AVC: Porquê um Dia Mundial?

Prof. Castro Lopes

Prof. Castro Lopes

Médico Neurologista e Presidente da Sociedade Portuguesa do AVC

A World Stroke Organization (WSO), em reunião na cidade do cabo, em novembro de 2006, entendeu ser oportuno estabelecer com periodicidade anual um dia dedicado ao AVC, dado o seu peso a nível mundial, quer pela mortalidade, quer pela morbilidade que provoca, aliadas a uma sobrecarga nos orçamentos dos Estados. Ficou o dia 29 de outubro para reflexão aprofundada sobre uma doença que na mesma data foi declarada como prevenível e tratável. Mas este dia deve ser dedicado a ações destinadas essencialmente à população geral, pois os profissionais da saúde têm também ações de formação próprias e de diversos modelos.

Desde a década de 80 que é reconhecida, em Portugal, a elevada taxa de mortalidade e morbilidade associadas ao AVC que, ao nível europeu, e mesmo comparativamente a outros países da Europa ocidental, se destacava pela negativa. A partir da década de 90, fruto de campanhas de sensibilização da população no âmbito desta efeméride, de uma melhor organização dos cuidados de Saúde no que respeita ao tratamento dos doentes de AVC e também devido à evolução dos próprios tratamentos utilizados nas primeiras horas após o aparecimento dos primeiros sintomas, tem-se verificado uma redução da incidência do AVC. Entre os anos de 1990 e 2000, a incidência de AVC era de 2,8 por 1000 habitantes ao ano. Entre 2000 e 2010, verificou-se uma redução para 2,0/1000/ano, ou seja, por ano, em cada 1000 habitantes, cada dois sofrem um AVC.

Apesar da redução da incidência, verificou-se um aumento da prevalência de doentes que sofreram um AVC, uma vez que a taxa de sobreviventes aumentou substancialmente ao longo da última década, para o que contribui o aumento da esperança média de vida. O AVC continua, pois, a ser a principal causa de mortalidade e incapacidade permanente no nosso país. Por hora, três portugueses são vítimas de um AVC. Destes, um deles não sobreviverá e pelo menos metade ficará com sequelas incapacitantes.

Não nos esqueçamos que estamos perante uma doença gravíssima, mas que se pode prevenir e tratar. E a quem pertence a prevenção? À população. Diariamente e durante todo o ano, devem ser postas em prática as medidas de prevenção amplamente divulgadas pela SPAVC através das mais variadas ações. Estas medidas dizem respeito ao combate aos fatores de risco de AVC, nomeadamente a hipertensão arterial, o tabagismo, a diabetes, o sedentarismo, e a fibrilhação auricular (arritmia cardíaca).

Vigiar os valores da tensão arterial e do ritmo cardíaco, não fumar, adotar uma alimentação saudável e praticar exercício físico regular são algumas medidas que nos devem acompanhar toda a vida. Vamos modificar o panorama do AVC no nosso país! A prevenção está nas vossas mãos!

Prevenir para evitar, melhor que tratar!

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