André Soler, autor em Saúde Online https://saudeonline.pt/author/gestor25/ Notícias sobre saúde Wed, 15 Apr 2026 13:20:11 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png André Soler, autor em Saúde Online https://saudeonline.pt/author/gestor25/ 32 32 “Procuramos criar percursos formativos que se adaptem às necessidades de cada participante” https://saudeonline.pt/procuramos-criar-percursos-formativos-que-se-adaptem-as-necessidades-de-cada-participante-2/ https://saudeonline.pt/procuramos-criar-percursos-formativos-que-se-adaptem-as-necessidades-de-cada-participante-2/#respond Wed, 15 Apr 2026 09:16:12 +0000 https://saudeonline.pt/?p=185785 O médico de família André Cardoso, presidente do Update em Medicina 2026, antecipa uma edição marcada pela inovação e pela proximidade entre colegas. Num contexto desafiante para a Medicina Geral e Familiar, o congresso aposta em roteiros científicos personalizados, saúde mental, nutrição, saúde da mulher e materno-infantil, oferecendo ferramentas práticas para melhorar a consulta diária e reforçar a qualidade do atendimento no SNS.

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O que significa, para si, liderar a edição de 2026 do Update em Medicina num momento particularmente exigente para a Medicina Geral e Familiar?
É, de facto, uma responsabilidade acrescida, até porque têm existido muitas mudanças, tanto na realidade do Serviço Nacional de Saúde e da saúde como um todo em Portugal, como nas exigências atuais relacionadas com a prática clínica e a premência da atualização científica constante.

O Update em Medicina é, desde sempre, um congresso e um espaço privilegiado para a atualização científica, muito focado na Medicina Geral e Familiar, mas não exclusivamente. Alguns dos colegas que colaboram connosco de forma muito próxima são de variadas especialidades hospitalares, criando uma interdisciplinaridade e dinâmicas muito interessante.

O objetivo passa por reunir este conjunto de profissionais de referência, permitindo o máximo de atualização e garantindo conteúdo científico de elevada qualidade em cada edição.

Naturalmente, trazer um congresso com este impacto, que se tem de posicionar como um dos grandes eventos científicos nacionais, representa uma responsabilidade ainda maior.

Mas este trabalho não se faz sozinho. Temos toda uma equipa motivada, criativa e a trabalhar para preparar este evento com grande rigor. Acredito que esta será uma edição de grande interesse, com atualizações em áreas diferenciadoras face ao que, muitas vezes, nos é trazido noutros congressos médicos, onde alguns temas acabam por se tornar repetitivos.

Esta edição traz uma lufada de ar fresco e marca um processo de transformação e renovação do próprio Update em Medicina, para que continue a liderar as tendências no panorama científico nacional como sempre o fez até agora.

 

Quais são os grandes temas que vão marcar esta edição do Update em Medicina 2026?
Os grandes temas que trazemos, desenrolam-se seguindo um conceito que desenvolvemos: o dos roteiros científicos.

O objetivo é romper com o modelo mais linear dos congressos, em que os profissionais seguem o percurso que foi previamente definido pela organização. Com os roteiros científicos, procuramos criar percursos formativos diferenciados, permitindo que cada participante escolha os temas mais alinhados com as suas necessidades e áreas de interesse.

Em algumas temáticas mais dirigidas a nichos formativos — por exemplo, na área da infeciologia, com a tuberculose ou o VIH/SIDA, que podem interessar mais a determinados subgrupos da Medicina Geral e Familiar — criamos caminhos paralelos, com sessões a decorrer em simultâneo. Desta forma, os participantes podem divergir para outras áreas de interesse, beneficiando de uma oferta formativa mais personalizada e diferenciadora.

Na definição destes roteiros, damos particular destaque à saúde da mulher e materno-infantil, áreas que habitualmente são pouco trabalhadas. Há também um enfoque especial na saúde mental, tendo em conta o papel absolutamente central que a Medicina Geral e Familiar desempenha na primeira linha de abordagem nestas patologias.

