As conclusões constam do relatório, a que a agência Lusa teve acesso, da auditoria externa pedida pelo Ministério da Saúde e realizada pela EY, e que analisa os procedimentos que desencadeiam o internato médico (formação especializada de médicos).

A atribuição de vagas para o internato tem todos os anos por base a definição da idoneidade e capacidade de formação dos serviços de saúde. As vagas são abertas pelo Ministério da Saúde, mas com base na identificação das capacidades por parte da Ordem dos Médicos.

A auditoria aponta falhas neste processo de avaliação da idoneidade e capacidades formativas, indicando que falta uniformização e documentação do processo, o que aumenta a ineficiência, além de a avaliação ser subjetiva.

“Não se verificou a existência de práticas uniformes e documentadas de revisão periódica dos critérios de idoneidade e capacidade por parte da Ordem do Médicos. Alguns colégios de especialidade assinalaram que existem critérios pouco adequados face à evolução e contexto atual da sua especialidade, tendo sido referido que os critérios se encontram em revisão“, refere o documento.

Como consequência, a auditoria entende que pode haver diferentes avaliações dos critérios e, logo, uma desadequação desses critérios a cada especialidade médica, podendo assim levar a uma subjetividade na avaliação das idoneidades e das capacidades formativas de cada serviço.

A questão da subjetividade pode, segundo os auditores, “afetar ligeiramente o aproveitamento da capacidade formativa”.

Como recomendações, a auditoria sugere que seja criado um manual de regras e procedimentos com a metodologia de trabalho, com as atividades e que permita uniformizar o processo entre as várias entidades envolvidas.

Propõe ainda uma uniformização dos processos de revisão dos questionários e dos critérios de avaliação da idoneidade e capacidade formativa pela Ordem dos Médicos e que se torne obrigatório que todos os serviços preencham os questionários de idoneidade para “melhorar a clareza do processo e a adequação à realidade das especialidades” médicas.

 

Miguel Guimarães: “Tem de se dizer quais são os critérios de idoneidade que estão mal”

 

O bastonário da Ordem os Médicos disse hoje à agência Lusa que algumas das falhas apontadas por uma auditoria externa ao processo do internato médico “são subjetivas” e carecem de uma maior fundamentação. Miguel Guimarães, considerou que subjetiva são as conclusões do relatório, uma vez que “não esclarece quais são as falhas que existem”.

“Eles dizem que há alguma subjetividade, mas eu tenho de perceber quais são as falhas e em que especialidades se detetaram as falhas. Tem de se dizer quais são os critérios de idoneidade que estão mal e o que está mal nos programas de formação. Não se pode aqui mandar aqui uma boquita para o ar”, apontou.

No entanto, o bastonário adiantou que, na segunda-feira, irá ocorrer uma reunião no ministério da Saúde, com a presença da ministra, Marta Temido, para apresentação e discussão do relatório da auditoria.

Miguel Guimarães comentou, igualmente, outra das conclusões da auditoria que apontam que o número de jovens médicos sem acesso a formação especializada vai aumentar, porque nas atuais condições das unidades do SNS será difícil manter o crescimento das vagas para especialização.

“Aquilo que os auditores concluíram, nós já tínhamos concluído. É difícil arranjar mais vagas para a formação médica enquanto tivermos médicos a saírem todos os dias do SNS. Seja médicos mais novos ou com mais experiência, precisamos de mais gente e de mais formadores”, defendeu.

TC/SO

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