19 Dez, 2016

Associação do Porto lança aplicação de telemóvel para ajudar doentes esquizofrénicos

A Associação Nova Aurora na Reabilitação e Reintegração Psicossocial (ANARP), do Porto, de apoio ao doente mental vai lançar em janeiro de 2017 uma aplicação para telemóvel de autogestão de doença para pessoas com perturbações psicóticas, revelou à Lusa a coordenadora da organização.

Segundo Raquel Almeida, coordenadora da Associação Nova Aurora na Reabilitação e Reintegração Psicossocial (ANARP) o projeto denominado “I Cope”, “Eu lido com”, em português, visa “dar às pessoas que sofrem de esquizofrenia autonomia, mas sempre com o apoio de profissionais”.

“A ideia é ser capaz de dar uma resposta para além do período entre as 09:00 e as 17:00 em que as instituições estão abertas, dando-lhes um novo elo de ligação em casos de crise à noite ou ao fim de semana, dispondo sempre de um grupo de apoio”, explicou a responsável.

O projeto integra, além da Raquel Almeida, um técnico do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC) e estudante da Terapia Ocupacional da Escola de Saúde do Porto e destina-se a utentes da ANARP e da Rede de Apoio da Reabilitação Psicossocial da Área Metropolitana do Porto (AMP).

A aplicação divide-se em quatro módulos: automotivação do sintoma, diário, gestão de stresse e, por último, controlo de medicação e resolução de problemas.

“Fizemos um inquérito a nível nacional que teve mais de uma centena de respostas e em que se percebeu que cerca de 60% dos inquiridos querem utilizar a aplicação”, sublinhou a coordenadora que destacou “a boa resposta também ao nível dos técnicos que trabalham na área”.

A fim de financiar a aquisição de ‘smartphones’ para quem os não tem “foi pedido um apoio de cinco mil euros ao Instituto Nacional para a Reabilitação”, explicou a coordenadora de uma aplicação, que “representa um investimento total de 6.500 euros”.

Projeto “pioneiro em Portugal”, Raquel Almeida revelou à Lusa que aplicações ligadas à esquizofrenia, “só se conhecem no Reino Unido e nos Estados Unidos”.

“A aplicação vai estar em fase de projeto piloto entre fevereiro e abril para depois avançar à escala da AMP, numa parceria entre a ANARP, a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação e o Instituto Superior de Engenharia (ISEP)”, disse.

Na ANARP, o projeto vai, para já, chegar a 20 utentes, mas a ideia é também envolver a associação Encontrar+se, o serviço de psiquiatria do Hospital São João, do Hospital Magalhães Lemos e a Associação dos Familiares, Utentes e Amigos do Hospital Magalhães Lemos (AFUA).

Criada em 1986 por um grupo de familiares de pessoas com doença mental a ANARP “atendeu no seu centro de reabilitação 157 pessoas com problemas de esquizofrenia e de depressão, atendendo diariamente 50 utentes”, revelou a responsável.

“São cada vez mais jovens as pessoas que nos chegam”, disse a responsável de uma associação que possui há dois anos uma casa de autonomização e que aponta à disponibilização de outra para apoiar os utentes que “não tem família de suporte”.

Do processo de reabilitação psicossocial consta, acrescentou Raquel Almeida, “a procura ativa de emprego”, revelando “terem sido vários os utentes que entraram no mercado de trabalho, quer através de protocolos ou de estágios profissionais”.

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