Outro dos cernes será a nutrição e a saúde digestiva, incluindo a discussão dos prós e contras das várias dietas atualmente em voga. A grande diversidade de “correntes” e opções disponíveis, torna a área da alimentação bastante controversa, pelo que faz sentido proporcionar atualização para que os médicos consigam orientar cada pessoa de forma adequada e individualizada.

As questões organizacionais e éticas na Medicina Geral e Familiar são também áreas centrais. Falamos aqui de aspetos de fundo relacionados com a gestão da consulta e das próprias unidades de saúde, um tema cada vez mais relevante, sobretudo nas Unidades de Saúde Familiar, onde a otimização de recursos, muitas vezes escassos, é essencial.

Teremos ainda algumas sessões plenárias, sempre com uma forte componente interativa e de proximidade, que é uma marca do Update em Medicina. Queremos que os participantes tenham espaço para colocar questões, partilhar dúvidas e interagir com os oradores, tornando a experiência o mais dinâmica e profícua possível.

 

Quais são, neste momento, os maiores desafios que sente que os médicos de família enfrentam na consulta?
Atualmente, de entre os principais desafios que enfrentamos, destacaria três aspetos principais: sobrecarga assistencial, sobrecarga burocrática e (i)literacia em saúde.

A sobrecarga assistencial deve-se primariamente ao sobredimensionamento dos ficheiros médicos em número absoluto de utentes, que deixa pouca margem para flexibilidade na resposta prestada. Também, estes utentes vivem mais tempo e apresentam uma maior carga de doença, o que aumenta a complexidade da consulta e o tempo necessário para gerir a multimorbilidade. Toda esta dinâmica é agravada pela falta de médicos de família no serviço público em determinadas áreas do país, que por sua vez sobrecarrega os médicos “resistentes”, levando eventualmente à sua exaustão e subsequente agravamento do ciclo de ausência de resposta médica.

A sobrecarga burocrática é um entrave à fluidez da consulta por falta de tempo destinado ao efeito. Além de todos os registos clínicos, formulários e documentos a preencher, as unidades de saúde são altamente monitorizadas através dos seus indicadores. Embora muitos destes processos tenham como objetivo a monitorização da qualidade e a organização dos cuidados, na prática traduzem-se frequentemente em tempo retirado à observação clínica e à relação médico-doente. Adicionalmente, a fragmentação dos sistemas de informação e a sua usabilidade limitada contribuem para aumentar o tempo despendido em tarefas não clínicas, gerando frustração e ineficiência.

A literacia em saúde é parte das funções inerentes à Medicina Geral e Familiar. Contudo, apesar do crescente acesso à informação, muitos utentes apresentam dificuldades em compreender conceitos básicos de saúde, interpretar sintomas, aderir a planos terapêuticos ou navegar adequadamente no sistema de saúde. Assim, verificamos frequentemente uma “falsa literacia”, resultante da exposição a informação não validada, frequentemente proveniente da internet ou redes sociais, que pode gerar expectativas desajustadas, ansiedade e resistência às recomendações médicas. Isto traduz-se num nível de exigência crescente por parte dos doentes. Cada vez mais, os utentes chegam já com informação prévia, conceitos formados e, muitas vezes, uma agenda própria de temas que pretendem abordar. Naturalmente, o médico de família também tem a sua agenda clínica, isto é, os aspetos que considera prioritários avaliar naquele contexto específico. O desafio surge na articulação entre estas duas agendas. Assim, uma parte significativa da consulta passa por desmistificar e clarificar conceitos bem como a contextualizar informação previamente adquirida pelo doente.

 

O que é que um médico de família pode esperar levar deste congresso para a prática clínica do dia a dia que o ajuda a combater esta dificuldade?
Pretendemos que os médicos possam sair deste congresso com mais conhecimento e ferramentas para a gestão da sua prática clínica e para a monitorização e acompanhamento da própria unidade e equipa de saúde.

Também, a sessão dedicada ao stress e ao burnout, com abordagem não apenas na perspetiva do utente, mas também do próprio profissional de saúde, que muitas vezes acaba igualmente por se ver enquadrar nessa situação clínica, pretende clarificar conceitos e lançar alertas. O objetivo é dar resposta àquilo que consideramos ser uma verdadeira epidemia silenciosa, que se tem vindo a alastrar e que, muito provavelmente, continuará a crescer nos próximos anos. Por isso, é essencial promover uma intervenção proativa e capacitar os médicos para reconhecer, prevenir e atuar mais cedo nestas situações.

