Paulo Gonçalves, autor em Saúde Online https://saudeonline.pt/author/paulo-goncalves/ Notícias sobre saúde Tue, 17 May 2022 11:33:54 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Paulo Gonçalves, autor em Saúde Online https://saudeonline.pt/author/paulo-goncalves/ 32 32 O maior problema com os Ensaios Clínicos? A população-alvo https://saudeonline.pt/o-maior-problema-que-temos-com-os-ensaios-clinicos-a-populacao-alvo/ https://saudeonline.pt/o-maior-problema-que-temos-com-os-ensaios-clinicos-a-populacao-alvo/#respond Tue, 17 May 2022 11:33:54 +0000 https://saudeonline.pt/?p=131772 Vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla

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doenças raras

Se o objetivo de um estudo for meramente académico e para provar um conceito, tem pouco efeito prático para quem, no seu dia-a-dia, se sente afetado por alguma dificuldade. Um estudo clínico tem como objetivo encontrar novas soluções para problema(s) clínico(s). Essa é a razão para que todos conheçamos melhor o que é um ensaio clínico, para que servem, quais os seus objetivos e como podem ter impacto nos cidadãos e na sociedade.

Um Ensaio Clínico (EC) é um estudo conduzido em pessoas com objetivo de descobrir ou verificar os efeitos de um ou mais medicamentos experimentais. Só são testados em seres humanos após fases anteriores de avaliação rigorosa em laboratório e/ou com animais. Antes de se iniciar, tem uma aprovação prévia pelos reguladores europeus (EMA), tendo em conta o caráter científico e ético e, apenas são autorizados quando os riscos são inferiores aos benefícios. A monitorização é rigorosa, tanto pelos promotores como pelos reguladores.

O processo na sua globalidade segue um conjunto de regras chamado de Protocolo. A elegibilidade de uma pessoa para um EC pode depender de vários fatores e apenas o seu médico assistente poderá aconselhar a sua participação. Um dos aspetos essenciais é o documento de Consentimento Informado, documento que detalha por completo todo o “caminho” do EC. Quando há dúvidas é necessário esclarecê-las com profissionais de saúde da nossa confiança, mas que tenham, também, conhecimento para o efeito, que possam traduzir para uma linguagem que compreendamos com clareza o que lá está escrito.

Risco? Não existe nada na vida que não tenha risco. Até sair de casa para ir comprar o jornal. É claro que é completamente diferente o grau de risco quando comparado com uma participação num EC. Por isso existe um Regulador, uma Comissão de Ética, o seu médico e eventualmente uma Associação de Doentes que apoie Pessoas afetadas por uma dessas patologias alvo do EC.

Quando há a possibilidade de participar num EC de avaliação terapêutica antes da introdução no mercado, este já passou por fases anteriores de segurança e eficácia.

Qual é o maior problema que temos com os Ensaios Clínicos? A população-alvo. Encontrar as pessoas com as características adequadas ao Estudo.

Como é que se pode mitigar esta situação? Com a organização dos dados a nível nacional, compatível com estruturas internacionais de modo que quando existam EC seja possível encontrar a população-alvo com as garantias de segurança, proteção e confidencialidade que como cidadãos esperamos das entidades oficiais.

É aqui que entramos todos, na garantia da proteção individual. Se somos donos dos nossos dados, porque partilhamos facilmente onde estamos, o que fazemos, quando fazemos, com quem estamos, etc.? E quando toca ao que mais sensível podemos ter, que é a nossa saúde, porque desconfiamos tanto? Acredito que seja por três razões (3C):

  • Conhecimento – precisamos de aprender mais e melhorar as nossas perguntas;
  • Confiança – precisamos de ter mais evidências do propósito e ações das entidades à nossa volta;
  • Comunicação – precisamos que a comunicação da informação transformada em conhecimento seja melhorada e, que as evidências sejam absolutamente transparentes, simplificando a mensagem mantendo o significado.

