Abaixo da média da OCDE aparecem países como a Lituânia, Hungria, Suécia, Alemanha e Luxemburgo (com menos de 2%), enquanto as percentagens mais elevadas se registam na Dinamarca, Portugal, Grécia e Espanha (acima de 5%).

O impacto das infeções associadas aos cuidados de saúde é agravado pelo aumento de bactérias resistentes a antibióticos, o que pode levar a infeções difíceis ou mesmo impossíveis de tratar, alerta a OCDE.

Segundo o relatório, o isolamento de bactérias resistentes a antibióticos em doentes de cuidados continuados em Portugal também apresenta as percentagens mais elevadas dos países analisados, com 46,2%, quase o dobro da média da OCDE (26,3%).

Globalmente, “em média, mais de um quarto das bactérias isolados eram resistentes a antibióticos. Isso é quase equivalente aos níveis observados em hospitais de cuidados intensivos, onde a resistência a antibióticos é considerada uma grande ameaça”, refere o documento.

A OCDE avisa que, à medida que a população dos países envelhece, um número crescente de pessoas vai precisar do apoio de serviços de cuidados continuados e defende que “providenciar atendimento seguro a esses pacientes é um desafio fundamental para os sistemas de saúde”.

“Os pacientes em unidades de cuidados continuados são mais frágeis e mais doentes e apresentam vários outros fatores de risco para o desenvolvimento de ocorrências que põem em causa a sua segurança, incluindo infeções associadas aos cuidados de saúde e úlceras de pressão”, refere o documento.

Os dados mostram ainda que, quanto ao aparecimento de úlceras de pressão (por exemplo, escaras) nestes doentes, Portugal também está numa má posição, com 13,1%, um valor que representa mais do dobro da média da OCDE (5,3%).

As úlceras por pressão podem levar a complicações, incluindo infeções, e custam até 170 euros/dia por doente em cuidados continuados, segundo a organização.

Na OCDE, uma média de 10,8% das pessoas com 65 anos ou mais precisou de cuidados continuados em 2017, que representam um aumento de 5% em relação a 2007.

Mais de uma em cada cinco pessoas com 65 anos ou mais recebeu cuidados de saúde continuados na Suíça (22%) e em Israel (20%), em comparação com menos de 5% na Eslováquia (4%), Canadá (4%), Irlanda (3%), Portugal (2%) e Polónia (1%).

A OCDE lembra ainda que muitas pessoas que precisam de cuidados continuados preferem tê-los nas suas casas o maior tempo possível e que, como resposta a estas opções e aos altos custos das unidades de cuidados continuados, diversos países desenvolveram serviços domiciliários deste género.

Entre 2007 e 2017, a proporção de pessoas em cuidados continuados domiciliários cresceu de 64% para 68%, com os aumentos a serem maiores em Portugal, Austrália, Suécia, Alemanha e Estados Unidos.

SO/LUSA

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