Por outro lado, teremos também uma sessão centrada noutra faixa etária, mas que muitas vezes está na génese de vários destes problemas: a relação das crianças com o tempo de ecrã. Vamos abordar os riscos deste entretenimento aparentemente fácil, mas que pode ter consequências mais complexas à medida que as crianças crescem, nomeadamente no seu desenvolvimento emocional, cognitivo e relacional.

Por fim, talvez o mais importante, o médico de família ganha confiança para continuar a abordar, gerir e solucionar temas complexos, de multimorbilidade e psicossociais, de forma centrada no doente, operacionalizando de forma otimizada a articulação entre cuidados de saúde primários e cuidados de saúde secundários.

 

Quantas inscrições têm?
Nesta edição contamos com cerca de 1000 inscrições presenciais, às quais se soma um número ligeiramente inferior de participantes em formato digital. De forma a aumentar a acessibilidade e a participação no congresso, optámos por manter o formato híbrido.

Esta decisão ganha ainda mais relevância tendo em conta as limitações das próprias unidades de saúde e o número de profissionais que podem estar ausentes em simultâneo. Em muitos casos, este modelo facilita a organização das equipas e permite conciliar de forma mais equilibrada a participação no congresso com as exigências assistenciais do dia a dia.

No fundo, o formato híbrido tem sido uma forma de tornar o Update em Medicina mais inclusivo, mais flexível e mais ajustado à realidade atual dos profissionais de saúde.

 

As expectativas são boas?
As expectativas são boas. As inscrições são importantes porque naturalmente permitem operacionalizar toda a logística que um evento deste calibre exige, mas acima de tudo, o nosso foco está na qualidade do conteúdo científico disponibilizado.

Para isso, cada sessão do congresso apresenta uma programação detalhada, como se de um curso se tratasse. Esta abordagem, com definição prévia de conteúdos programáticos, permite que os profissionais saibam antecipadamente o que será abordado em cada tema e consigam selecionar as sessões que melhor correspondem às suas necessidades formativas.

O objetivo é que, desde o início, cada participante tenha uma visão clara do que esperar, tornando a experiência mais direcionada, personalizada e eficaz.

 

Quer deixar uma mensagem aos participantes?
O Update em Medicina é um congresso feito de colegas para colegas, onde a participação e o contributo de todos são fundamentais e dão sentido a cada nova edição. Ano após ano, é essa partilha que enriquece e molda o nosso programa científico.

Mais do que um momento de atualização, queremos que este seja um espaço de proximidade, de diálogo aberto e de verdadeira troca de experiências. As mesas-redondas e as conversas informais nos corredores são tão valiosas quanto as sessões formais, permitindo-nos discutir desafios do dia a dia e crescer em conjunto enquanto comunidade médica e científica.

A presença de cada um de vós é, por isso, essencial. Queremos que se sintam verdadeiramente em casa para que possam participar, questionar e partilhar, contribuindo ativamente para a dinâmica do congresso.

Acima de tudo, deixamos um sincero agradecimento pela vossa energia, pela vossa disponibilidade e pela partilha generosa da vossa presença. É esse espírito de colaboração e de entreajuda que dá vida ao Update em Medicina e o torna único. Sejam muito bem-vindos à vossa Família Update.

 

Sílvia Malheiro

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Esta edição marca uma rutura com o formato mais tradicional do Update em Medicina. O que motivou a decisão de avançar para um modelo por trilhos formativos? Que lacuna sentiam que era preciso preencher?
Como sabe, temos um formato híbrido. Além das sessões presenciais no Algarve, transmitimos em direto online para aqueles que estão mais longe ou não puderam deslocar-se. O foco prático mantém-se nos cuidados de saúde primários.

O programa inclui sete áreas temáticas principais: saúde mental, saúde cardiovascular, infeciologia, geriatria, saúde da mulher e materno-infantil, nutrição e gestão organizacional, incluindo também questões médico-legais. Todas estas áreas são abordadas com casos clínicos, debates e cursos práticos, com conteúdos selecionados por um grupo alargado de especialistas em medicina familiar, mas também de especialidades hospitalares, embora com um peso muito menor.

