O relatório da auditoria externa e independente, pedida pelo Ministério da Saúde e realizada pela EY ao processo do internato médico indica que o aumento de vagas para médicos em formação específica não tem sido suficiente para responder ao “acentuado aumento” de candidatos, prevendo um crescimento do número de jovens médicos sem acesso a formação especializada.

“Poderá existir dificuldade em manter o ritmo crescente do número de vagas abertas ao longo dos últimos anos, tendo em consideração as capacidades e condições atuais dos estabelecimentos do SNS para a realização de formação médica com a qualidade desejada”, indica o documento.

É assim estimado um aumento do número de médicos sem colocação na especialidade, assim como uma pressão adicional nos profissionais afetos ao processo de avaliação de idoneidades e capacidades formativas.

Apesar de um crescimento do número de vagas ao longo dos últimos anos, tem sido também constante o aumento do número de candidatos que ficam sem acesso à especialidade.

Em 2018, foram 37% os candidatos que ficaram de fora da especialidade. Dos 2.640 proponentes, a Ordem dos Médicos propôs 1.669 vagas, tendo em conta a capacidade formativa dos serviços, apesar de as instituições do SNS terem solicitado um total de 1.878 internos.

A auditoria identifica como proponentes à especialidade os médicos todos os alunos que realizam prova de acesso, o que inclui desistências, faltas ou exclusões, pelo que o número real de candidatos será mais baixo.

Ainda assim, segundo a auditoria, entre 2006 e 2018 as vagas disponibilizadas para formação específica de médicos aumentaram 132%, mas, no mesmo período, os candidatos a concurso cresceram 226%.

Em 2006 eram 810 os médicos proponentes a aceder a uma especialidade, quando em 2018 passaram a ser 2.640.

O aumento de médicos sem acesso à especialidade não está propriamente ligado a um maior número de alunos que saem dos cursos de Medicina, que se tem mantido estável. Mas, à medida que mais candidatos vão ficando de fora, o problema acumula-se de ano para ano.

Contactada pela Lusa, fonte oficial do Ministério da Saúde indicou que na segunda-feira de manhã haverá no Ministério uma reunião para apresentação e análise da auditoria com as várias partes envolvidas.

SO/LUSA

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