João Filipe Raposo, autor em Saúde Online https://saudeonline.pt/author/joao-filipe-raposo/ Notícias sobre saúde Tue, 14 Nov 2023 14:38:49 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png João Filipe Raposo, autor em Saúde Online https://saudeonline.pt/author/joao-filipe-raposo/ 32 32 Diabetes. “A população sabe fazer escolhas saudáveis, mas é condicionada por fatores como o horário laboral” https://saudeonline.pt/diabetes-a-populacao-sabe-fazer-escolhas-saudaveis-mas-e-condicionada-por-fatores-como-o-horario-laboral/ https://saudeonline.pt/diabetes-a-populacao-sabe-fazer-escolhas-saudaveis-mas-e-condicionada-por-fatores-como-o-horario-laboral/#respond Mon, 13 Nov 2023 16:08:25 +0000 https://saudeonline.pt/?p=151086 João Filipe Raposo, presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, considera que é fundamental alterar o modelo social para que se consiga diminuir a prevalência da diabetes. Para o especialista, as jornadas de trabalho longas e baixos salários são exemplos de fatores que também contribuem para más escolhas alimentares.

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Que avaliação faz da evolução da diabetes em Portugal?

Gostaria de lhe dar uma visão extremamente positiva, ou seja que já se havia conseguido estabilizar a curva crescente da diabetes tipo 2, que se estaria mais perto da cura da diabetes tipo 1, que já conhecíamos melhor outros tipos mais raros de diabetes, contudo não o posso fazer. Infelizmente, a realidade é outra e ainda é uma doença preocupante, que continua a crescer  na população em Portugal – e não só –, com os elevados custos associados, e ainda não temos uma verdadeira estratégia que combata a diabetes tipo 2, que tem muito a ver com os estilos de vida. Existem alguns projetos-piloto, mas ainda estamos muito longe de ter os resultados desejáveis

 

O que está a falhar no combate a esta doença?

Não temos tido uma grande capacidade de discutir e mudar o nosso modelo social, ou seja focamo-nos apenas na responsabilidade da pessoa ao optar por estilos de vida menos saudáveis, mas sem ir ao cerne da questão. A sociedade em que vivemos também leva a que as pessoas optem mais facilmente por uma alimentação pouco saudável e por uma vida mais sedentária, sem prática regular de exercício físico. A população sabe fazer escolhas saudáveis, mas é condicionada por fatores como o horário laboral, o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. As jornadas longas de trabalho, com baixos salários, diminuem o tempo que se tem para o exercício e contribuem para se optar por alimentos de pior qualidade, por exemplo. O próprio modelo de urbanização não promove a saúde. Podemos gastar muito dinheiro em folhetos e campanhas, mas se não alterarmos a falta de condições que promovem a adoção de hábitos saudáveis, mantemos o problema.

“O modelo social de Portugal é muito diferente do vigente nos países nórdicos [da Europa], onde existe um maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal”

Facilmente se opta mais por alimentos hipercalóricos e pré-cozinhados…

Sim, a nossa sociedade é obesogénica. Os alimentos menos saudáveis tendem inclusive a ser mais baratos do que os outros. Num país em que os salários são baixos, as pessoas vão inevitavelmente comprar o que não faz tão bem, mas podem pagar.

 

É um problema que deve assim envolver diferentes parceiros?

Sem dúvida! Não basta uma única medida. E, claro, a promoção da saúde deve começar sempre na infância. Apesar de tudo, temos tido também alguns avanços (como a legislação referente aos refrigerantes), mas não é suficiente para mudar comportamentos. Quando se fala sobre doenças não transmissíveis é preciso olhar para várias vertentes. O modelo social de Portugal é muito diferente do vigente nos países nórdicos [da Europa], onde existe um maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

“A educação terapêutica é fundamental, apesar de não ser muito reconhecida pelos sistemas de saúde” 

E relativamente a quem já foi diagnosticado com diabetes, que avaliação faz do acesso a cuidados de saúde em Portugal?

Felizmente, temos acesso às inovações terapêuticas, apesar de alguns atrasos que vão sempre acontecendo no que diz respeito à aprovação e comparticipação. Atualmente, a grande questão é o  acesso à tecnologia das bombas perfusoras de insulina para diabetes tipo 1. Temos uma proposta do Governo que vai permitir o acesso às de última geração a toda a população com diabetes tipo 1, mas ainda desconhecemos de que forma se vai operacionalizar essa medida.

Na diabetes tipo 2, a inovação farmacológica permite-nos controlar melhor a doença em si e, simultaneamente, prevenir algumas complicações como as do foro cardiovascular e renal. Falta, todavia, dar mais atenção a outras dimensões tais como a saúde mental de quem vive com esta doença crónica, o fígado gordo, a retinopatia diabética … É importante não esquecer o papel das equipas multidisciplinares que permitem dar um melhor acompanhamento ao doente, ajudando-o na gestão da sua própria doença. Deveria existir mais equipas. Mesmo para o Estado, a prevenção e o bom controlo da diabetes contribuem para a redução das despesas do sistema de saúde.