Alguns tópicos refletem questões atuais e emergentes, como o Burnout, a gestão da grávida com comorbilidades ou a epidemia de obesidade, que são temas essenciais nos cuidados de saúde primários. Outro tema de destaque é o impacto dos ecrãs no neurodesenvolvimento das crianças. Aliás, espero que no Dia Mundial da Criança, no dia 1 junho, este tema venha a debate. Mantemos o formato dinâmico, com casos clínicos interativos, debates de prós e contras e mini palestras.

Uma das novidades é a avaliação de conhecimentos através de uma web app. Contudo, o aspeto mais inovador é a introdução dos trilhos formativos. Estes permitem que cada participante escolha o seu percurso de acordo com os seus interesses ou necessidades formativas. Por exemplo, se uma sessão plenária abordar infeciologia, o médico poderá seguir sessões sequenciais sobre VIH, tuberculose e outros temas da área, constituindo um trilho formativo. Outro trilho poderá começar com insuficiência cardíaca e seguir para cardiomiopatia amiloidótica, fibrilhação auricular, entre outros.

Nunca temos mais de dois trilhos em paralelo, de forma a preservar a sequência lógica de cada percurso. Este modelo permite que o médico defina de forma personalizada o seu caminho formativo, o que consideramos fundamental.

 

Este novo modelo parece aproximar-se de uma lógica de formação quase “à medida”. Até que ponto este poderá ser o futuro dos congressos médicos em Portugal?
Exatamente, é isso mesmo! Vamos continuar a desenvolver este modelo no futuro. Estruturámos o Update em torno de grandes áreas nucleares da Medicina Geral e Familiar. Há sessões plenárias, mas cada médico pode optar pelo seu trilho formativo, de acordo com os interesses ou necessidades. Além disso, também incluímos simpósios que se encaixam nestas grandes áreas temáticas.

Considero que a nossa metodologia é inovadora e tem pernas para andar oferecendo um percurso formativo mais personalizado e adaptado à realidade de cada participante.

 

O Update tem reforçado a componente hands-on e a aprendizagem prática. De que forma este carácter mais experiencial pode fazer a diferença na forma como os médicos aplicam o conhecimento quando regressam à sua prática clínica?
Sempre que possível, tentamos reproduzir a prática do dia a dia em cada sessão. O médico recebe um conjunto de dados do doente, analisa-os, formula hipóteses diagnósticas, conduz a investigação, decide quais os exames mais adequados e, no final, integra toda a informação para chegar ao diagnóstico, que funciona como um veredito. Depois, aplica as medidas terapêuticas necessárias, ou seja, toma decisões clínicas, exatamente como na prática diária.

Dou-lhe um exemplo: na sessão sobre comorbilidades na grávida, vamos apresentar um caso de uma grávida que chega à consulta na 24.ª semana, isto é pouco comum, dado que a primeira consulta normalmente ocorre entre a 6.ª e a 9.ª semanas. Este tipo de caso permite aos médicos experimentar situações fora do habitual, analisando-as de forma inovadora e tomando decisões baseadas no raciocínio clínico, e não apenas seguindo regras pré-definidas. Cada decisão é discutida, avaliando-se os caminhos possíveis, todos defensáveis, mas existindo uma opção considerada a mais adequada.

O objetivo do Update é simular o dia a dia do médico, com mensagens muito claras e ensinamentos práticos. Não se trata de revisar toda a matéria, mas de destacar flashes de conhecimento úteis para a prática clínica futura.

Não são regras absolutas, mas pequenas lições que ficam na memória e são aplicáveis na vida profissional. Não se trata de acumular dezenas de informações, mas de reter pontos realmente importantes que fazem a diferença no dia a dia do médico.

 

Nesta fase particularmente desafiante para o sistema de saúde, considera que o diálogo entre as diferentes especialidades, assim como a maior articulação com a Medicina Geral e Familiar promovidos pelo Update em Medicina podem contribuir para melhorar os cuidados prestados?
Sim, acho que sim. Considero a Medicina Geral e Familiar como a especialidade base do nosso sistema de saúde, e é fundamental reforçá-la. Entre as suas várias intervenções, destaca-se a identificação precoce da doença e a prevenção, que são responsáveis por grandes ganhos em saúde. Olhando para a evolução da especialidade nas últimas décadas, houve uma mudança radical.

