Está a chegar uma nova ferramenta que promete aprofundar a relação entre o médicos e utentes. Chama-se Plano Individual de Cuidados (PIC) e permite ao utente interagir com o médico em tempo real. Esta ferramenta é gratuita.

Está disponível para qualquer cidadão residente em Portugal, dentro da área de cidadão do Portal do SNS (www.sns.gov.pt/cidadao) ou através da app MySNS Carteira. O PIC insere-se num plano integrado de ação em que, “em conjunto com o médico de família ou médico assistente” são definidas “metas, objetivos e ações a tomar para promover a saúde ou tratar de forma ativa doenças que já estejam diagnosticadas”, esclarece, ao Negócios, Cristiano Marques, Coordenador dos Sistemas de Informação dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), entidade responsável pelo projeto.

Numa fase inicial, o utente é avaliado numa consulta, onde o médico agrega toda a informação relevante: doenças identificadas, alergias, cirurgias já efetuadas. De seguida, é elaborado um plano de ação, que pode ser de 3, 6 ou 9 meses, dependendo da situação clínica.

O doente passa a poder interagir com o médico a partir daí, indicando (através do portal ou da app), se está a cumprir o plano e em que condições se sente. O médico poderá acompanhar os registos e dar indicações, no sentido de alterar alguns aspetos. É possível ativar o PIC de forma autónoma, fora do âmbito de uma consulta, mas isso é desaconselhado.

A ferramenta já começou a ser utilizada, através de um projeto-piloto, na zona Norte, onde existem mais de 1500 PIC ativos. Deverá, agora, alargar-se à zona de Aveiro e a Beja. Cabe aos médicos de família informarem os utentes da possibilidades de poderem ter um acompanhamento personalizado à distância, diminuindo as idas à consulta.

“Estamos a tentar garantir que no âmbito das consultas do SNS de prevenção da doença e de saúde se promova sempre a ativação do PIC, seja nas consultas regulares de check-up ou nas consultas obrigatórias até aos 18 anos, por exemplo”, sublinha Cristiano Marques.

Os responsáveis pelo projeto, que querem também criar uma consulta à distância no âmbito do PIC, confiam na adesão a esta nova ferramenta. Dois milhões e 300 mil pessoas já têm acesso ao portal do SNS e outras 500 mil têm a app instalada no telemóvel.

TC/SO

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