A direção-geral de Saúde recomenda que as creches e as famílias não tenham como base uma rotina diária de alimentação baseada em alimentos processados, onde se incluem bolachas, cereais, doces, sumos. Esta é apenas uma das várias recomendações expostas no livro Alimentação dos 0 aos 6 anos, lançado hoje a propósito do Dia Mundial da Alimentação.

Segundo avança o jornal Público, o livro, uma espécie de manual, conta com diretrizes para os berçários e creches, o que até então, não existia. Além disso, existem diversas recomendações para a aquisição de hábitos de alimentação saudáveis para as crianças em idade pré-escolar, como no caso dos jardins-de-infância. As diretrizes são o resultado de uma estreira colaboração da DGS com a Direção-geral da Educação. No manual, recorda-se que o excesso de peso atinge agora 32,6% das crianças entre o primeiro e o terceiro ano de vida. De forma a combater este flagelo, pode contar-se com a ajuda dos especialistas que colaboraram na elaboração deste plano que indica as quantidades e a forma como devem os alimentos ser introduzidos na vida das crianças.

Maria João Gregório, diretora do Programa Nacional para a Alimentação Saudável da DGS, afirma que é a “partir dos seis meses a hora de começar a diversificar a alimentação”, subinhando que “esta é uma oportunidade única para treinar o paladar e as texturas“.

Até ao primeiro ano de idade, de acordo com as normas da DGS, a comida não deve ter sal ou açúcar (adicionados, que não sejam os naturalmente presentes nos alimentos), sendo importante ir introduzindo, pouco a pouco, todos os alimentos presentes na Roda dos Alimentos. Nesta altura de vida da criança, a oferta alimentar deve ser variada, sendo que “há alimentos proibidos: o açúcar e o sal adicionados e também os alimentos processados que têm adição de açúcar e sal”, aponta a responsável.

Já a partir do 1º ano, a criança, com a alimentação, até à data, um pouco diferenciada da restante família, passa a poder partilhar o mesmo menu (ainda que com algumas limitações de acordo com a sua idade). De acordo com Maria João Gregório, tanto os pais, como a creche e a escola (pré-primária) participam ativamente na formação de hábitos alimentares saudáveis, servindo como modelos a seguir.

As crianças comem pouco, várias vezes e podem querer repetir

“Crianças pequenas comem doses pequenas”, elucida a diretora do programa nacional que destaca ainda a importância de não forçar a criança a comer mais quando não quer, bem como de “não aceitar que repita a dose”.

Já relativamente aos sumos, é recomendado que fiquem fora da ementa, sendo a água a bebida de eleição, exceto em dias de festa, onde as regras podem ser quebradas.

Objetivo: Espaços capacitados para promoverem uma alimentação saudável

 

“O manual pretende uniformizar um conjunto de orientações e dar ferramentas para que os berçários creches e jardins de infância estejam mais capacitados para poderem ser promotores de uma alimentação saudável“, diz, adiantando que um dos objetivos passa por trabalhar juntamente com a Segurança Social de forma a que seja avaliada a implementação destas medidas nos primeiros espaços de integração da criança pequena.

Ao mesmo tempo que o “manual” e apresentado e lançado no mercado, é também apresentado hoje pela DGS a primeira Estratégia Nacional para a Alimentação do Lactente e Criança Pequena, de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde.

EQ/SO

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