No entanto, é essencial que a Medicina Geral e Familiar não fique isolada. É preciso manter uma ligação forte com as outras especialidades. Aprendi com o professor Nogueira da Costa que só existem três especialidades “nucleares” – a Medicina Interna, a Pediatria e a Medicina Geral e Familiar. Todas as outras “são subespecialidades”. O médico de família, tal como o internista, domina grandes áreas do conhecimento sem ser especialista em cada uma delas, mas consegue, igualmente, estabelecer pontes com as várias especialidades. O médico de família faz, no fundo, a Medicina Interna do ambulatório, mas também cobre a saúde infantil, a saúde da mulher, a medicina preventiva e outras áreas que escapam à medicina interna.

É devido a este cunho generalista da especialidade que ter uma ampla cultura médica e um raciocínio clínico treinado são requisitos fundamentais ao exercício da arte do diagnóstico diferencial. Só diagnosticamos o que conhecemos, o que temos em mente. Também por isso, é tão importante o diálogo entre a Medicina Geral e Familiar e as outras subespecialidades.

Este tipo de congressos – que integram várias áreas do conhecimento – é crucial para a prática da Medicina Geral e Familiar e, consequentemente, para excelência dos cuidados de saúde prestados. No dia em que deixarmos de investir nos cuidados de saúde primários e nos seus profissionais, o Serviço Nacional de Saúde estará em risco

 

Quer deixar uma mensagem aos participantes?
Sim. Gostaria de convidar todos os colegas, internos e especialistas, a viverem este congresso de forma ativa. Ser ativo significa participar, levantar o braço, intervir, explorar os trilhos, escolher os percursos formativos, questionar e discutir debater ideias. Mas, acima de tudo, significa partilhar experiências: a dúvida de um é a dúvida do outro, e a opinião de cada um enriquece o conhecimento coletivo. A experiência não se constrói apenas com o contacto direto com o doente, mas também através da partilha de experiências com os outros.

O Update em Medicina foi pensado para refletir a riqueza e a complexidade da Medicina Geral e Familiar, uma especialidade fundamental para o SNS. Espero que o congresso não seja apenas um momento de atualização científica, mas também uma oportunidade de reencontro com o entusiasmo e o sentido de missão que une todos os médicos. Porque nós somos missionários. A medicina exige compromisso: quem escolhe esta carreira compromete-se a servir os doentes e é para isso que fazemos um juramento. No juramento de Hipócrates, como sabemos, a palavra “utente” não aparece.

 

Sílvia Malheiro

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A Ordem dos Médicos (OM) lamentou hoje “profundamente” não ter sido ouvida no processo legislativo do denominado “Pacote Medicamento”, aprovado pelo Governo, defendendo que a proteção dos doentes exige transparência, qualidade, segurança e respeito pela prática clínica.

Em comunicado, a OM sublinha que a legislação do medicamento “não pode ser elaborada à margem dos médicos, nem reduzida a uma operação contabilística que transfere risco para os doentes e para quem responde clinicamente por eles”.

A instituição refere que tomou conhecimento da aprovação dos diplomas através da comunicação pública do Conselho de Ministros de 9 de abril, lamentando não ter sido chamada a pronunciar-se sobre uma matéria que incide diretamente na decisão clínica, na continuidade terapêutica, na adesão à medicação e na segurança do doente. O Governo anunciou que o pacote visa reforçar o rigor, a eficiência e a sustentabilidade financeira do SNS, facilitando a substituição por genéricos e biossimilares quando clinicamente adequado.

Por esse motivo, a Ordem já enviou um ofício ao Ministério da Saúde e à Presidência da República a exigir a disponibilização imediata do texto dos diplomas, incluindo as alterações ao regime de prescrição e dispensa de medicamentos, bem como a respetiva fundamentação técnica e científica.

