Naquela que é a sua sexta edição, a infeção VIH/SIDA esteve em destaque nos programas de investigação científica promovidos e apoiados pela Gilead. Miguel Azevedo Pereira, investigador e professor da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, pretende com o seu projeto intitulado “Demência associada à infeção por HIV – estudo dos mecanismos infecciosos e inflamatórios mediados por vesículas extracelulares”, averiguar as razões pelas quais as pessoas infetadas com o vírus da SIDA sofrem de demências e alterações cognitivas.

A sua equipa de investigadores objetiva descodificar como se dá o processo de neurodegenerescência no vírus da SIDA, apesar de o VIH infetar poucas células do sistema nervoso central. Este processo pode despoletar encefalites, variadas patologias associadas à demência, afetar a memória, o comportamento, a visão e a audição.

“Havendo poucas células afetadas, porque é que o dano é tão grande?”, questiona.

A resposta pode estar nas vesículas extracelulares que as células libertam e que podem disseminar a infeção por células vizinhas saudáveis. Esta é uma das potenciais respostas, que será testada em laboratório com culturas de células semelhantes a células do sistema nervoso central (neurónios, astrócitos) infetadas com o vírus da sida. Através deste procedimento, os cientistas querem verificar se as vesículas extracelulares das células infetadas, ao serem introduzidas em células saudáveis, vão afetar estas últimas e gerar as alterações neurológicas que se observaram em pessoas infetadas com o VIH.

Contando com a participação de uma equipa multidisciplinar (médicos, biólogos e bioquímicos), Miguel Azevedo Pereira realçou, em declarações à agência Lusa, que as vesículas extracelulares têm sido apontadas como veículos de transporte de células cancerígenas para células vizinhas saudáveis.

A confirmar-se esta hipótese em doentes, as vesículas extracelulares, e a sua composição, podem servir de biomarcador numa amostra de líquido cefalorraquidiano de forma a que seja possível diagnosticar essas mesmas alterações precocemente e intervir para que não se desenvolvam com a rapidez com que evoluiriam caso fossem detetadas numa fase mais tardia.

Como tem sido apontado em diversas áreas da ciência e da medicina, é no diagnóstico precoce que está o ganho, pois permite aos profissionais de saúde estudar e aplicar a melhor técnica/terapêutica para atrasar a progressão da patologia ou das patologias associadas.

A entrega dos distinções teve lugar no passado dia 21 de novembro, em Lisboa, e além deste foram ainda premiados mais sete investigações científicas. O Instituto Molecular João Lobo Antunes foi o instituto que mais prémios arrecadou nesta categoria, levando para casa três galardões com os projetos “Avaliação da resposta às sulfonamidas (inibidor de splicing) em cultura de células primárias de LMA humanas”, “Expansão in vitro das células T Regs específicas do recetor no tratamento da doença crónica de enxerto contra hospedeiro após transplante de células progenitoras hematopoiéticas” e “Contributo dos monócitos/macrófagos para a patogénese distinta da infeção por HIV-2 em comparação com HIV-1: correlações clínicas e perspetivas terapêuticas”. As restantes investigações premiadas foram:

  • “As células endoteliais na lesão hepática: explorando as suas ligações com os macrófagos nas respostas regenerativas”, do Prof. Doutor Carlos Penha Gonçalves, do Instituto Gulbenkian de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian;
  • LYMPHOTARGET – Desenvolvimento de imunolipossomas para o tratamento direcionado do Linfoma não-Hodgkin”, da Dra. Joana Dias Gomes, da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa;
  • “Os exosomas como biopsias líquidas nas doenças metabólicas”, da Dra. Paula Macedo, da Universidade Nova de Lisboa (UNL);
  • “Explorando a comunicação entre o microambiente da medula óssea através de vesículas extracelulares em modelos de mieloma múltiplo imunocompetente de ratinho e sua potencial translação para a doença humana”, da Fundação Champalimaud.

 

Foto: vencedores da categoria Investigação Científica

Além destas, foram ainda promovidas cinco intervenções comunitárias (veja aqui quais foram e no que consistiam os seus programas).

O Programa Gilead GÉNESE existe desde 2013, com a finalidade de distinguir projetos que contribuem para a otimização de práticas clínicas e para a melhoria da qualidade de vida dos doentes.

EQ/SO

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