 

Todas essas questões vão ao encontro do tema deste ano do Dia Mundial da Diabetes: “Educar para proteger o futuro”. É uma questão mundial?

Sim, à medida que se vai conhecendo melhor a doença comprova-se cada vez mais a relação da diabetes com outras patologias, como as cardiovasculares. É também fator de risco para um pior prognóstico de doenças oncológicas ou infeciosas… É essencial conseguir-se, primeiramente, diagnosticar o mais cedo possível, para que se possa ter maior qualidade de vida e menos custos associados – e para que se consiga controlar a doença. A educação terapêutica é fundamental, apesar de não ser muito reconhecida pelos sistemas de saúde. Nós, profissionais de saúde, não podemos esquecer esta vertente. A educação terapêutica é das ferramentas mais eficazes para o uso correto dos cuidados de saúde.

MJG

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A importância da alimentação da pessoa com diabetes https://saudeonline.pt/a-importancia-da-alimentacao-da-pessoa-com-diabetes/ https://saudeonline.pt/a-importancia-da-alimentacao-da-pessoa-com-diabetes/#respond Tue, 28 Dec 2021 18:16:53 +0000 https://saudeonline.pt/?p=125799 Presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD)

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A diabetes é uma doença crónica que afeta um milhão de portugueses, sendo que destes, apenas cerca de 760 000 estão diagnosticados e a fazer tratamento. Além da medicação e da atividade física, a alimentação é o terceiro pilar do tratamento e controlo desta doença. Isto significa, claro, que o diagnóstico de diabetes obriga a uma revisão dos hábitos alimentares e consequente ajuste, o que pode ser desafiante.

A boa notícia é que não existem alimentos proibidos para pessoas com diabetes. Existe, sim, a necessidade de equilíbrio e cuidados redobrados. O que se escolhe incluir ou excluir da alimentação é fundamental não só para manter os níveis adequados de glicemia no sangue, mas também para prevenir problemas de saúde adicionais.

 

A relação entre a alimentação e a diabetes

A alimentação da pessoa com diabetes deve ser tão equilibrada, variada e completa quanto a alimentação de uma pessoa totalmente saudável. É importante, contudo, que o principal objetivo seja manter controlados os níveis de glicose, colesterol, triglicéridos e pressão arterial. Ao mesmo tempo, é necessário redobrar a atenção ao peso, uma vez que a obesidade e a diabetes estão intimamente ligadas. Com todos estes cuidados será possível diminuir o risco de complicações associadas à diabetes, como doenças cardíacas.

Idealmente, as pessoas com diabetes deverão ser acompanhadas por um médico e nutricionista e seguir um plano alimentar individualizado, equilibrado e adaptado às suas necessidades. Além de apostar em pratos saudáveis, saber contabilizar os hidratos de carbono é uma grande ajuda para garantir bons níveis de açúcar no sangue.

 Embora as pessoas com diabetes não estejam proibidas de ingerir açúcar, é importante referir que devem ter moderação e procurar evitar alimentos açucarados. Além de contribuírem para uma rápida subida da glicemia, são, regra geral, extremamente calóricos e pobres em fibra, vitaminas e minerais.

 

Regras alimentares

Crucial para a qualidade de vida da pessoa com diabetes e para o controlo da doença, a alimentação é, provavelmente, o fator mais facilmente adaptável. A sua melhoria depende única e exclusivamente da vontade de cada um, pelo que se deve começar desde logo a ajustar os comportamentos alimentares.

Se tem diabetes, há alguns hábitos que deve implementar no seu dia a dia para conseguir uma alimentação correta e equilibrada:

  • Faça da água a sua bebida de eleição. Deve ingerir entre 1,5 a 2 litros de água por dia.
  • Aconselhe-se junto do seu médico e nutricionista acerca das quantidades de hidratos de carbono que pode e deve consumir, uma vez que elas dependem de fatores como idade, peso, género ou nível de atividade física.
  • Comece as refeições principais com uma sopa. Não só é saciante, como estimula o bom funcionamento intestinal.
  • Consuma hortaliças e legumes em grandes quantidades, de modo a garantir que ingere fontes de fibra, vitaminas e minerais. Estes alimentos podem (e devem) ser consumidos na sopa e como acompanhamento no prato principal.
  • Aposte nas frutas, mas com moderação, e reduza a quantidade das mais açucaradas, como o figo, a cereja e a banana. Uma boa ideia é fazer da fruta a sobremesa que come após o prato principal.
  • Coma peixe e carne com moderação, para evitar a ingestão em excesso de proteínas. No que se refere à carne, deve optar pelas opções mais magras, como as aves.
  • Reduza o consumo de gordura, restringindo a utilização de óleos e alimentos gordos. Alimentos como margarina, banha de porco, charcutaria e natas devem ser ingeridos com redobrada moderação. Deve privilegiar gorduras insaturadas, como peixes gordos, azeitonas e óleos vegetais.
  • Diminua o consumo de sal e de alimentos salgados, privilegiando ervas aromáticas, como alecrim, coentros ou orégãos, para dar sabor aos seus pratos.
  • Limite o consumo de bebidas alcoólicas, seguindo as regras: os homens poderão ingerir até dois copos de vinho por dia e as mulheres poderão beber um copo de vinho por dia. Isto se a diabetes se apresentar controlada.
  • Reduza ao máximo o consumo de alimentos pouco nutritivos e ricos em açúcar, como bolos, chocolates, bolachas, gelados e refrigerantes.
  • Aumente a ingestão de fibra, apostando nas leguminosas, no pão de mistura e na aveia.
  • Tenha especial atenção ao consumo de café e chá, uma vez que a ingestão de cafeína deve ser controlada.
  • Prepare snacks saudáveis previamente e guarde-os em locais estratégicos, de modo a evitar cair na tentação de recorrer aos alimentos menos saudáveis.
  • Siga a regra de ouro para as proporções do seu prato principal: 50% da refeição deve ser composta por vegetais, 25% deverão corresponder a hidratos de carbono e os restantes 25% representarão as proteínas.
  • Para reduzir o peso, reduza a quantidade de calorias.

