Há poucos dias, foi revelado um estudo que desafia décadas de investigação e também as diretrizes, consensuais, que recomendam que se reduza ao mínimo o consumo de carne vermelha.

Sabe-se agora que a investigação publicada na semana passada, e assinada por Bradley C. Johnston (um epidemiologista da Universidade Dalhousie, no Canadá), pode não passar de uma manobra comercial visando apoiar a indústria pecuária. Johnston, que liderou a “pseudo-investigação”, não referiu, em sede de conflitos de interesse, que tem vínculos com a indústria de carnes e alimentos, escreve o New York Times.

Recordemos o evento: um novo relatório, publicado esta semana no prestigiado Annals of Internal Medicine, atordoou cientistas e funcionários da saúde pública ao contradizer as diretrizes nutricionais de longa data sobre a limitação do consumo de carnes vermelhas e processadas. A análise, liderada por Bradley C. Johnston, concluiu que as advertências que ligam o consumo de carne a doenças cardíacas e cancro não eram apoiadas por evidência científica.

Bradley C. Johnston

Como seria de esperar, vários nutricionistas de renome internacional e organizações de saúde vieram a público criticar os métodos e as conclusões do estudo. Sem grande sucesso, Johnston e a sua equipa defenderam o trabalho, recusando que o estudo tenha sido realizado com financiamento externo.

Contudo, em dezembro de 2016, Johnston foi também o autor principal de um estudo semelhante que tentou desacreditar as diretrizes internacionais de saúde que recomendavam a população a consumir menos açúcar, aconselhando-as a fazer exatamente o oposto. Essa investigação, também publicada nos Annals of Internal Medicine, foi financiada pelo International Life Sciences Institute, um grupo comercial da indústria amplamente apoiado por empresas de agronegócios, alimentos e farmacêuticas e cujos membros incluíram McDonald’s, Coca-Cola, PepsiCo e Cargill, um dos maiores processadores de carne bovina da América do Norte. O grupo da indústria, fundado por um dos principais executivos da Coca-Cola há quatro décadas, tem sido acusado pela Organização Mundial da Saúde e outras organizações de saúde de tentar minar as recomendações de saúde pública para promover os interesses de seus membros corporativos.

MMM/TC/EQ

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