o 112 e do transporte dos doentes pelo Sistema Nacional de Emergência Médica (INEM) para um centro com cardiologia de intervenção onde os doentes têm acesso ao tratamento por angioplastia primária.

Contudo, o “atraso do sistema de saúde” não sofreu alterações significativas ao longo deste período, salienta a associação, adiantando que “estes resultados estão a ser tomados em conta na estratégia futura do Stent For Life, designadamente no reforço dos atuais programas educacionais para melhorar este atraso”.

LUSA/SO

 

Gedeon Richter

ler mais

RECENTES

ler mais