 

Em suma, é importante seguir as recomendações da Roda dos Alimentos, ter atenção às escolhas alimentares diárias e não cometer excessos (em quantidade e em qualidade). Não deixe de pedir ajuda ao seu médico e nutricionista para juntos definirem um plano que permita seguir todas as indicações que deverá ter em conta de modo a controlar a doença.

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Diabetes na criança https://saudeonline.pt/diabetes-na-crianca/ https://saudeonline.pt/diabetes-na-crianca/#respond Tue, 09 Nov 2021 15:52:56 +0000 https://saudeonline.pt/?p=123714 Presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia

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A diabetes nas crianças é uma doença crónica cada vez mais comum. A sua incidência tem aumentado nos últimos anos e surgido em idades mais precoces. A diabetes tipo 1 é a forma mais frequente em crianças e surge porque o pâncreas não tem capacidade para produzir insulina (hormona que controla o açúcar no sangue).

Esta é uma doença impossível de prevenir, mas detetar precocemente a diabetes infantil contribui para o seu rápido controlo, o que permitirá à criança manter uma vida igual à de todas as outras. Assim, os pais devem ficar atentos aos seguintes sinais:

  • Apetite e sede excessivos
  • Urinar com muita frequência em grande quantidade
  • Emagrecimento
  • Cansaço

Em crianças muito pequenas, estes sintomas são difíceis de valorizar e podem manifestar-se, por, por exemplo, a criança voltar a usar fralda de noite.

Em caso de suspeita de diabetes, deve ser contactado o médico que acompanha a criança ou outro, em caso de indisponibilidade. Este confirmará os sintomas, examinará a criança e pedirá uma avaliação da glicemia em laboratório. Confirmado o diagnóstico, o acompanhamento deve ser feito por equipas multidisciplinares: médico, nutricionista, enfermeiro e psicólogo.

 

Controlo da diabetes na criança

A insulina, o exercício físico e a alimentação saudável são os pilares do tratamento da diabetes (tipo 1) na criança. A falta de controlo dos níveis de açúcar e o esquema inadequado de insulina impedem o equilíbrio metabólico e, nesse caso, a criança corre o risco de descompensação aguda, alterações do desenvolvimento e complicações a longo prazo (nos olhos, rins, coração e vasos sanguíneos).

A criança com diabetes deve:

  • Fazer a avaliação regular da glicemia (diurna e noturna).
  • Fazer a avaliação nutricional dos alimentos ingeridos (nomeadamente com contagem dos hidratos de carbono).
  • Administrar insulina antes de todas as principais refeições, além da insulina basal (de ação prolongada ou intermédia).
  • Contabilizar os açúcares presentes nas bolachas, refrigerantes, etc.

Tal como outras crianças, deve:

  • Diminuir a ingestão de gorduras saturadas (fritos, margarina, manteigas).
  • Incluir sempre vegetais e fruta nas principais refeições.
  • Praticar 60 minutos de exercício físico por dia.

 

Na escola

A criança com diabetes necessita da gestão adequada da administração de insulina, da alimentação e da atividade física ao longo de todo o dia. Como muitas horas são passadas na escola, é fundamental envolver a comunidade escolar no tratamento. Assim, a direção da escola, o professor ou educador devem ter conhecimento de que a criança tem diabetes, saber como medir a glicemia, tratar a hipoglicemia e injetar insulina.

A equipa escolar deve também ajudar a criança a fazer a contagem de hidratos de carbono às refeições. Esta contagem consiste, de uma forma simplificada, na identificação dos alimentos que contêm este nutriente e sua contabilização.

Ao longo do ano letivo existem muitos dias especiais, como aniversários ou visitas de estudo, eventos importantes para a integração, autoestima e bem-estar da criança com diabetes. É indispensável o planeamento destas atividades, tendo em conta o horário e tipo de refeições, de modo a ajustar os esquemas de insulina e de vigilância da glicemia. A estreita colaboração entre escola, pais e profissionais de saúde é fundamental para o controlo da diabetes na criança.

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