A multinacional farmacêutica Novartis anunciou há dias a abertura de candidaturas à 2ª edição do programa Techcare, um programa de inovação e empreendedorismo direcionado a startups com experiência na produção de protótipos ou com projetos já em fase de testes. Estes protótipos deverão facilitar/solucionar necessidades existentes em áreas como a insuficiência cardíaca, psoríase, artrite psoriática, espondilite anquilosante, asma, esclerose múltipla, enxaqueca, degenerescência macular da idade e oncologia.

Aberto a projetos nacionais e internacionais, o Techcare desafia os candidatos a reimaginarem a prática da medicina pelo desenvolvimento de soluções tecnológicas que respondam a necessidades do ecossistema da Saúde em Portugal. Os desafios a que estas tecnologias deverão responder, explicou a diretora-geral da Novartis Portugal em entrevista exclusiva ao Saúde Online, “enquadram-se em três grandes áreas: valor e demonstração de resultados em saúde; diagnóstico atempado e referenciação; ativação do doente e gestão da doença”.

Após um processo de avaliação, as startups selecionadas vão participar num bootcamp onde poderão contactar com várias equipas da Novartis e representantes do ecossistema da saúde nacional. Aqui será feita a primeira validação dos produtos e aferida a sua proposta de valor.

Em aberto fica a possibilidade da Novartis disponibilizar o apoio necessário para a concretização e viabilidade de um projeto-piloto que implemente no terreno a melhor, ou as melhores soluções. Neste contexto, o Techcare é um facilitador na entrega e concretização dessa inovação. “O trabalho que temos desenvolvido com startups, na sequência da primeira edição do programa, tem sido também muito importante para a nossa evolução cultural ao trazer um espirito de empreendedorismo e de agilidade para a organização, focada em fazer acontecer, rapidamente”, afirma Cristina Campos.

O Techcare assume uma dimensão internacional, que inclui uma rede de países que fazem parte do cluster Europeu em que a Novartis está inserida e que também estão a apoiar o programa, nomeadamente a Áustria, Bélgica, Grécia, Holanda e Suíça. “Estamos abertos à inovação que pode vir de fora de Portugal, não limitando a abrangência do programa a fronteiras geográficas. Procuramos soluções que possam ser implementadas à escala Europeia” justificou aquela responsável ao nosso jornal.

As soluções tecnológicas alvo do programa são, prioritariamente as que assentem em tecnologias como cloud health & mHealth, healthcare gamification, inteligência artificial & machine learning, internet das coisas, big data & analytics, realidade aumentada, realidade virtual e redes colaborativas. “Para além da tipologia das soluções tecnológicas que procuramos, é fundamental que estas tenham a capacidade de responder a necessidades concretas existentes no âmbito de patologias específicas” sublinha Cristina Campos.

Da primeira edição do Techcare “resultaram três projetos-piloto com três das empresas concorrentes, sendo que ainda hoje mantemos duas destas relações de parceria,que se têm revelado muito promissoras, quer em termos de resultados, quer ao nível de aprendizagem que têm proporcionado à Novartis e aos colaboradores que trabalham mais de perto com estes projetos”, recorda Cristina Campospara logo acrescentar: “O feedback que recebemos dos participantes foi também muito positivo e temos hoje, nestas pessoas, verdadeiros embaixadores do programa na sua divulgação e no incentivo a outras startups para se candidatarem ao Techcare”.

Da primeira edição resultaram parcerias com duas startups nacionais, a Tonic App e a UpHill. A primeira é uma aplicação que apoia os médicos no diagnóstico e tratamento, apostando na curadoria de conteúdos e ferramentas digitais, úteis para o trabalho clínico. Esta startup está a trabalhar para desenvolver uma solução adaptada para a dermatologia, focada na psoríase, através da disponibilização de recursos específicos na avaliação desta patologia.

Por sua vez, a UpHill, que desenvolveu uma plataforma de formação clínica avançada (UpSim), está a adaptar a sua solução a necessidades específicas na área cardiovascular e na hematologia. Esta plataforma disponibiliza formações para médicos através da simulação de casos clínicos reais.

Todos os custos associados à implementação dos projetos-piloto são suportados pela Novartis, que, no entanto, não integra o capital social das startups. “A proposta de valor que apresentamos vai além do investimento financeiro, focando-se no desenvolvimento conjunto das soluções apresentadas e na colaboração na implementação dos projetos” explica Cristina Campos.

Para além do Techcare, a Novartis tem investido em Portugal, maioritariamente em investigação clínica e no desenvolvimento de tratamentos inovadores que prolonguem e melhorem a vida das pessoas, especialmente em áreas onde as necessidades médicas e clínicas estão ainda por satisfazer. “No que diz respeito a valores, nos últimos três anos investimos cerca de 17 milhões de euros em investigação e desenvolvimento em Portugal, num trabalho que temos desenvolvido em parceria com mais de 170 centros de investigação de todo o país” concretiza a responsável.

Dados do Novartis Group Financial Report de 2018 dão conta de uma contribuição total de cerca de 120 milhões de euros para o PIB nacional. “Sendo nós uma companhia farmacêutica com medicamentos para doenças crónicas, é também relevante mencionar o impacto social dos nossos produtos, que estimamos em 324 milhões de euros e que refletem a nossa missão de melhorar e prolongar a vida das pessoas”, conclui.

MMM/SO

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