Em Portugal, a psoríase é responsável por 35,4% dos casos de absentismo e por 75,6% de menor assiduidade entre a população ativa. Estas são alguns das conclusões do Relatório Mundial sobre Psoríase e Felicidade, elaborado pelo Laboratório de Inovação da Leo Pharma e o Instituto de Pesquisa de Felicidade.

Em 2017, o Relatório Mundial sobre Psoríase e Felicidade registou uma diminuição de até 30% na felicidade dos indivíduos com psoríase grave autodeclarada, uma maior prevalência da doença nas mulheres do que nos homens e que o stress e a solidão afetam a felicidade.

De acordo com os dados, a psoríase provoca, de forma frequente, um efeito negativo na vida e felicidade dos indivíduos. Em Portugal, a pontuação média de felicidade dos indivíduos que vivem com psoríase é de 5,68, numa escala de 0 a 10. Portugal ocupa, assim, o 6º lugar entre os 21 países analisados. Além disso, os dados apresentados indicam que:

  • Indivíduos que vivem com psoríase estão sujeitos à diminuição de produtividade no trabalho e a uma maior taxa de desemprego, diretamente relacionados com elevados custos para a sociedade;
  • A infelicidade está associada a comorbilidades específicas, que tornam os doentes, muitas vezes, incapazes de trabalhar. Em Portugal, a psoríase é responsável por 35,4% dos casos de absentismo e por 75,6% de menor assiduidade entre a população ativa;
  • Indivíduos com psoríase desenvolvem, geralmente, uma doença do foro mental. Uma em quatro pessoas afirma sofrer de depressão ou outras perturbações mentais;
  • Para os doentes, a felicidade está muito dependente de ambientes sociais conscientes e inclusivos. Em Portugal, 27,1% dos inquiridos concordam que os seus colegas de trabalho têm conhecimento da sua psoríase e os apoiam quando necessário;
  • Bons padrões de sono estão fortemente associados à felicidade e a menos comorbilidades. Pessoas que dormem mal ou com má qualidade de sono têm uma média de 2 comorbilidades, enquanto aqueles que dormem bem têm uma média de 0,95 comorbilidades;
  • A incidência de stress e solidão são fatores de risco. Enquanto 21,1% dos indivíduos que não possuem comorbilidades são solitários, esta percentagem aumenta para os 41,2% entre aqueles que apresentam três ou mais comorbilidades;

Neste estudo foram analisados, detalhadamente, os resultados de 21 países, nomeadamente, México, Colômbia, Espanha, Brasil, Rússia, Portugal, Dinamarca, Canadá, Irlanda, Bélgica, Grécia, Noruega, EUA, Alemanha, França, Itália, Japão, Austrália, República Checa, Reino Unido e China.

A psoríase é uma doença inflamatória crónica que se estima que afete cerca de 250.000 a 300.000 portugueses (2 a 3% da população portuguesa). Pode manifestar-se em qualquer parte do corpo e em qualquer idade, apesar da maioria dos casos ocorrer entre os 20 e os 40 anos, sendo também comum entre os 50 e os 60 anos de idade. As manifestações da psoríase podem ser ligeiras, moderadas ou graves, dependendo da extensão de pele afetada e do grau de infiltração e descamação das lesões de psoríase. Atualmente, estão disponíveis tratamentos tópicos (em pomada, gel ou espuma) que, quando utilizados corretamente, permitem o controlo da doença. Nos casos mais extensos e graves, habitualmente, é necessário recorrer a terapêuticas orais ou injetáveis, que permitem o controlo da doença na grande maioria dos doentes e que parecem ter um impacto positivo no risco cardiovascular. Nos últimos anos, decorrente do avanço que se observou no conhecimento da doença, foram desenvolvidas inúmeras terapêuticas, chamadas de terapêuticas biológicas, que revolucionaram o tratamento da psoríase, capazes de promover a resolução completa ou quase completa das lesões da psoríase e devolver a qualidade de vida perdida com a doença.