13 Jan, 2017

Bragança apela para que utentes recorram aos centros de saúde em caso de gripe

A responsável clínica pelos cuidados primários no distrito de Bragança considera que continua a haver alguma resistência por parte dos doentes em recorrer aos centros de saúde em caso de gripe

A responsável clínica pelos cuidados primários no distrito de Bragança considera que continua a haver alguma resistência por parte dos doentes em recorrer aos centros de saúde em caso de gripe, apesar de se notar um aumento da afluência.

Em declarações à Lusa, Sílvia Costa deixou um apelo para que as pessoas confiem mais nos centros de saúde e no médico de família e para que sigam as orientações nacionais de, em caso de gripe, se dirigirem a estes serviços e não às urgências hospitalares.

“A resposta está lá, falta que os doentes confiem e vão lá”, afirmou a diretora clínica de cuidados primários na Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste, garantindo que, se o quadro clínico o exigir, serão encaminhados para o hospital.

Há mais de uma semana que dois centros de saúde da região, um em Bragança e outro em Mirandela – as maiores cidades da área, onde existem hospitais com serviço de urgência – estão a funcionar com um reforço do horário, alargado das 20:00 até às 22:00 de segunda a sexta, e das 09:00 às 19:00 ao fim de semana.

Os centros de saúde dos restantes concelhos da região já funcionam até às 22:00 todos os dias.

Sílvia Costa indicou que “houve um aumento na consulta aberta e no horário alargado devido à gripe”, embora só em fevereiro seja possível avançar com dados concretos, quando forem publicadas as estatísticas oficiais da Saúde.

A responsável apontou que no sábado passado, no período de reforço, em duas horas, entre as 20:00 e as 22:00, foram atendidas 12 pessoas no Centro de Saúde de Santa Maria, em Bragança.

Outra constatação da diretora é a de que no ano passado nem a gravidade da gripe nem a afluência às consultas foram “tão pesadas”.

Bragança ainda não chegou ao primeiro dos níveis mais graves (o amarelo) da afluência e a nível local estão à espera que a situação piore, com o pico da gripe previsto para finais de janeiro/fevereiro.

Nos casos já atendidos no centro de saúde, “são poucos os que têm de ser encaminhados para o hospital”.

Quem cumpriu as orientações foi Mário Geraldes, de 80 anos, que a Lusa encontrou esta semana no Centro de Saúde de Santa Maria, em Bragança, acompanhado da esposa, Gracinda.

Ambos estão vacinados contra a gripe, mas, dizem os especialistas, este ano o vírus sofreu uma mutação e a vacina perdeu eficácia, embora seja recomendada para evitar outros quadros mais graves como a pneumonia.

Mário Geraldes contou à Lusa que já há uns anos que ele e a mulher não apanhavam gripe.

Este ano já é a segunda vez. Como “deu nas notícias que havia consulta aberta e para não ir ao hospital”, assim fez.

Precisava de medicação para outras doenças crónicas e decidiu deslocar-se da aldeia de Parada, próxima da cidade, e recorrer à consulta aberta para tratar o incómodo no peito, nariz e garganta.

Chegou ao centro de saúde depois das 09:00 e foi-lhe marcada consulta para as 10:10.

O reforço do horário deste centro de saúde vai manter-se “até ser preciso”, segundo a diretora dos cuidados primários.

A população envelhecida da região e as patologias associadas fazem com que “a gripe apresente sempre um quadro mais violento”, de acordo ainda com a responsável, que vincou que os doentes “devem ir sempre ao médico de família que sabe o que tomam, o histórico e os hábitos”.

Retirar estes e outros casos das urgências hospitalares e encaminhá-los para o médico de família é também uma prioridade do presidente do conselho de administração da ULS do Nordeste, Carlos Vaz.

No ano de 2016, houve mais de 3.700 pessoas que foram à urgência do hospital de Bragança, mais de quatro vezes, representando 25.721 episódios. O número é uma média, como vincou o administrador hospitalar, que apontou o exemplo de um utente com mais de 50 idas à urgência.

Deste universo de utentes, mais de um terço, foram triados com pulseiras verdes, azul e branca e só 9% corresponderam a uma situação grave, com pulseira laranja.

LUSA/SO

 

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