Se, como sociedade, trabalharmos os 3C anteriores, transformamos a nossa sociedade e convertemos algo que à partida nos deixa com receios numa fonte de receita para Portugal, pelo valor que os Ensaios Clínicos têm na Europa e no Mundo.

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Ó Costa, então e os Doentes pá? https://saudeonline.pt/o-costa-entao-e-os-doentes-pa/ https://saudeonline.pt/o-costa-entao-e-os-doentes-pa/#respond Fri, 09 Apr 2021 17:01:43 +0000 https://saudeonline.pt/?p=111121 Vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla

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esclerose múltipla

Mas andam a gozar com quem vive com doença crónica? Ou andam a trabalhar para as sondagens? Será incompetência? Ou será competência especializada na gestão de opinião pública? Sabiam que há um milhão e meio de doentes crónicos, entre eles mais de cem mil que têm patologias que, se contraírem covid-19 têm mais probabilidade de internamento e cuidados intensivos (UCI)?

Se não sabem fazer, saiam da frente! Se sabem, sejam transparentes na publicação do Plano, na execução do Plano e na demonstração dos Resultados, de modo a que possam ser escrutinados com verdade!

Se a estratégia fosse vacinar todos entre os 16 e os 35 porque são os maiores assintomáticos e transmissores da doença, era uma coisa. Só que não houve vacinas para esta opção.

A OMS recomendou o método 80/80/80, seguindo-se as pessoas com doenças com maior probabilidade de internamento geral ou UCI, de modo a evitar o colapso do sistema.

“O Governo Português disse” que ia seguir esta. Mas fê-lo? Não!

Eles foram políticos, médicos, profissionais de saúde, gestores de lares, presidentes e vereadores, amigos, bombeiros, farmacêuticos e finalmente professores.

Sabiam que, com excelsa exceção dos 80% dos profissionais de saúde, grande parte destes que já foram vacinados ou serão muito brevemente, se estiverem ausentes do seu trabalho, por 15 dias devido a contágio covid-19, terão uns 3 dias maus poderão recuperar em casa, sem grande probabilidade de internamento ou UCI?

Então porque é que se faz este teatro de dizer que se dá ouvidos à ciência e depois se tem trajeto erróneo? Porque é que não se conhecem os planos antecipada e detalhadamente?

Simples! Gestão muito profissional de agenda mediática e controlo de sondagens com vista ao próximo ato eleitoral. Não há aqui plano técnico. Depois culpam-se os executores.

Estão a morrer pessoas a mais! Os números estão à disposição de todos. Há um número de mortes covid-19 acima do que devia. Serão erros estratégicos? Há um número de mordes não-covid-19 acima do que devia. Serão erros estratégicos?

Há uns milhares de pessoas adultas com doenças raras, com menos de 50 anos, que não estão em nenhuma lista de prioridades. Uma parte destas, se contraírem covid-19 terão grande probabilidade de internamento, UCI e morrer! Será que é porque a DGS não sabe? O número é relativamente reduzido que, face aos milhões que há para vacinar, seria muito fácil catalogá-los.

Se estas pessoas já chegaram à DGS, já chegaram às televisões, aos jornais, etc. porque é que agora vão vacinar milhares de professores? E também os Universitários? Mas alguém acredita que é porque as escolas vão abrir? E os professores poderiam transmitir aos alunos ou os alunos poderiam transmitir aos professores? Então e os empregados de supermercado? E os da restauração? E os motoristas de transportes públicos? E os taxistas? E os…………etc.?

Ó Costa, então e os Doentes pá?

É indigno gozarem com a nossa cara. Se por cada decisão destas tivessem de carregar um caixão no enterro para sentirem a dor de cada família, talvez pensassem melhor. Ou não. Porque provavelmente estes que estão a morrer não iriam votar mesmo.

1 Milhão de vacinas de uma única toma a chegar em abril, TODAS PARA OS DOENTES, seguindo a regra de prioridade definida pela própria DGS, mas incluindo os doentes raros e/ou com menos de 50 anos que, pela patologia que carregam, dificilmente chegam aos 50 anos de idade, mesmo sem covid-19.

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