No mesmo documento, pede ainda o envio de dados que permitam comparar com rigor a prescrição médica e a dispensa em farmácia, nomeadamente a percentagem de genéricos prescritos e a percentagem efetivamente dispensada. Solicitou igualmente uma audição formal para apresentar um parecer técnico independente antes da conclusão do processo legislativo.

Para o bastonário da OM, Carlos Cortes, não é admissível “a intromissão política na autonomia e decisão clínica dos médicos, atingindo a relação direta com o doente”, manifestando estranheza por não ter sido pedido o parecer dos médicos numa matéria da sua competência direta.

A Ordem frisa que não está contra o uso racional do medicamento nem contra a utilização de genéricos quando clinicamente adequados, mas alerta que legislar sem escrutínio técnico aumenta o risco para os doentes.

Critica também que um debate com clara dimensão clínica esteja a ser reduzido a uma lógica estritamente financeira, sem transparência sobre os dados, sem avaliação de impacto e sem contraditório técnico.

A OM recorda ainda que o quadro legal já em vigor promove a prescrição por denominação comum internacional, assegura informação sobre o medicamento de menor preço e obriga as farmácias a disponibilizar fármacos entre os cinco preços mais baixos de cada grupo homogéneo.

Do ponto de vista científico, a Ordem assinala que existem estudos que associam a primeira troca ou alterações de aparência e embalagem a maior não persistência terapêutica, confusão e mudanças na utilização dos medicamentos, um risco particularmente relevante em idosos, doentes polimedicados e pessoas com menor literacia em saúde.

Na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, explicou que o objetivo é “disciplinar, aumentar a monitorização, a exigência, a transparência, na despesa com medicamentos e dispositivos médicos”, sublinhando que esta representa cerca de sete mil milhões de euros de despesa pública.

LUSA/SO

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Exame ocular com realidade virtual pode ajudar a detetar Alzheimer https://saudeonline.pt/exame-ocular-com-realidade-virtual-pode-ajudar-a-detetar-alzheimer/ Tue, 14 Apr 2026 13:59:44 +0000 https://saudeonline.pt/?p=185740 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Exame ocular com realidade virtual pode ajudar a detetar Alzheimer aparece primeiro em Saúde Online.

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Francisco Catalão sucede a Rocha Gonçalves na Gestão da Saúde https://saudeonline.pt/francisco-catalao-sucede-a-rocha-goncalves-na-gestao-da-saude/ https://saudeonline.pt/francisco-catalao-sucede-a-rocha-goncalves-na-gestao-da-saude/#respond Tue, 14 Apr 2026 10:01:28 +0000 https://saudeonline.pt/?p=185731 Francisco Pinheiro Catalão vai substituir Francisco Rocha Gonçalves no cargo de secretário de Estado da Gestão da Saúde, após o Presidente da República aceitar a exoneração a pedido do governante cessante. A tomada de posse está marcada para hoje, às 16h00, no Palácio de Belém.

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O Presidente da República aceitou a proposta do primeiro-ministro para exonerar, a seu pedido, Francisco Rocha Gonçalves do cargo de secretário de Estado da Gestão da Saúde, nomeando para o lugar Francisco Pinheiro Catalão, que toma hoje posse no Palácio de Belém.

Segundo a nota divulgada pela Presidência da República, a cerimónia está marcada para as 16h00.

A mesma nota refere que o chefe de Estado aceitou “a proposta do primeiro-ministro para exonerar, a seu pedido, Francisco Rocha Gonçalves, do cargo de secretário de Estado da Gestão da Saúde”, bem como a nomeação de Francisco Pinheiro Catalão para o exercício das mesmas funções.

O motivo para a saída de Francisco Rocha Gonçalves não é indicado na comunicação oficial.

Rocha Gonçalves integrava a equipa da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, desde o início do atual XXV Governo Constitucional, em junho de 2025.

Esta é a segunda alteração no elenco governativo liderado por Luís Montenegro. A primeira aconteceu em fevereiro, ao nível ministerial, com a entrada de Luís Neves para ministro da Administração Interna, em substituição de Maria Lúcia Amaral.

A então ministra apresentou a demissão após as críticas à forma como foi conduzida a resposta às tempestades que provocaram mortes e destruição de habitações e infraestruturas.

LUSA/SO

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